sábado, 6 de abril de 2013

Marilena Chauí: Ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública

Marilena Chauí, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
Violência repressiva, privatização e a reforma universitária que fez uma educação voltada à fabricação de mão-de-obra, são, na opinião da filósofa Marilena Chauí, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, as cicatrizes da ditadura no ensino universitário do país. 

Chauí relembrou as duras passagens do período e afirma não mais acreditar na escola como espaço de  formação de pensamento crítico dos cidadãos, mas sim em outras formas de agrupamento, como nos movimentos sociais, movimentos populares, ONGs e em grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos. 

Chauí, que "fechou as portas para a mídia" e diz não conceder entrevistas desde 2003, falou à Rede Brasil Atual após palestra feita no lançamento da escola 28 de de Agosto, iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo que elogiou por projetar cursos de administração que resgatem conteúdos críticos e humanistas dos quais o meio universitário contemporâneo hoje se ressente.

Quais foram os efeitos do regime autoritário e seus interesses ideológicos e econômicos sobre o processo educacional do Brasil?
Vou dividir minha resposta sobre o peso da ditadura na educação em três aspectos. Primeiro: a violência repressiva que se abateu sobre os educadores nos três níveis, fundamental, médio e superior. As perseguições, cassações, as expulsões, as prisões, as torturas, mortes, desaparecimentos e exílios. Enfim, a devastação feita no campo dos educadores. Todos os que tinham ideias de esquerda ou progressistas foram sacrificados de uma maneira extremamente violenta.

Em segundo lugar, a privatização do ensino, que culmina agora no ensino superior, começou no ensino fundamental e médio. As verbas não vinham mais para a escola pública, ela foi definhando e no seu lugar surgiram ou se desenvolveram as escolas privadas. Eu pertenço a uma geração que olhava com superioridade e desprezo para a escola particular, porque ela era para quem ia pagar e não aguentava o tranco da verdadeira escola. Durante a ditadura, houve um processo de privatização, que inverte isso e faz com que se considere que a escola particular é que tem um ensino melhor. A escola pública foi devastada, física e pedagogicamente, desconsiderada e desvalorizada.

E o terceiro aspecto?
A reforma universitária. A ditadura introduziu um programa conhecido como MEC-Usaid, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, para a América Latina toda. Ele foi bloqueado durante o início dos anos 1960 por todos os movimentos de esquerda no continente, e depois a ditadura o implantou. Essa implantação consistiu em destruir a figura do curso com multiplicidade de disciplinas, que o estudante decidia fazer no ritmo dele, do modo que ele pudesse, segundo o critério estabelecido pela sua faculdade. Os cursos se tornaram sequenciais. Foi estabelecido o prazo mínimo para completar o curso. Houve a departamentalização, mas com a criação da figura do conselho de departamento, o que significava que um pequeno grupo de professores tinha o controle sobre a totalidade do departamento e sobre as decisões. Então você tem centralização. Foi dado ao curso superior uma característica de curso secundário, que hoje chamamos de ensino médio, que é a sequência das disciplinas e essa ideia violenta dos créditos. Além disso, eles inventaram a divisão entre matérias obrigatórias e matérias optativas. E, como não havia verba para contratação de novos professores, os professores tiveram de se multiplicar e dar vários cursos. 


Houve um comprometimento da inteligência?
Exatamente. E os professores, como eram forçados a dar essas disciplinas, e os alunos, a cursá-las, para terem o número de créditos, elas eram chamadas de “optatórias e obrigativas”, porque não havia diferença entre elas. Depois houve a falta de verbas para laboratórios e bibliotecas, a devastação do patrimônio público, por uma política que visava exclusivamente a formação rápida de mão de obra dócil para o mercado. Aí, criaram a chamada licenciatura curta, ou seja, você fazia um curso de graduação de dois anos e meio e tinha uma licenciatura para lecionar. Além disso, criaram a disciplina de educação moral e cívica, para todos os graus do ensino. Na universidade, havia professores que eram escalados para dar essa matéria, em todos os cursos, nas ciências duras, biológicas e humanas. A universidade que nós conhecemos hoje ainda é a universidade que a ditadura produziu. 

Essa transformação conceitual e curricular das universidade acabou sendo, nos anos 1960, em vários países, um dos combustíveis dos acontecimentos de 1968 em todo mundo.
Foi, no mundo inteiro. Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média. Ela, do ponto de vista econômico, não produz capital, e do ponto de vista política, não tem poder. Seu poder é ideológico. Então, a sustentação que ela deu fez com que o governo considerasse que precisava recompensá-la e mantê-la como apoiadora, e a recompensa foi garantir o diploma universitário para a classe média. Há esse barateamento do curso superior, para garantir o aumento do número de alunos da classe média para a obtenção do diploma. É a hora em que são introduzidas as empresas do vestibular, o vestibular unificado, que é um escândalo, e no qual surge a diferenciação entre a licenciatura e o bacharelato. 

Foi uma coisa dramática, lutamos o que pudemos, fizemos a resistência máxima que era possível fazer, sob a censura e sob o terror do Estado, com o risco que se corria, porque nós éramos vigiados o tempo inteiro. Os jovens hoje não têm ideia do que era o terror que se abatia sobre nós. Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, não sabia se ia ser preso, se ia ser morto, não sabia o que ia acontecer, nem você, nem os alunos, nem os outros colegas. Havia policiais dentro das salas de aula.

Houve uma corrente muito forte na década de 60, composta por professores como Aziz Ab'Saber,  Florestan Fernandes, Antonio Candido, Maria Vitória Benevides, a senhora, entre outros, que queria uma universidade mais integrada às demandas da comunidade. A senhor tem esperança de que isso volte a acontecer um dia?
Foi simbólica a mudança da faculdade para o “pastus”, não é campus universitário, porque, naquela época, era longe de tudo: você ficava em um isolamento completo. A ideia era colocar a universidade fora da cidade e sem contato com ela. Fizeram isso em muitos lugares. Mas essa sua pergunta é muito complicada, porque tem de levar em consideração o que o neoliberalismo fez: a ideia de que a escola é uma formação rápida para a competição no mercado de trabalho. Então fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil. 


Não há tempo para um conceito humanista de formação?
É uma luta isolada de alguns, de estudantes e  professores, mas não a tendência da universidade.

Hoje, a esperança da formação do cidadão crítico está mais para as possibilidades de ajustes curriculares no ensino fundamental e médio? Ou até nesses níveis a educação forma estará comprometida com a produção de cabeças e mãos para o mercado?
Na escola, isso, a formação do cidadão crítico, não vai acontecer. Você pode ter essa expectativa em outras formas de agrupamento, nos movimentos sociais, nos movimentos populares, nas ONGs, nos grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos. Na escola, em cima e em baixo, não. Você tem bolsões, mas não como uma tendência da escola.

RBA

Direitos da criadagem, essa afronta

Rainha de Copas: "Criadagem insolente, cortem-lhes as cabeças!"
“Em 1871, quando o Parlamento discutia a Lei do Ventre Livre, argumentou-se que libertando-se os filhos de escravos condenavam-se as crianças ao desamparo e à mendicância. ‘Lei de Herodes’, segundo o romancista José de Alencar. 

“Quatorze anos depois, tratava-se de libertar os sexagenários. Outro absurdo, pois significaria abandonar os idosos. Em 1888, veio a Abolição (a última de país americano independente), mas o medo a essa altura era menor, temendo-se apenas que os libertos caíssem na capoeira e na cachaça. 

“Como dizia o Visconde de Sinimbu: ‘A escravidão é conveniente, mesmo em bem ao escravo’.” 
As referências de Elio Gaspari em artigo sobre as cotas nas universidades, publicado há um ano (25/4/2012), se aplicariam perfeitamente ao alvoroço em torno da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que estabelece para o trabalho doméstico os mesmos direitos das demais atividades assalariadas. Não apenas porque esse trabalho deriva historicamente da nossa herança escravocrata: também, ou talvez principalmente, porque, no campo das relações trabalhistas, notórios “especialistas” são recorrentemente convocados a bater na tecla do direito como um entrave à livre negociação entre as partes, como se essas partes estivessem em pé de igualdade.

Não só na vida privada se recorre a eufemismos para nomear os subalternos: também nas grandes empresas começa a se disseminar o costume de chamar seus empregados por “colaboradores”, o que eventualmente pode sugerir uma alteração na relação contratual, nesses tempos de “flexibilização”, mas não esconde a tentativa de riscar a palavra “trabalhador” do mundo do capital. O que não altera a relação de exploração, mas pode mascará-la por esses artifícios de linguagem.

A lógica invertida
Foi, portanto, previsivelmente por essa lógica invertida – e pervertida – que os principais jornais pautaram suas reportagens sobre a PEC das Domésticas: chamando os “especialistas” de sempre para alertar para o risco de desemprego e o estímulo à informalidade que a lei provocaria, e para o transtorno que as novas obrigações representariam: calcular horas extras, recolher FGTS, pagar auxílio-creche exigiriam a contratação dos serviços de um contador e, consequentemente, mais gastos para o cidadão já massacrado por despesas de toda ordem para manter seu nível de vida – a casa, a escola e as múltiplas atividades dos filhos, o(s) carro(s), a ida a cinemas, restaurantes e shows, a academia, as festas, viagens e demais formas de lazer.

(Não deixa de ser curioso que, nas sucessivas reportagens sobre inadimplência, endividamento, aumento do custo de vida ou mesmo ecologia – sobre o desperdício de água, por exemplo – e estilo de vida, esses mesmos “especialistas” recomendem didática e pacientemente medidas de cortes de gastos ou mudança de hábitos, mas não se tenham lembrado disso no caso dos direitos das domésticas).

Ao mesmo tempo, ao montar um quadro comparativo entre as regras vigentes e as que passarão a vigorar a partir deste mês de abril, cada jornal trabalhou com os números como quis. Assim, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo se pautaram pela comparação mais lógica entre os gastos com a empregada contratada, o que evidencia um aumento de menos de 10%. Já O Globo, além desse quadro, elaborou outro para a hipótese de dispensa da empregada, de modo a sustentar o alarme na chamada da primeira página de quinta-feira (28/3): “Doméstica: custo de demissão dobra”, embora o texto informe que esta é apenas uma possibilidade e que a indenização do FGTS ainda depende de regulamentação.

O “espaço sagrado” do (nosso) lar
Na véspera, o mesmo jornal dedicara três páginas para tratar da lei recém-aprovada. Numa delas, destacava a turbulência vivida no “espaço ‘sagrado’ do lar” – o nosso lar, naturalmente, que o das domésticas ninguém sabe onde fica – e o “estresse” pelo qual os empregadores estariam passando. Na matéria, a voz principal é de uma professora “com tese de doutorado sobre relações de consumo” e “especialista” – sempre eles – “no comportamento de empregadas domésticas”. Ela diz: “Passar de uma relação personalista para uma relação impessoal é muito doloroso porque acontece no ambiente doméstico, na casa das pessoas, onde elas estão acostumadas a ter algum tipo de sentimento de dominação” (o grifo é meu).

Acrescente-se, portanto, a terapia como mais uma despesa causada pela nova lei, para tratar de superar esse nefasto sentimento.

Mas o melhor vem a seguir: “Deixar de ter uma empregada é um pequeno grande drama na casa das pessoas porque não temos estrutura social para deixar as crianças”.

Alguém alguma vez se incomodou com a falta de estrutura social para as domésticas deixarem as suas crianças?

O abismo social
Na Folha de quarta-feira (27/3), um notório “especialista” em relações de trabalho e recursos humanos aborda esse tema pelo lado da regulamentação: “Entre os 7 milhões de domésticas do país, muitas são empregadas de um lado e empregadoras do outro – contratam pessoas” – na grande maioria dos casos, informalmente – “para tomar conta de seus filhos e de suas casas enquanto trabalham fora”.

O Globo, ao pé da matéria de domingo (31/3) que reclama de “mais custos” e “mais burocracia”, dá consistência a esse quadro, relatando o caso de Taciane Carolina da Silva, de 18 anos:
“Para trabalhar com babá numa casa da zona norte de Recife, ela deixa a filha de 2 anos, Ingrid Giovana de Moura, durante toda a semana com um pessoa que recebe R$100 por mês. Taciane, que não tem nem o ensino fundamental, soube da lei das domésticas pela televisão, mas confia na amizade para que a sua auxiliar não exija dela os mesmos direitos que sua patroa tem como obrigações. 

“Afirma que, se isso ocorrer, terá que deixar o trabalho e se cadastrar no Bolsa Família, porque na cidade de Aliança, onde nasceu e vive sua filha, não há creches: 

“– A escola só aceita crianças a partir de três anos. 

“Taciana só pega sua filha aos sábados e devolve no domingo à noite, porque às 4h30m da segunda-feira já pega a condução para Recife, para seu trabalho.”
É preciso, portanto, ler uma reportagem até o fim, porque o mais importante pode estar ali.

As pautas ausentes
Uma menina de 18 anos que foi mãe aos 16, de precária formação escolar, que sai de madrugada para cuidar do filho alheio e só vê a própria filha nos fins de semana: não estaria aí um bom ponto de partida para uma pauta sobre esse “outro lado” que tanto descuramos?

Pistas não faltam. Muitas estão, certamente, na própria casa dos jornalistas. Mas também seção de cartas: no Globo, entre tantos protestos contra a “demagogia” do governo com a nova lei, reivindicações por um “sindicato das patroas” e manifestações raivosas contra a boa vida das domésticas ao compartilharem a casa e a mesa da classe média, uma leitora lamenta a provável hipótese de ter de dispensar sua empregada, “uma pessoa ótima”, com seis filhos, cinco dos quais menores de idade. “Minha funcionária não consegue escola para a de 14 anos porque não tem vaga. Onde ela mora, não há creche para os menores”.

Não seria o caso de, finalmente, apresentar as condições de vida dessas pessoas, suas dificuldades, seus sonhos, suas perspectivas de ascensão social?

Apenas o Estadão, e ainda assim por outro enfoque – o da trajetória de trabalhadores domésticos na direção de outro tipo de serviço, mais qualificado ou de melhor status –, investe um pouco nessa linha, ao contar a história de uma jovem do interior da Bahia, que trabalhava na roça desde criança. Como doméstica, começou aos 13 anos e, claro, “não era vista como empregada – era a ‘agregada’ que fazia todo o serviço da casa, outra herança do Brasil escravocrata”. Conseguiu ir para São Paulo, teve o apoio do novo patrão para estudar, formou-se em Letras e hoje é professora e guia de turismo.

Nos artigos, o esclarecimento
A reportagem é o espaço privilegiado do jornal, mas, fora esses breves exemplos, quem não quis se deixar levar pela excitação contra os novos direitos das domésticas precisou se socorrer no espaço de opinião dos jornais paulistas. Na Folha(quinta-feira, 28/3), o advogado Otávio Pinto e Silva (ver aqui) fala na “radical mudança cultural” a ser enfrentada mas mostra que não há motivo para alarde em relação às obrigações trabalhistas:
“É preciso estimular os empregadores domésticos a registrar os contratos de seus empregados, facilitando e desburocratizando os procedimentos relativos ao recolhimento de contribuições previdenciárias e depósitos de FGTS, com o uso da internet. Lembremos que no âmbito residencial não existe um departamento de pessoal ou de RH, encarregado de preencher guias e formulários para pagamentos bancários”.
No Estadão (sábado, 30/3), o artigo do sociólogo Ricardo Antunes (ver aqui) é um tapa na cara da arrogância dos mais ricos:
“Nossa origem escravista e patriarcal, concebida a partir da casa grande e da senzala, soube amoldar-se ao avanço das cidades. A modernização conservadora deu longevidade ao servilismo da casa grande para as famílias citadinas. As classes dominantes sempre exigiram as vantagens do urbanismo com as benesses do servilismo, com um séquito de cozinheiras, faxineiras, motoristas, babás, governantas e, mais recentemente, personal trainers para manter a forma, valets nos restaurantes para estacionar os carros, etc.” 
Antunes mostra, ao mesmo tempo, que há divisões entre a classe média – algo de que as reportagens não deram conta:
“Com as classes médias o quiproquó é maior: os seus estratos mais tradicionais e conservadores agem quase como um espelhamento deformado das classes proprietárias e vociferam a “revolta da sala de jantar”: não será estranho se começarem a defender o direito das trabalhadoras domésticas não terem os direitos ampliados. E sua bandeira principal já está indicada: são contrárias à ampliação dos direitos das trabalhadoras domésticas para lhes evitar o desemprego.  

“Nos núcleos mais intelectualizados e democráticos das classes médias, há o sentimento de que uma chaga está sendo reduzida. Percebem a justeza destes direitos sociais válidos para o conjunto da classe trabalhadora, ainda que sua conquista altere significativamente seu modo de vida. Mais próxima (ou menos distante) do cenário dos países do Norte, tende a recorrer cada vez mais ao trabalho doméstico diarista em substituição ao mensalista.”
Todo jornal tem seus compromissos de classe, mas ao mesmo tempo não pode se recusar a abrir espaço ao contraditório. Pelo menos no espaço de opinião, é possível perceber a necessidade de enfrentar o abismo social que passeia entre a sala e a cozinha e compreender que nosso bem-estar não pode se sustentar às custas da exploração do outro.

 Sylvia Debossan Moretzsohn   Observatório da Imprensa

Forjemos nossas armas

Astro MK III
O governo da Presidente Dilma Roussef decidiu alterar as leis sobre a indústria bélica e editar normas para a política de defesa, que incentivam a produção nacional de armas e o desenvolvimento de processos tecnológicos autônomos.


Os nossos leitores habituais devem recordar-se de matéria sobre o assunto que publicamos neste mesmo Jornal do Brasil sobre o tema em 16 de agosto do ano passado. No texto, citávamos a dramática advertência do general Maynard Santa Rosa: em caso de agressão estrangeira, só dispomos de munição para uma hora de resistência.

Um dos maiores erros dos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, se não o mais grave, foi desarmar o Brasil. A doutrina FHC se baseava no falso conformismo de que jamais poderíamos nos defender do poderio bélico norte-americano e seria melhor transformar as forças armadas em corpos policiais destinados ao combate ao tráfico de drogas, sob o comando continental dos Estados Unidos, of course.

Todos os povos que se prezam são obrigados a defender-se dos eventuais inimigos. As nações se formam dentro de espaços naturais, em que devem viver em paz, preocupando-se com seus recursos, com a felicidade e com a defesa de sua liberdade. À soma de espaço e liberdade chamamos soberania, no léxico político moderno. Nas guerras, sempre indesejadas, as nações agredidas, qualquer que seja a sua capacidade bélica, são eticamente obrigadas a resistir.

SEM PERDER A HONRA
Churchill, ao opor-se à capitulação de Chamberlain, ponderou que uma nação, quando se defende com a coragem do patriotismo, pode ser derrotada sem perder a honra, mas, ao capitular sem luta, perde o respeito do inimigo e das nações neutras.

O vencedor trata com natural desprezo os que se entregam sem luta, ainda que em nome da paz. É essa a diferença entre os soviéticos, que perderam rios de sangue na Segunda Guerra Mundial, e puderam hastear sua bandeira no Reichstag, enquanto Hitler se matava – e os franceses de Pétain e Laval, que se entregaram quase sem luta e colaboraram com a repressão nazista dentro de seu próprio território. Ainda bem que, no caso da França, os maquisards salvaram a face de seu povo, na dura resistência contra os ocupantes.

O Brasil é um dos poucos países do mundo capazes de viver com autonomia dentro de suas próprias fronteiras, o que o dispensa da sedução de conquista de espaços alheios. É um dos maiores do mundo em extensão territorial contínua, em que se fala a mesma língua, com invejável insolação e imensos depósitos de água potável. E exatamente por isso é obrigado a manter forças armadas capazes de dissuadir os eventuais cobiçosos.

EXPERIÊNCIA
A experiência continental nos adverte de que não podemos manter alinhamentos internacionais automáticos. Não cabe discutir aqui se a Argentina agiu bem, ao tentar recuperar, pela força, o que pela força perdera, ou seja, a soberania sobre as Malvinas. O fato é que Washington não interveio em favor da paz: colocou-se inteiramente ao lado de Mme. Thatcher, sem ir mais fundo na discussão da soberania argentina, reconhecida por todos os seus vizinhos da América do Sul.

A nova doutrina brasileira busca estabelecer parcerias não só comerciais, mas estratégicas. E, para que não ocorra a pressão sobre os nossos parceiros, é melhor negociar com países emergentes – no caso, os BRICS.

Cometemos um erro estratégico ao assinar o famoso Tratado de Não Proliferação Nuclear. A decisão de não usar determinado instrumento bélico não nos deve tolher o processo de sua fabricação e a técnica de seu emprego.

Armemo-nos todos, ou nos desarmemos todos, sem exceção.


Mauro Santayana  Tribuna

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ESSE CARA PEGOU UM EMPRÉSTIMO GIGANTE PARA DESTRUIR O SISTEMA FINANCEIRO

Enric com uma cópia do seu jornal, o Crisi.
Em 2008, o ativista anticapitalista Enric Durán pegou emprestado €492.000 (cerca de R$1.260.000) de 39 entidades financeiras sem nenhuma intenção de devolver essa grana. Mas – como você já devia esperar de um ativista anticapitalista – ele não gastou tudo com facas de cozinha de diamante ou frisbees de luxo. Ao invés disso, ele aplicou o dinheiro em várias causas anticapitalistas não especificadas e gastou o resto com o Crisi, um jornal gratuito que detalha como ele fez isso e incentiva outras pessoas a fazer o mesmo.

Essa jogada estilo Robin Hood o transformou num herói da noite para o dia, mas o problema de se transformar num herói através de meios legalmente questionáveis é que a polícia acha que precisa te prender por causa disso. Enric passou dois meses na cadeia em 2011 e foi libertado até o julgamento, que estava marcado para o começo deste mês. Sua sentença mínima será de oito anos, o que pode explicar por que ele se recusou a aparecer nas primeiras datas do julgamento, o que resultou num mandado para que ele fosse libertado.

Venho tentando entrevistar o Enric há alguns anos, mas como as 14 entidades que atualmente tentam mandá-lo para a cadeia por desfalque podem comprovar, ele é um cara difícil de pegar. Depois de incontáveis e-mails, eventualmente marcamos uma entrevista por Skype que acabou acontecendo com três horas de atraso, mas acho que quando se está tentando derrubar o sistema capitalista você não vê o tempo da mesma maneira que todo mundo mesmo.

Quando finalmente conseguimos conversar, falamos sobre foder com bancos, a teoria dele de desobediência civil e seu novo projeto: a criação de uma cidade completamente autônoma nos arredores de Barcelona.
VICE: Oi, Enric. O que aconteceu com o seu julgamento?
Enric Durán: A corte aceitou a renúncia do meu advogado no dia 13 de fevereiro, depois me disseram que eu tinha que voltar ao tribunal no dia 18, mas não compareci. E agora não está claro se eles continuarão com o caso porque não tenho um novo advogado, então seria contra os meus direitos se eles continuassem.

Entendo. Vamos voltar ao começo. Você entrou para o ativismo em 2000. O que desencadeou seu interesse pelo sistema financeiro?
Bom, naquela época eu era parte do movimento antiglobalização. Em 2005, comecei a ler sobre a crise energética, que estava relacionada ao sistema financeiro. Percebi que não só o sistema era indesejado, como também não podia continuar do jeito que era. Foi assim que surgiu a ideia do ato de desobediência – tirar o dinheiro dos bancos e investir em projetos anticapitalistas.

De certa maneira você antecipou uma ligação entre o sistema financeiro, a política, as multinacionais e os governos quando isso ainda não era claro para muitas pessoas. O que te fez perceber que não era só uma parte do sistema desmoronando, mas uma coisa global abrangendo todos esses aspectos?
Foi em 2000, quando estávamos lutando contra o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, que começamos a perceber que isso era algo global. O que ainda não estava claro para nós era que o sistema poderia falir em si. Achávamos que teríamos que fazê-lo cair, não tínhamos percebido que ele podia desmoronar naturalmente.

Pegar emprestado todo aquele dinheiro foi uma demonstração de como se pode tirar vantagem do sistema?
Foram várias coisas, mas eu tinha dois objetivos principais. O primeiro era denunciar o sistema financeiro como algo insustentável, e o segundo era mostrar que podemos ser desobedientes, corajosos, e que podemos dar poder a nós mesmos. Quando comecei tudo isso, me inspirei em personagens históricos, como Gandhi, e achei que era importante trazer para o século XXI ações como essas. Queríamos usar o dinheiro para um projeto que pudesse provar como diferentes métodos de capitalismo são possíveis.

Como era o processo cotidiano de ir aos bancos para pedir crédito?
Isso foi entre o verão de 2005 e a primavera de 2008 – aproximadamente três anos. Aprendi como o sistema de empréstimos funcionava e as informações em que os bancos confiavam para concedê-los. Aprendi sobre os buracos no sistema e como passar por eles. No começo eu conseguia um empréstimo para cada três requisições, no final eu já conseguia nove empréstimos a cada dez pedidos. Por exemplo, um dos buracos do sistema é que o Banco da Espanha compartilha as informações de crédito com outros bancos, mas só para empréstimos acima de €6.000 [em torno de R$15.000]. Então só pedi empréstimos abaixo desse valor por dois anos, movimentando fundos sem ter o Banco da Espanha controlando minhas ações.

Chegou um ponto onde você pensou: “Puta merda, tenho um monte de dinheiro?” ou você investiu isso conforme ia conseguindo os empréstimos?
O dinheiro era investido. Nunca tive mais de €50.000 [em torno de R$130.000] comigo. Tudo foi gasto em vários projetos.

Você não revelou nenhum dos projetos onde investiu o dinheiro, mas você sabe se algum deles sofreu algum tipo de ação jurídica por causa do seu investimento?
Não mesmo. Na verdade, ficou claro que os bancos não estavam interessados para onde esse dinheiro foi. Não houve nenhuma investigação e, como isso era uma ação política, eles queriam reprimir só a mim e não ao coletivo. Eles não queriam transformar isso em algo maior do que já era.

Você publica seu próprio jornal, o Crisi. Por que você quis difundir sua mensagem através disso e não usar os canais normais de mídia?
Passei muito tempo imaginando como colocar essa história em domínio público. Eu queria que isso alcançasse o maior número possível de pessoas, mas fiquei preocupado em ser reprimido. Então decidi usar um pouco do dinheiro para publicar o jornal e acho que foi uma das melhores decisões que tomei. A mídia viu que esse jornal estava sendo distribuído de graça nas ruas e eles não queriam ficar de fora de algo que estava sendo falado por toda parte, então publicar meu próprio jornal realmente ajudou a mensagem a chegar até a mídia mainstream.
Se você tiver sucesso, qual será o efeito? Como o mundo será?
Bom, muitas pessoas já estão fazendo isso por acidente; deixar de pagar seus débitos foi uma das coisas que derrubou o sistema financeiro em primeiro lugar. Não tanto com pequenos empréstimos ou hipotecas particulares, mas com grandes companhias de construção e desenvolvimento que não puderam pagar suas dívidas e acabaram falindo. A chance do plano geral se tornar global não é muito provável, mas o importante é espalhar a ideia de pequenas mudanças e decisões que você pode tomar para ajudar o mundo a se tornar um lugar melhor.

Você disse essa frase: “Prefiro uma liberdade perigosa a uma servidão pacífica”. Essa é uma grande parte do que você está fazendo – abrindo as portas para a desobediência civil em massa.
É, isso é uma questão de agir de maneira consistente com o que você sente e fazer o que é melhor, mesmo que as autoridades queiram que você faça de outro jeito. Seria interessante começar um debate sobre a eficiência do sistema judiciário e questionar como ele funciona. Trata-se de um sistema de prisão que não ajuda ninguém – nem as vítimas e muito menos os presos ou o governo, que são aqueles que precisam pagar por tudo. É tempo de repensar e criar algo novo, certo?

Sinto como se você fosse um rato de laboratório com bombas amarradas no corpo tentando desmantelar o sistema e ver se alternativas podem funcionar.
O principal é que estamos construindo outro sistema desde o começo. É um sistema aberto, o que significa que ninguém vai obrigar você a ser parte disso. Podemos reformular tudo com essa liberdade e decidir como queremos que sejam os sistemas de saúde e educação, a economia, os conflitos e muitas outras coisas. Já estamos colocando isso em prática através da Cooperativa Integral Catalã (CIC) e outros projetos associados.

Fale mais sobre a CIC.
É uma assembleia onde construímos uma economia comum, organizamos o consumo, cobrimos as necessidades, organizamos todo o trabalho e estabelecemos relações financeiras para apoiar novos projetos produtivos. Temos uma infraestrutura para cobrir saúde, moradia, necessidades básicas de alimentação, transporte, energia – o básico. O ponto principal é que isso funciona com base na autonomia. O que precisamos são mudanças profundas nas relações humanas, confiança entre as pessoas. A revolução integral não é sobre mudar o sistema econômico, é sobre mudar tudo, mudar o ser humano. Estamos falando de mudanças em todos os aspectos da vida.

Você nunca pensou em aplicar essas ideias através de um partido político?
A maior questão aqui é que o conceito de partidos políticos contradiz o conceito de assembleia. A assembleia é um processo aberto que funciona através do consenso. O sistema político de partidos, por outro lado, é baseado em confrontação.

VICE

Disney fecha estúdio LucasArts


Jogos 'Star Wars 1313' e 'Star Wars: First Assault' foram cancelados.  Mais de 150 funcionários foram demitidos



A Disney fechou nesta quarta-feira (3) o famoso estúdio LucasArts, responsável por jogos da série "Star Wars" e por games clássicos do gênero "adventure", de aventura, da década de 1990.

Com o fechamento do estúdio, dois jogos que já estavam em estado avançado de desenvolvimento, "Star Wars 1313", para PC e nova geração de consoles, e "Star Wars: First Assault", game de tiro, foram cancelados. Mais de 150 pessoas foram demitidas, segundo o site "Kotaku".

"Após avaliar nossa posição no mercado de games, decidimos mudar a LucasArts de produtora de games interna para um modelo de licenciamento de marca, minimizando os riscos da companhia enquanto busca um portfolio de qualidade com os jogos baseados em 'Star Wars'", diz comunicado da Disney. "Como resultado desta decisão, tivemos que demitir empregados da nossa organização".


A Disney comprou a LucasFilm em outubro de 2012 por US$ 4 bilhões, adquirindo, também o estúdio de games LucasArts. Com a aquisição, a empresa lançará novos filmes da saga "Star Wars" a partir de 2015.

Criada em 1982 como um grupo da LucasFilm, empresa de George Lucas, criador da saga "Star Wars", a LucasArts foi uma das produtoras de jogos mais populares da década de 1990, produzindo jogos clássicos da saga "Star Wars" como "Rebel Assault", "X-Wing vs. Tie Fighter", "Star Wars: Dark Forces", "Star Wars: The Force Unleashed". A empresa ainda fez jogos baseados na franquia Indiana Jones como "Indiana Jones and the Fate of Atlantis" e títulos do gênero adventure como "The Secret of Monkey Island", "Full Throtle" e "Day of the Tentacle" - jogos com muito humor e quebra-cabeças para o jogador resolver.

G1

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Pela primeira vez, meteorito do planeta Mercúrio foi encontrado na Terra

Meteorito mercuriano é encontrado no Marrocos

Fragmentos da Lua e de Marte já foram encontrados na Terra antes, mas essa é primeira vez que um meteorito de Mercúrio foi achado por aqui.

Com base em dados fornecidos pela sonda Messenger da NASA, o meteorito esverdeado apresenta uma composição semelhante ao que é encontrado no planeta mais próximo do Sol, Mercúrio. Pautado nestes dados, os cientistas acreditam que o material encontrado no sul do Marrocos, no ano passado, pode ter vindo de lá.

Segundo o cientista Anthony Irving, a rocha pesa cerca de 325 gramas, e possui grandes quantidades de magnésio, alumínio e silicatos de cálcio. Elementos estes também encontrados na superfície de Mercúrio.

“Pode ser uma amostra de Mercúrio, ou uma amostra de um corpo menor que Mercúrio, mas que é de Mercúrio”, disse Irving, pesquisador da Universidade de Washington, durante a 44 ª Conferência Anual de Ciência Lunar e Planetária realizada no Texas.

Embora tenha sido encontrada uma proporção elevada de silicato de cálcio, maior do que há atualmente em Mercúrio, segundo Irving, o NWA 7325 poderia ter vindo de uma parte profunda da crosta de Mercúrio, e foi resultado de um impacto há 4,56 bilhões anos, e lançado ao espaço, viajando por muito tempo até encontrar a Terra.


A NWA 7325 é um grupo de 35 amostras de meteoritos que são diferentes de tudo o que já foi visto ou pesquisado, segundo o cientista. Além disso, o meteorito quase não tem composição de ferro, assim como Mercúrio, o que reforça a ideia de que esse material veio de fato daquele planeta.

Se a pesquisa for prorrogada por mais dois anos, como deseja Irving, será possível obter mais informações e uma conclusão definitiva.

Jornal Ciência

COMMENTARIOLUS: Especial da Crise Econômica de Cabo Frio!


1) O prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa, depois de ter ido dar entrevista na InterTV anunciando a demissão de 2000 funcionários contratados, voltou atrás e disse que seriam só 1500;

2) A justificativa usada pelo prefeito  é de que a implementação do plano de carreira dos servidos teria "estourado" o teto permitido pela lei de responsabilidade fiscal. Na verdade o problema todo é o número, muito grande, de contratados em relação aos concursados... a solução é simples: CONCURSO público JÁ!

3) O noticiário internacional repercutiu a crise nas contas da prefeitura! Alair anuncia novos motivos para não pagar o servidor público de Cabo Frio, veja abaixo algumas das principais razões:

4) Crise bancária no Chipre: Recursos destinados ao pagamento da folha dos funcionários públicos são retidos pelo sistema financeiro do país (rs)

5) Crise militar na Coréia do Norte inviabiliza o pagamento dos servidores de Cabo Frio, ditador  Kim Jong-woon ameaça população com um de seus mísseis nucleares que não funciona nem deixa vestígios de radiação! rsrs

6) Ameaça de ataque de Israel ao Irã gera inchaço na folha de servidores municipais, devido ao enorme número de refugiados que chegam no 2º Distrito para trabalhar na CONDESTAM. hihihi

7) Deu no New York Times. Crise orçamentária americana: Presidente Obama alega que a folha de pagamento de Cabo Frio chega a 110% das receitas! Prefeitura não pode mais investir no turismo em Miami. (sobrou até pros yankees kkkkk)

8) União Européia: Chanceler alemã, Angela Merkel, adverte Alair para enxugar a folha de pagamento usando "toalhas felpudas", dessa forma evita "arranhar" sua imagem. (essa foi horrível, mas o que esperar do senso de humor alemão?! rsrsrs)

9) Manchete do Le Monde: ONU anuncia ajuda emergencial para recuperar economia de Cabo Frio, abalada devido ao imenso número de contratados demitidos. (a solução é concurso público imediato para todas as áreas!)

10) Preço da massagem dispara na praia do Forte por causa do pagamento do PCCR! Prefeito reclama: "Ficou salgado." hihihi

11) FMI enviará comissão para avaliar  as contas de Cabo Frio. Banco Mundial ameaça não liberar os recursos para pagamento dos servidores de Cabo Frio. (Esse FMI não vale nada mesmo!!!)


Comentário: Claro que isso é uma fanfarronice e uma provocação ao prefeito e sua equipe... dinheiro tem - e muito - para pagar todos os servidores, mas aí não vai sobrar para fazer "outras coisas", né? Só, por favor, não venha dizer que a culpa é do plano de carreira e dos sindicatos, que forneceram números errados para a aprovação do prefeito e vereadores... fica feio isso, muito feio! Os onze itens desse commentariolus foi proposital, uma referência a "avalanche 11" das eleições.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Educação Estadual Convoca para a GREVE!!!


REDE ESTADUAL EM ESTADO DE GREVE!

É tempo de lutar!
Ou vão destruir todos os nossos sonhos...

Todo o dia nos dizemos, ou alguém nos diz: é impossível mudar. De que adianta a greve? Eles vão nos descontar, ou o outro colega não faz greve. Alguém pensa: estou sozinho na minha escola, só eu questiono, reclamo, discuto, faço as paralisações. Afinal, tudo é impossível.

Não devemos nos render! Em tempos de amargura e opressão não podemos nos render ao que parece inexorável. A história corre como um rio, e não somos apenas um barquinho de papel. Juntos, eu, você, o colega, o outro, nós somos fortes! Pensar no pior e no impossível é engolir o que o Governo quer que acreditemos. Como diz o poeta: nada deve parecer impossível de mudar!

Para sacudir a rede e o estado do Rio,
estamos em ESTADO DE GREVE...

A Assembleia Geral da categoria da rede estadual, no dia 21 de março, decidiu pela entrada imediata em ESTADO DE GREVE - mobilização para preparação de uma greve por tempo indeterminado, caso o Governo não abra negociações e não atenda as reivindicações dos/as profissionais da educação.

... e GREVE DE ADVERTÊNCIA de 24 horas
em 16, 17 e 18 de abril...

E como um maior mecanismo de pressão sobre o Governo, a Assembleia (de 21 de março) também aprovou a realização de uma GREVE DE ADVERTÊNCIA DE 72 HORAS nos próximos dias 16, 17 e 18 de abril. O objetivo da paralisação é, também forçar a negociação e atendimento, pelo Governo, das pautas da categoria, evitando a deflagração da greve por tempo indeterminado.

... com mobilização nas bases e ASSEMBLEIA GERAL
dia 18/4, no Club Municipal, Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

E cabe ressaltar: A PARTICIPAÇÃO DA CATEGORIA É FUNDAMENTAL. É preciso que todos/as os/as profissionais façam parte da paralisação na greve de 72 horas agendada. No último dia 21 de março, que também foi de paralisação, de 24 horas, a mobilização foi forte: a maioria das escolas em Niterói parou total ou parcialmente. Foram raros os casos de escolas em nenhum/a profissional aderiu ao movimento. Este contexto significa um crescimento da luta, mas que deve prosseguir, porque sem a luta geral e forte não teremos nenhum avanço. Portanto, participar do movimento nos dias 16 a 18 de abril é fundamental. Portanto, paralise suas atividades na sua escola e participe das Assembleias!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pindaíba da educação estadual!


Radiografia ( II ) da Educação estadual do RJ e de seus servidores

Aqui no estado do RJ a situação dos servidores da rede estadual é periclitante, pois um prof. do ensino médio tem como piso salarial R$1.001,82!!! 

Estamos com perda superior a 40% só no governo Cabral (6 anos) e, acumulada c/ mais de 100%. Em 2012 não tivemos nenhuma reposição (0%) e, pelo orçamento enviado a Alerj em out/12, o governo não previu NADA para 2013.

Cabe ressaltar que o governo não cumpre a Lei da Data Base, o que faz com que todos os anos tenhamos de lutar para conseguirmos alguma reposição. A última reposição obtida foi de 5% em 2011 e só depois de 65 dias de GREVE.

Recentemente o secretário veio com uma estória de solicitar (pedir permissão) aos seus chefes, i.e., ao governador , aos secretários de planejamento e casa cívil autorização para conceder-nos reajuste. No entanto o governo tem se mantido em silêncio em abrir negociação, tendo sido necessário ao Sepe recorrer à comissão de educação da AleRJ e ao MP.  ACORDA Risolia!

Em 21/03/13 aprovamos em assembléia lotada na A.B.I o "estado de greve" e uma greve de advertência de 72h nos dias 16, 17 e 18 de abril , com assembléia em 18/04/13 as 10h no Clube Municipal da Tijuca.


Para que o colega reflita:
- Como o 2º estado mais rico da União, pode pagar tão mal a seus servidores (não só aos da educação) e ser tão complacente e parceira de empreiteiros e empresários. O governo estadual diz que não tem dinheiro para reajustar servidores mas promove renúncia fiscal de R$ 50 bilhões beneficiando salões de cabeleireiros, termas e motéis entre outros estabelecimentos. Recordando que o salário pago ao docente da rede estadual é muito inferior ao que várias prefeituras do próprio estado pagam (para a mesma carga horária) como as do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Volta Redonda, etc...


Prof. Omar Costa via Facebook

Rogério Carvalho: Onde está o PSOL? Onde está VOCÊ?!?!


Nas últimas eleições a população de Cabo Frio teve a oportunidade de romper com a velha maneira viciada de fazer política na cidade. No entanto, disse “NÃO” à única oposição de verdade na cidade e colaborou para perpetuação do coronelismo que sempre impediu a implementação de políticas públicas que pudessem verdadeiramente melhorar as condições de vida da maioria.

A maior prova de que os dois grupos ao qual o PSOL se opõe em nada diferem é a manjada migração daqueles que vivem de favores políticos de um grupo para outro.

Diante dos desmandos, da sucessão de erros e da arrogante postura de alguns integrantes dessa nova oligarquia, vez ou outra sou surpreendido com o seguinte questionamento: “Onde está o PSOL diante disso tudo que está acontecendo?”

Eu bem sei que nunca se deve responder a uma pergunta com outra(s), mas nesse caso, abro uma exceção e devolvo: Onde estava você que não veio militar ao lado do Partido nas últimas eleições? Onde estava você que não adesivou o carro para não se queimar com o possível grupo político vencedor? Onde estava você que fez voto útil? Onde estava você que transformou o seu voto em moeda de troca?

O PSOL Cabo Frio não é o Ministério Público, inclusive carecemos de advogados. Você conhece algum que gostaria de doar seus conhecimentos advocatícios para um partido que quer combater a corrupção e o desvio do erário local? Não, não é mesmo?

O PSOL não partirá para a oposição burra e cheia de recalques, como a que tem sido praticada por aqueles que chafurdam na lama da derrota depois de tanto investimento, distribuição de contratos, compra de votos, etc. 

Assim sendo, continuo a questionar: 
Onde está você agora cidadão consciente, honesto e questionador que não se filia à única opção ética do cenário político nacional? Tens até abril para tanto.
A razão de ser do PSOL é a essência ideológica dos seus filiados. Somos poucos, queremos crescer, mas com coerência e sem promiscuidade. Queremos que você legitime esse seu interesse na coisa pública militando sob o signo do Socialismo com liberdade. Mas de antemão aviso que, embora se deite tranquilamente no travesseiro em paz com a opção de defesa dos interesses da maioria via um posicionamento ético e combativo, existem alguns desconfortos nessa militância. 

Aqueles conhecidos que você sabe que vive de boquinhas, passarão a te hostilizar. Alguns burgueses ignorantes acharão que você quer iniciar uma revolução comunista na próxima segunda extinguindo a propriedade privada dos meios de produção e por isso te atacarão mesmo que você nem lhes dirija a palavra (Isso até que é divertido) e você descobrirá que muita gente cheia de discurso interessante, tem discurso interessante e prática reacionária. 

Por fim, cidadão questionador, gostaria de lhe informar que o PSOL Cabo Frio está onde você o deixou. Esperando por você. Aguardando você deixar de lado a pequenez cultural que pariu a “Lei do Gerson” e se levantar contra o estado de coisas que tanto lhe incomoda.


"Seja a mudança que você que você deseja no mundo."  Mahatma Gandhi 

Rogério Carvalho é professor de história e presidente do PSOL Cabo Frio

Até quando vamos tolerar um sistema que perpetua a pobreza das crianças pobres?

Crianças educadas em escolas particulares levam imensa vantagem sobre as saídas do precário ensino público.

Michael Gove, ministro da Educação do Reino Unido, é um conservador. Faz parte do gabinete do premiê David Cameron. Não há nele, portanto, nenhum resquício do que o PIB, o Perfeito Idiota Brasileiro, classificaria de esquerdismo.

Considere, diante disso, o que Gove disse a respeito da mobilidade social entre os britânicos.  Gove colocou o foco na educação. Apenas 7% dos britânicos são educados em escolas privadas. São os filhos das famílias ricas, é claro.

O que acontece, então? Os alunos saídos das escolas particulares têm, na vida adulta, imensa vantagem sobre os demais.

“Mais do que em quase todo país desenvolvido, na Inglaterra o berço dita o progresso da pessoa”, disse Gove. “Aqueles que nasceram pobres provavelmente permanecerão pobres e aqueles que herdaram privilégios provavelmente transmitirão os privilégios a seus filhos. Para aqueles de nós que acreditam em justiça social, esta estratificação e esta segregação são moralmente indefensáveis.”


Justiça social?
Nosso PIB tremeria diante dessa expressão de comunistas ateus que comem criancinhas e amordaçam a “imprensa crítica”, para usar a nova e engraçada expressão usada pela Folha de S. Paulo. E correria para ler o que Reinaldo Azevedo diz sobre “justiça social”, para se sentir protegido e reassegurado em suas convicções.

Mas atenção. Michael Gove é, repito, conservador, exclamação. Jornalista de formação, articulista do Times, de Murdoch, Gove é 100% capitalista.  Mas, ao longo da história, muitas vezes homens públicos liberais como Gove se viram na obrigação de defender o capitalismo dos capitalistas.

Ted Roosevelt, presidente americano do começo do século 20, foi um caso clássico. Ele inaugurou a chamada Era Progressista, nos Estados Unidos, ao longo da qual os monopólios foram desfeitos e os direitos dos trabalhadores e dos negros começaram a ser afirmados.

Seus amigos magnatas reclamaram dele, e Roosevelt lamentou, certa vez, que eles não percebessem que ele estava agindo em benefícios dos queixosos mesmos, para evitar transtornos sociais que poderiam levar à esquerdização do país.

O Instituto Millenium, reduto da vanguarda do atraso nacional, poderia ouvir Michael Gove.

O Millenium, uma espécie de Tea Party caipira,  fala em meritocracia, mas como você pode falar nisso, sem cair no ridículo, quando você vive num país cuja transmissão de privilégios pela via da educação em escolas privadas é muito maior do que aquela descrita pelo ministro da educação da Inglaterra?


Considere agora.
Onde está esse debate no Brasil? Me refiro à perpetuação de privilégios pelo berço e pela escola, e pela intrínseca negação à meritocracia encerrada nela?

Em nenhum lugar?

Talvez fosse o momento então de iniciá-la.


DCM

Veterano da 2ª Guerra, brigadeiro contrário à ditadura vai de morto-vivo a cassado

Condecorado na volta ao país, o militar caiu em desgraça com o golpe de 1964, e acabou obrigado a viver 'de bico'
'Em uma ditadura, qualquer ato de resistência é um ato heroico', afirma filho de Rui Moreira Lima, militar que se recusou a entregar base aérea para o regime


O crime de Rui Moreira Lima foi resistir ao golpe. Em 1964, o brigadeiro da Aeronáutica, veterano da Segunda Guerra Mundial, se recusou a entregar a base aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, da qual era comandante. 

Atualmente, aos 93 anos, ele se recupera, com sucesso, de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido recentemente. Quem conta a história é seu filho, o economista Pedro Luiz Moreira Lima. Ele recebe a reportagem rodeado de documentos referentes à história de seu pai e de outros oficiais da Aeronáutica. Com a ajuda da museóloga Elisa Colepicolo, sua meta no momento é organizar o material que possui. 


Pedro é capaz de sintetizar o que lhe ocorreu no período pós-1964 com uma palavra apenas: terror. Com o golpe, Rui foi preso e levado para o transatlântico Princesa Leopoldina. Ficou 51 dias, 20 dos quais esteve incomunicável. “Lá eles eram chamados a qualquer hora do dia ou da noite para prestar depoimento”, conta o filho. Quatro meses depois, foi preso novamente. Na segunda vez, o tratamento foi melhor do que na primeira. Ficou 156 dias detido, respondendo inquérito dentro de uma Delegacia de Investigações Gerais. 

“Havia pedido de expulsar o pai da Força Aérea. Um pedido para ele se tornar um 'morto-vivo'. As mulheres dos oficias recebiam pensão como se eles estivessem mortos, mas os oficiais estavam vivos. O Castelo Branco se recusou a assinar a expulsão do pai. Ele disse 'esse oficial eu conheço'. Vou reformar ele. Agora, reformou contrariando as leis militares, reformou como um coronel. Com tempo de serviço, com a Guerra, já podia ser major-brigadeiro”. 

Rui foi o piloto de combate da esquadrilha verde no 1° Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira durante a Segunda Guerra. No combate, executou 94 missões. O brigadeiro narra sua experiência nos livros Senta a Pua! e O Diário de Guerra. Quando ele saiu do Brasil para servir na Itália, a mãe de Pedro estava grávida da primeira filha, aos 18 anos. 

Sua mãe não trabalhava fora de casa. Com o afastamento da Aeronáutica, o pai começou a fazer bicos, trabalhou por um tempo em supermercado arrumando produtos na estante, exemplificou Pedro. Ele conta que não houve envolvimento com partidos políticos, nem com a luta armada. Foi sempre contrário à ditadura e sua atividade na clandestinidade consistia em proteger sua vida e de sua família. “Ele estava pensando em sobreviver em sua vida civil. Porque era perseguida a vida civil”. À época, uma portaria cassou algumas licenças de voo de oficiais da Aeronáutica, entre eles a de Rui. Sua carteira de voo foi recuperada apenas em 1979, quando, por conta da idade, não tinha mais condições de executar essa tarefa. 

Além das passagens pela prisão e do afastamento da Aeronáutica, a família sofria constantes ameaças. “Tinham umas coisas engraçadas. No inverno a gente via uns caras lendo jornal, na esquina, observando nosso prédio. Aí minha mãe chegava e levava uma tigela com chá quente, biscoito. E aí substituíam os caras”, lembra. 

Pedro Luiz também não se envolveu com o Partido Comunista, nem com organizações de resistência. Em 1964, sabendo da situação do pai, buscava outras formas de resistência, pichava muros, ia a passeatas, distribuía panfletos. “Eu recebia o jornal do VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), transcrevia à mão e colava no elevador de vários edifícios. Eu tinha um medo...É uma coisa simples, mas também era uma questão de vida ou morte.”

Começou a saber o que era a luta armada quando o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) quis entrar dentro do seu colégio e a diretora impediu. Pouco tempo depois, estava andando por Ipanema, viu um anúncio de busca por um amigo, Aldo. “Não sei se foi vontade de vê-lo, mas tenho impressão de ter passado pelo Aldo. E ele fez um sinal de 'não fala comigo'. Uma semana depois ele foi morto pela tortura em Minas. Botaram ele na 'coroa de Cristo'. Tinha 22 anos”. Recorda-se também do dia em que encontrou Carlos Eduardo Fayal de Lira, militante procurado pela ditadura. “Eu disse: vai embora do Brasil, você vai ser morto. Não quero ver você morto. Eu sabia, aquele era o destino dele: ser morto ou torturado. Uma semana depois ele caiu, foi torturadíssimo.” 
O 'crime' de Rui foi se recusar a entregar a base de Santa Cruz aos militares

“Para mim, todos os combatentes – armados ou não armados – são heróis. O mínimo ato de resistência é um ato heroico. Não precisa necessariamente pegar em armas para combater. Para isso precisa ter muita coragem. Eu vaiei”, diz. 

Em 1968, com o Ato Institucional número 5, o cenário se agravou. Pedro já trabalhava e fazia faculdade quando foi sequestrado. Ele não era o alvo, mas o caminho que levaria os militares a seu pai. “Chegando em casa, quatro caras me seguram e me puseram dentro de um carro. Meu grande pavor era colocar um capuz. Eu com alergia e um capuz. E perguntavam onde estava meu pai”. Pedro conta que seu pai não estava escondido, mas trabalhando na empresa de mercado de capitais que havia fundado, Jacel Jambock. Aquela foi a terceira e última prisão de seu pai, que durou por três dias. 

“Ele foi jogado em uma cela, com chão de terra, uma cama de três pés para ele não dormir, colchão fino, percevejo em quantidade”, conta. Pedro acredita que seu pai não foi morto por conta de sua trajetória dentro das Forças Armadas. Conta ainda que foi informado de que o nome, não apenas dele, mas de todos de sua família estavam marcados para morrer em uma lista do brigadeiro da Aeronáutica João Paulo Burnier. “Ele [Rui] achava que a intenção era matá-lo. Mas ele seria um cadáver muito 'pesado'”. 

Pedro seguiu a carreira de economista na extinta Telemig. Não tinha uma vida sindical, mas participava do sindicato e de movimentos pró-anistia. “Isso sempre prejudicou minha carreira. Nunca fui promovido”, queixou-se. 

RBA