quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Governo fecha marco civil da internet e proíbe filtragem de conteúdo


BRASÍLIA – O governo vai propor ao Congresso um marco civil da internet, com dispositivos que definem e garantem os direitos dos usuários, contemplando uma das principais reivindicações dos internautas-militantes que vêem neste tipo de mídia um espaço de liberdade total de expressão e de ação política. Os provedores de acesso estarão proibidos de filtrar e censurar conteúdo, porque a rede terá de ser “neutra”.

O projeto foi fechado pela presidenta Dilma Rousseff com ministros e assessores na segunda-feira (22/08). A informação foi dada pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nessa terça-feira (23/08), durante audiência pública na Câmara dos Deputados. O marco civil será enviado pelo Palácio do Planalto ao Congresso nos próximos dias.

Uma fonte do governo revelou à Carta Maior alguns outros pontos da proposta. O acesso à internet só poderá ser cortado por falta de pagamento. Nenhuma outra razão, como opinião, justificará restrições. A comunicação entre usuários estará formalmente protegida por sigilo. A quebra dependerá da Justiça ou da anuência da pessoa.

Os registros de conexão dos usuários à internet também estarão protegidos por sigilo. Ao requisitar a quebra, a polícia terá de comprovar a existência de indícios de ilícitos por parte da pessoa e que a posse daquela informação ajudará nas investigações.

O projeto disciplina como estes registros deverão ser guardadados pelos provedores - a partir dos IPs dos computadores e por prazo determinado. Enquanto estiverem arquivados, a polícia também poderá pedir quebra de sigilo à Justiça.

Apesar de prever a possibilidade de acesso a registros de conexão, o projeto impede que sejam armazenados os registros de navegação dos usuários, ou seja, que monitore o histórico de conteúdos acessados. Os responsáveis pela provisão de conteúdos, como blogs e portais, não precisam guardar registros.

Os responsáveis pela conexão e pela transmissão de dados não serão responsabilizados solidariamente pelo conteúdo disponibilizado, em caso de algum problema judicial.

Para defender o cumprimento dos direitos, o projeto permite que as pessoas entrem na Justiça de forma coletiva, por meio de ações civis públicas, que têm mais força do que uma individual.

AI-5 Digital
A elaboração do projeto começou em 2009, depois de o Senado aprovar um projeto do hoje deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que tipifica algumas práticas na internet como crimes. O texto ganhou o apelido pejorativo de AI-5 Digital.

Os usuários-militantes da internet são contra a proposta e acham que a criminalização não deveria ser discutida antes de os direitos estarem assegurados.

O governo federal entrou na disputa ao lado dos militantes e, desde então, passou a construir o marco civil. O ministério da Justiça submeteu uma minuta de proposta a dois processos de consultas públicas, nas quais foram feitas mais de duas mil sugestões.

Até hoje, o AI-5 Digital espera por votação final na Câmara dos Deputados.
André Barrocal  Carta Maior

A Greve vai voltar: Assembleia sábado 27/08

Se o Cabral não assinar a GREVE vai voltar!
O governador do Rio, Sérgio do Mal, foi passear em Madri e Paris - com o dinheiro público para assistir um torneio de judô e ver o Papa - e não assinou a lei que garante os ganhos (5% + uma parcela da nova escola) dos profissionais da educação, bem como o abono dos dias parados.
O contracheque deste mês já saiu com os descontos dos dias parados! O acordo foi o seguinte: O governo paga e nós professores repomos as aulas. Mas, com o gov. Cabral, nada é o combinado... Se não pagar os dias parados não haverá reposição das aulas...Se não sancionar o projeto aprovado na Alerj voltaremos com a GREVE!
Cabral, seja homem (tenha palavra) pelo menos uma vez na vida, cumpra o que foi acordado!
Doc

PAREM COM A REPOSIÇÃO DE AULAS JÁ!


Os dias de paralisação referentes à greve estão sendo descontados, como pode ser verificado em consulta on-line aos contracheques.

O acordo feito não está sendo honrado por parte do Estado e sem pagamento não há reposição.  Parem agora, a reposição das aulas e aguardem o governador sancionar o que foi votado na ALERJ.

Mais uma vez temos a prova que não devemos acreditar em promessas, encerramos a greve e agora temos essa surpresa. Não é possível confiar e acreditar em palavras, porque por aqui, as coisas só são reais quando publicadas no Diário Oficial.

Espero que a categoria aprenda a lição, pois este fato comprova que a greve foi suspensa precipitadamente.

Todos na assembleia no próximo sábado. A luta continua!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Humor sarcástico gera polêmica, mas dá audiência

Em tempos do politicamente correto, debochar de determinados grupos ou situações delicadas pode causar polêmica, gerar processos e até arruinar a carreira de humoristas que se utilizam de episódios do cotidiano para criar piadas. A “invasão” do funeral da cantora Amy Winehouse pelos humoristas do Pânico na TV, por exemplo, foi uma “escolha” que dividiu opiniões. Para uns tratava-se de mais uma peripécia dos personagens do programa; para outros, foi uma falta de respeito sem precedentes. Já os humoristas Danilo Gentili e Rafinha Bastos, do CQC, costumam protagonizar histórias que provocam reações inflamadas. Gentili foi rechaçado quando associou a imagem do gorila King Kong ao estilo de vida de jogadores de futebol. Já Bastos não teve a mesma “sorte”: além de alvo de críticas, passou a ser investigado por apologia ao crime depois de ter feito piadas sobre estupro durante um show de comédia.
“O gosto pelo grotesco sempre existiu na cultura ocidental e há um segmento da sociedade que se diverte com situações constrangedoras”, diz a antropóloga Zilda Knoploch, CEO da Enfoque Pesquisa de Marketing (SP). “Podemos dizer que as cenas são um reflexo do inconsciente coletivo e, por isso, fazem sucesso. A audiência é prova de que o público se identifica com a proposta e a mensagem destes programas. Hoje, mais do que nunca, há opções e o controle remoto é poderoso”, afirma ela, que é especialista em pesquisa de mercado.
Para o humorista Chico Anysio, o humor não tem limites. “Quem impõe o limite é o humorista, de acordo com a sua moral e o seu caráter. A vida inteira fiz personagens judeus, negros e gays. Sempre trabalhei com todos esses assuntos e não tive problema com ninguém porque o importante é a forma como você os aborda. Tem que ter respeito”, diz Chico. “Fiz vários gays e não era um trabalho discriminativo.”
“A novela é uma válvula de escape”
Humilhar, brincar com assuntos sérios, fazer as pessoas passarem por condições desumanas e até mesmo se machucarem são alguns dos artifícios. Mas a boa audiência não significa aprovação das pessoas para tais atitudes, segundo o psicólogo Jacob Goldberg, de São Paulo. “A exploração do sofrimento alheio causa a mobilização de sentimentos sadomasoquistas. O fato desperta atenção e curiosidade. O humor covarde é um apelo aos instintos mais primitivos de perversão. Fazer rir da caricatura da mulher, do homossexual, do judeu e do pobre é fácil. Difícil seria a `pegadinha´ com banqueiros e militares”, diz.
Lembrar-se de vilãs sarcásticas como Odete Roitman (Vale Tudo) ou Nazaré Tedesco (Senhora do Destino) é muito mais fácil do que de outra personagem das mesmas novelas globais. “O fascínio pela maldade, pelo sofrimento e pela violência funciona para algumas pessoas como uma descarga de adrenalina e é isso que faz a bilheteria de filmes de ação ser lucrativa. Estes programas apenas contêm uma fração deste mesmo conteúdo”, diz a antropóloga Zilda.
Há, ainda, outro lado nesta questão. As novelas gostam da luta de classes, os pobres contra os ricos. “E os maus sempre são punidos no final. Proporciona um prazer aos que se identificam com os personagens humilhados. A novela é uma válvula de escape para quem quer ver a justiça sendo feita. Funciona como um alívio, um desfecho desejado”, diz a antropóloga.
Brincadeira de mau gosto
O poder didático da televisão é inegável. Capta recursos volumosos para ações sociais, faz ídolos e pode destruí-los. “As famílias devem filtrar o acesso de menores de idade a este tipo de programação até que tenham discernimento e maturidade para perceber que não é um modelo a ser seguido”, diz Zilda Knoploch.
Para o psicólogo Jacob Golberg, crueldade é educar crianças para servirem a padrões desumanos de comportamento. “Pesquisas já comprovaram que crianças negras, pobres, obesas têm complexo de inferioridade exatamente por serem vítimas desta cultura avacalhada, que, indiretamente, privilegia os modelos de dominação, rica, branca e arrogante. Este humor fascista não coincide com os direitos humanos de uma sociedade psicologicamente madura.”
A dupla Daniel Zukerman e André Machado, do Pânico na TV, enganou uma das agências de notícias mais respeitadas do mundo, a Reuters, ao se passar por assessores de Amy Winehouse no enterro da cantora. A repercussão na internet foi ruim. Fãs acharam que a invasão da cerimônia foi desrespeitosa. Duas semanas depois, o Pânico apresentava a façanha, que foi ao ar em um formato diferente das invasões habituais, quando exaltam a habilidade do humorista em driblar esquemas de segurança. Cenas de paparazzi metralhando seus flashes no rosto de Amy e uma demonstração de respeito às tradições judaicas foram exibidas, entremeadas por repetidas justificativas de que a matéria era uma homenagem à cantora.
“Está na cara que pegou mal. Foi uma atitude juvenil de querer entrar em uma festa que não foi convidado. O famoso bicão profissional. É engraçado desfilar na SPFW como se fosse modelo, sem ofender ninguém. Mas, dessa vez, acho que perderam a mão”, avalia Tony Góes, colunista e crítico de televisão do jornal Folha de S.Paulo. Para ele, há um limite para tudo. “Acho que os produtores tiveram mais retorno negativo do que positivo. Duvido que a família Winehouse não tenha tido conhecimento do fato. Ao mesmo tempo em que sofriam, passaram por essa brincadeira de mau gosto. E o pior: não teve graça. Eles deveriam ter arquivado as imagens”, diz Tony Góes, que escreveu sobre o assunto. O crítico do UOL Mauricio Stycer também comentou o programa em seu blog. Segundo ele, a invasão do funeral ganhou tratamento especial na edição, no esforço de diminuir o impacto negativo. A dúvida que ficou, então, é se parte da gravação ocorreu antes ou depois do funeral (com colaboração de Bárbara Stefanelli).
Observatório da imprensa

Aluno ameaça professora e escola fica sem aula no norte do Estado

Com medo professores e pais de aluno pedem mais segurança.


Os alunos da escola Municipal Lions 1, em Campos dos Goytacazes, no norte do Estado do Rio de Janeiro, estão sem aula desde segunda-feira (22). Os professores e pais de alunos pedem segurança para o local. Na segunda-feira os professores não deram aula e nesta terça-feira (23) os pais não levaram os filhos ao colégio.
A mobilização aconteceu depois que um adolescente de 14 anos invadiu uma sala de aula e ameaçou uma aluna. A professora interviu e ele disse que a mataria também. O incidente aconteceu na última sexta-feira (19). Na segunda-feira a professora não foi trabalhar.
A preocupação dos professores e pais de alunos é porque o menino tem um perfil agressivo dentro do colégio. O professor Josué Rodrigues contou que ele já tinha invadido outras salas.
- É um aluno inquieto, ele não para dentro de sala, ele não sabe o que quer.
A representante do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), Norma Dias, disse que os órgãos competentes têm que tomar medidas urgentes para evitar que  uma tragédia como a de Realengo, na zona norte do Rio, aconteça em Campos. Em 7 de abril o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira invadiu armado a escola Municipal Tasso da Silveira, matou 12 alunos e feriu outros 12.
- Para que não tenha em Campos uma repetição de Realengo!
A secretaria de educação em Campos informou que o adolescente já vem sendo acompanhado por assistentes sociais na cidade.
Assista ao vídeo no R7.com

Não subestime a imprensa golpista


Você pode estar com raiva de mim pelo que tenho escrito sobre o governo Dilma. Ou pode estar achando o máximo. Dirijo-me, pois, aos que não gostam de ver críticas a este governo, até por razões compreensíveis.
De qualquer forma, se você for leitor desta página há algum tempo sabe que lutei muito pelo governo Lula e para ajudar a eleger este governo. E não pense que desisti. Não desisti, não sou oposição, não quero sabotá-lo, mas estou vendo coisas e julgo que tenho o dever de dizer o que vejo.
Estou errado? Ok, posso estar. Sou só um ser humano, afinal. Mas se erro, é com boa intenção. E se estou errado, nada se perderá. Sou apenas uma voz no deserto. Ninguém atribuirá a mim problemas que surjam para este governo. Isto é só um blog.
Agora, e se eu estiver certo? Acompanhe a minha linha de raciocínio e me diga onde ela é falha. Em vez de se revoltar comigo, responda as minhas dúvidas e contraponha argumentos à minha linha de pensamento. E vamos pesar tudo de novo.
Então vejamos:
Começam a surgir na imprensa denúncias contra ministros do novo governo. Nada demais, apenas o que sempre ocorreu com Lula por oito anos e que era previsível que continuaria ocorrendo.
Sistematicamente essas notícias se sucedem. Dia após dia, mês após mês, até chegarmos à sexta parte dos 48 meses do governo Dilma Rousseff.
Após prestigiar a imprensa que tanto a insultou (poste, terrorista etc), Dilma começa a demitir ministros ou a deixar que sejam fritos. Expurga nomeados pelos partidos aliados. Corrobora o noticiário.
Ok. Em seguida, o sujeito pensa: mas, espere aí… Quem nomeou essa gente toda? Faxina? Mas quem mobiliou essa casa? Ah, diz a imprensa, mas é só o que Lula impôs a Dilma. É o lixo do Lula.
Do outro lado, dizem que a imprensa não tem credibilidade para acusar…
Não tem mesmo? Bem, quando os três Poderes da República – inclusive o Poder Executivo – vão prestigiar a festa de aniversário de um órgão de imprensa, penso que dão a ele boa dose de credibilidade. Ou não?
Prosseguindo: Dilma está combatendo a corrupção, dizem. Mas que corrupção ela está combatendo? Também a do governo de São Paulo, que mantêm engavetadas mais de uma centena de CPIs? Não. É a “corrupção do próprio PT”.
As pesquisas corroboram que parte crescente da população está entendendo assim. Estão todas aí. Já escrevi sobre elas neste blog, exaustivamente. Até a própria Dilma admitiu que caiu nas pesquisas e disse que iria “ver o que aconteceu”.
Ok, ok, você não quer se pautar por pesquisas. Compreendo… Vá lá, não creia. Mas não me diga que não há embasamento para a minha tese. Ela tem até amparo estatístico, enquanto que a teoria contrária à minha nem isso tem.
Detalhe: o instituto Sensus apurou que 62% julgam que a tal “faxina” é prejudicial à imagem de Dilma e de seu governo.
O fato é que Dilma poderia fazer a tal faxina, mas teria que ir deixando muito claro em que contexto isso está sendo feito – por que aquelas pessoas foram nomeadas e ela aceitou, e que critérios há para deixar aliados indicarem pessoas para lidar com dinheiro público, por exemplo.
Enfim, as pessoas não são trouxas. Querem explicações. A tal faxina que Dilma promoveria é naquilo que ela mesma construiu.
E tem explicação. Há que explicar como é a administração pública. Há que explicar que não é lixo nenhum herdado do Lula. Tem que explicar, sim, porque é grave. Esse governo foi montado por Dilma Rousseff e ela pode explicar. Pelo menos é o que ainda penso.
Não subestime a estratégia da imprensa golpista. É só isso o que peço. Pode não acreditar em mim, afinal sou apenas um comerciante que inventou de ser blogueiro. Não sou um politólogo, confesso. Mas já andei acertando, uma ou outra vez.
É disso que tenho medo. Quando me vejo convencido como estou, fico preocupado. Não pode me culpar por isso…
Blog da Cidadania

Rumo às estrelas

Darpa vai financiar estudos sobre viagens interestelares.

Alfa Centauri ou além. A agência governamental americana que ajudou a inventar a internet agora quer fazer o mesmo para viagens interestelares. No que talvez seja a mais ousada oportunidade no setor de incubadoras de empresas, a Agência de Pesquisas de Projetos Avançados de Defesa dos EUA (Darpa) planeja dar a uma sortuda e apaixonada organização US$ 500 mil em financiamento para que comece os estudos sobre o que seria necessário do ponto de vista organizacional, técnico, sociológico e ético para enviar humanos a outras estrelas, um desafio de tal de magnitude que apenas esses estudos poderiam levar cem anos.
A concessão dos fundos, prevista para 11 de novembro (11/11/11), será o ponto alto de um esforço conjunto da Darpa e da Nasa batizado "Estudo da nave de 100 anos", que teve início no fim do ano e incluirá um simpósio público de três dias em Orlando, Flórida, em 30 setembro, para debater as razões para e os meios de empreender uma viagem interestelar. A agenda vai além de tecnologia de foguetes e inclui tópicos como considerações legais, sociais e econômicas de viagens do tipo, preocupações religiosas e filosóficas, para onde ir e - talvez o mais importante - como inspirar o público para apoiar este sonho tão caro.
O plano da Darpa gerou agitação e perplexidade nos laboratórios, bares, restaurantes e sites que cercam os centros de pesquisa da Nasa tanto fisicamente quanto virtualmente, onde o sonho das viagens espaciais nunca morreu e onde alguns grupos de cientistas e engenheiros teimosos, alimentados por histórias de ficção científica e profecias, desenham naves que poderiam cruzar o espaço interestelar, incubando a tecnologia e a preservando para o dia em que será usada.
- Se você quer ter um hobby, por que ele não pode ser o desenho de naves interestelares? - diz Andreas Tziolas, professor da Universidade do Alaska e diretor do Projeto Icarus, um esforço voluntário mundial para desenhar uma nave que poderia levar uma sonda científica até uma estrela próxima - talvez Alfa Centauri, a 4,4 anos-luz daqui - em uma viagem que levaria menos de 100 anos.
- Isso é o que fazemos - complementa Louis Friedman, ex-diretor executivo da Planetary Society, na Califórnia, que se auto-intitula a maior organização espacial pública do mundo.
Muitos cientistas se perguntam se a vida, especialmente vida inteligente, existe fora da Terra. Um dia, prometem os sonhos interestelares, a vida lá fora seremos nós. Pessoas como Tziolas dizem que a tecnologia já existe ou existirá em breve para mandar instrumentos e talvez até pessoas para estrelas próximas, embora o voo tripulado possa custar centenas de trilhões de dólares. O meio milhão que a Darpa vai dar não é suficiente para construir uma nave estelar ou mesmo comprar um escritório modesto onde imaginar uma - mas é suficiente para dar início a um levantamento de recursos e, talvez, atrair críticas de como os gastos governamentais são ridículos.
Um voo interestelar tripulado está a pelo menos um par de séculos de distância e, com exceção da invenção de motores warp no estilo "Jornada nas estrelas", pode demorar outros séculos para ser completado. Quem quer que embarque nesta jornada certamente não vai voltar.
Mas há muitas razões para que os humanos eventualmente clamem pela vontade política de realizar a viagem, dizem os cientistas, se não pela natureza inquieta que nos tirou das cavernas e nos fez cruzar os oceanos, então para escapar de sermos dizimados pelo aparecimento de um asteroide assassino ou porque o Sol fez ferver os oceanos, o que ele fará em um par de bilhão de anos.
Outro atrativo poderia ser a descoberta de um planeta habitável em outro lugar, algo que poderia acontecer nos próximos anos por meio dos esforços do observatório espacial Kepler, da Nasa, e outros projetos astronômicos do tipo, considera Jill Tarter, astrônoma o Instituto SETI que dedicou sua vida à busca por extraterrestres.
- Isso se tornará uma realidade quando tivermos um análogo da Terra como destino - diz ela.
David Neyland, diretor de tecnologias táticas da Darpa, está enfrentando problemas para explicar que o objetivo do projeto não é construir uma nave interestelar, mas apenas um plano de negócios para desenhar uma. A busca, explica, é por uma organização, presumivelmente privada, que possa desenvolver uma visão interestelar sem o auxílio do governo, carregando o fardo pelos próximos cem anos e desenvolvendo valiosas alternativas tecnológicas da mesma maneira que o investimento em protocolos de dados permitiu o surgimento da internet. O cronograma foi inspirado por Júlio Verne, cuja novela "Da Terra à Lua" foi publicada em 1865, 104 anos antes da viagem virar realidade). Depois de novembro, qualquer que seja essa organização ela estará por conta própria.
- Não pretendemos levar à frente o projeto - acrescentou Neyland. - A Darpa vai entregar as chaves para esta entidade e lhes desejar boa sorte.
A viagem interestelar é um desafio enorme. A Voyager 1, artefato mais veloz já construído pela Humanidade, agora viajando a uma velocidade de mais de 60 mil quilômetros por hora em relação ao Sol, levaria mais de 70 mil anos para chegar a Alfa Centauri se estivesse indo na sua direção.
No fim dos anos 50 e início dos 60, um grupo de físicos liderado por Theodore Taylor, da General Atomics, e Freeman Dyson, do Instituto de Estudos Avançados, propuseram impulsionar a nave com as ondas de choque de bombas atômicas atiradas uma atrás da outra em sua traseira a cada três segundos. Tal nave, calcularam, atingiria Júpiter em um ano, mas levaria centenas de anos para chegar a Alfa Centauri.
A Sociedade Interplanetária Britânica usou um forma mais benigna desta ideia de propulsão no seu estudo de uma nava interestelar, o Projeto Dedalus, nos anos 70. A nave deles seria alimentada por pequenas explosões termonucleares provocadas pela compressão de núcleos de deutério e hélio 3 com raios laser. Ela levaria uma sonda científica de 500 toneladas até a Estrela de Barnard, a 5,9 anos-luz, em cerca de 50 anos, alcançando uma velocidade máxima de 12% da velocidade da luz no caminho.
- Este foi o primeiro estudo que provou que é possível viajar para outra estrela com os conhecimentos que temos hoje - diz Tziolas.
Em anos mais recentes, outras colaborações virtuais entraram na festa. A Fundação Tau Zero, baseada em Cleveland, foi fundada por Marc G. Millis, que dirigiu pesquisas sobre produção no Centro de Pesquisas Glenn, da Nasa, para encorajar o trabalho em "um voo interestelar prático". No ano passado, Millis calculou que levaria pelo menos 200 anos para que a sociedade tenha os recursos energéticos de forma a mandar 500 pessoas para fora do Sistema Solar.
Uma variedade de sistemas de propulsão tem seus fãs e podem prevalecer no longo período entre hoje e o dia do lançamento, um problema que Millis classifica como "obsolescência incessante". Entre elas estão gigantescas velas empurradas pelo luz solar ou poderosos feixes de micro-ondas e motores a íons que usam feixes de partículas energizadas para realizar a propulsão.
Já sondas científicas poderiam partir antes e de forma mais barata, destacou Dyson recentemente, acrescentando que em breve toda informação genética necessária para reconstruir a biosfera da Terra poderia ser acondicionada em algo do tamanho de um ovo. Dispersados rumo a diferentes planetas, estes "ovos" poderiam criar lares longe do lar que estejam a nossa espera.
- A nova tecnologia será biológica e tornará todo o resto obsoleto - avalia.
Em janeiro, Neyland e Pete Worden, diretor do Laboratório de Pesquisas Ames, da Nasa, convidaram cerca de 30 cientistas, empreendedores e escritores de ficção científica para uma sessão de criatividade no Norte da Califórnia. Neyland descreveu o primeiro encontro como uma tentativa de superar "o fator riso" associado ao assunto. Os participantes incluíram cientistas como J. Craig Venter, o primeiro a sequenciar o genoma humano, e escritores como Joe Haldeman, autor da premiada novela"The Forever War". Um dos participantes disse que "algumas pessoas estavam do outro lado da realidade".
Novamente, ninguém é esperto o bastante para saber o que resultará do esforço em torno do projeto de uma nave interestelar, destacou Neyland. Seria ingenuidade pensar que sabemos as perguntas certas a serem feitas, disse:
- Se você pedisse para Einstein e Marconi em 1910 que definissem um sistema de comunicação global para pessoas comuns, teriam eles dado como resposta com o iPhone?
O chamado para o encontro em Orlando atraiu centenas de respostas, que estão sendo selecionadas para decidir quem vai discursar. Tarter, a astrônoma do SETI, coordenará os debates sobre para onde ir. Ela recebeu 50 a 60 propostas, que classificou como "um saco de gatos", algumas com cara de relatos sobre discos voadores.
- Talvez tenhamos que ser um pouco loucos para pensar nisso seriamente - diz. - Todos lemos ficção científica o bastante para sermos fundamentalmente otimistas sobre os possíveis resultados.
Kelvin Long, estudante de Física da Universidade Warwick e integrante do Projeto Icarus, diz que já pensou na planta, organização e até no jardim japonês no quintal da pirâmide do Instituto Interstelar, onde as pesquisas em torno da viagem seriam eventualmente realizadas.
- Muitos de nós somos bem jovens. Crescemos ouvindo falar do Programa Apollo - conta. - Queremos fazer parte de uma jornada significativa. Pensamos em maneiras de fazer algo importante, que é levar os humanos para as estrelas.
Long cita Arthur C. Clarke, falecido escritor sobre fatos e ficções científicas que inventou a ideia de satélites de telecomunicação e ajudou a Sociedade Interplanetária Britânica: "Se você acredita que algo é possível, você pode fazer isso acontecer".
O Globo

Reserva marinha mexicana quintuplica número de peixes em 10 anos

Uma reserva marinha na costa oeste do México conseguiu quase quintuplicar seu número de peixes em dez anos, segundo um estudo envolvendo várias instituições sob coordenação do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia, San Diego. O projeto de recuperação na área do Parque Nacional Cabo Pulmo, no Estado da Baja Califórnia, foi fruto do entusiasmo e dedicação da população local que, incomodada pela devastação do ecossistema, estabeleceu o parque em 1995 e desde então se dedica a protegê-lo.
"As mudanças mais importantes que observamos é que o número de espécies no parque quase duplicou, e o número de indivíduos e seu tamanho, que em conjunto são os quilos de peixes, aumentaram mais de 460%", disse à BBC o biólogo marinho Octavio Aburto-Oropeza, do Instituto Scripps.
"Em apenas uma década, o parque ganhou cerca de 3,5 toneladas por hectare", afirmou.
Segundo o pesquisador, a população da região de Cabo Pulmo decidiu interromper a atividade pesqueira em 1995, e desde então virou o seu "guardião".
"Pediram ao governo que declarasse a área como Parque Nacional, e eles mesmos se dedicam a vigiá-lo, cuidar dele em muitos aspectos, principalmente na redução da contaminação e da proteção de espécies em perigo, como as tartarugas marinhas", disse.
Experiência inspiradora
Cabo Pulmo tem 71 km quadrados e é quase 70 vezes maior que a maioria das reservas estudadas até hoje.
Entre as espécies mais comuns na área estão a garopa do golfo ("Mycteroperca jordani"), garopa sardineira ("Mycteroperca rosacea"), pargo cinza ("Lutjanus novemfasciatus"), pargo amarelo ("Lutjanus argentiventris") e cavalinha ("Seriola lalandi").
Para os autores do estudo, publicado no site de artigos científicos "PLoS One (Public Library of Sciences) ", a experiência da reserva é "comovente".
"É surpreendente que as comunidades de peixes em um recife superexplorado possam se recuperar até chegar a níveis comparáveis com os de recifes remotos, lugares prístinos onde nunca ocorreu a pesca humana", avaliou Aburto-Oropeza.
Para o especialista mexicano, o projeto mexicano ensina que o sucesso de projetos de proteção de áreas marinhas começa com a participação e a liderança das comunidades locais.
Aburto-Oropeza diz que a criação de áreas marinhas ao largo da costa mexicana, ou em qualquer região costeira do mundo, pode "elevar significativamente a produtividade dos oceanos, o que pode gerar benefícios econômicos para as comunidades costeiras".
Por último, avalia, é importante divulgar a experiência de Cabo Pulmo para interessados em outras partes do mundo.
"Poucos legisladores no mundo estão conscientes de que o tamanho e a abundância dos peixes pode aumentar extraordinariamente em muito pouco tempo, a partir do momento em que se estabelece a proteção ambiental e se cria uma reserva marinha", defende.
"Divulgar o que ocorreu em Cabo Pulmo contribuirá para os esforços de conservação dos ecossistemas marinhos e a recuperação das economias costeiras."
Estadão

Sepe discute reposição de aulas na Seeduc


Hoje (segunda-feira, dia 22), diretores do Sepe foram recebidos em audiência pelo subsecretário Antonio Neto na sede da Seeduc. Três pontos foram discutidos na reunião: reposição das aulas; suspensão da GLP de alguns grevistas; e denúncia relativa à Coordenadoria de Belford Roxo.

Reposição: o subsecretário reafirmou ao Sepe a posição da Seeduc de que não perseguirá os profissionais grevistas; e o mais importante: deixou claro que as escolas têm autonomia para organizar o próprio calendário de reposição, de acordo com cada realidade, e com a participação da comunidade escolar. A direção do Sepe solicitou que essas orientações sejam formalizadas junto às coordenadorias e unidades escolares.

A diretoria do sindicato também reafirmou o compromisso da categoria com a reposição das aulas, mas que esta deve ser feita, prioritariamente, por conteúdo e que o eventual calendário letivo de aulas e dias letivos extras sejam acordados, primeiramente, pelos professores com seus alunos e depois comunicado às direções das escolas - atendendo, dessa forma, a preocupação pedagógica com o aprendizado. Ou seja, uma reposição que atenda o aprendizado e não prejudique os educadores.

Suspensão de GLPs: o subsecretário disse que nenhum grevista perderá sua GLP. A não ser na situação de um concursado ser convocado. Qualquer retaliação a um grevista deverá ser encaminhada para a Subsecretaria de Movimentação Pessoal.

Denúncia sobre Belford Roxo: a direção do Sepe formalizou ainda a denúncia (feita na assembleia da rede em São João de Meriti) relativa aos desmandos e autoritarismo da coordenadoria de Belford Roxo.
Sepe 

SEEDUC-RJ quer se aproveitar da greve para reduzir gastos e cortar turmas da EJA

Os diretores das escolas que atendem o público da EJA estão recebendo determinação da SEEDUC para não receberem novas matrículas para o 2º semestre, caso a reposição das aulas referente ao período da greve não seja feita até o dia 26/08. Essa é mais uma manobra do governo para reduzir os gastos com educação, pois com essa medida o quantitativo de turmas irá ser reduzido, e consequentemente os gastos também. Nomear um economista como secretário de educação só poderia mesmo dar nisso. Economistas só pensam em lucro e corte de despesas, estão familiarizados apenas com questões financeiras desprezando o valor humano.
Essa atitude pretende também a desmobilização a categoria para futuros movimentos de greve, pois o discurso dos diretores é que os professores terão que trabalhar em mais escolas para completar suas cargas horárias, associando essa problemática à greve.
Temos que nos mobilizar para nos opormos a mais esse absurdo do governo Sérgio Cabral.
http://profandreedanielle.blogspot.com/ 

Ideb na porta da escola é inconstitucional


Professora e representantes do Direito da Criança e do Adolescente dizem que medida expõe a constrangimento e vexame

O projeto que obriga as escolas a colocar na porta da unidade a nota que obtiveram no Índice da Educação Básica (Ideb) expõe os alunos a constrangimento e vexame vetados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Constituição Federal. A conclusão é de especialistas na área ouvidos pelo iG.

A proposta em estudo pelo Congresso Nacional já está valendo por decreto na cidade do Rio de Janeiro desde o início do mês e no Estado de Goiás há uma semana. A ideia, do economista Gustavo Ioschpe, é que a exposição do índice mobilize a comunidade em volta das instituições com nota baixa para que pressionem professores e governantes.
Para isso, o Ideb – que é o resultado da nota obtida pelos alunos na Prova Brasil multiplicado pelo porcentual de estudantes aprovados – deve ser colocado em uma placa que iria do vermelho para o azul, deixando o mais claro possível se a escola foi bem ou mal na avaliação. Quando o Rio de Janeiro adotou a medida, estudantes ouvidos pela reportagem disseram concordar desde que a escola tivesse a nota boa e que sentiriam vergonha se estudassem em uma instituição mal avaliada.
Para a titular da cadeira de Direito da Criança e do Adolescente na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, Glória Regina Lima, “não resta dúvida da inconstitucionalidade” da medida. “A Carta cidadã em seu artigo 227 estabelece, dentre outros, o dever do Estado de assegurar a educação à criança e ao adolescente e ainda determina salvaguardá-los de toda forma de discriminação”, explica ela.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, criado em 1990 e amplamente elogiado pela Unesco é mais específico. O artigo 18 impõe como “dever de todos” impedir qualquer tratamento “vexatório ou constrangedor”. “O famigerado decreto municipal está na contramão dos imperativos legais que priorizam com a mais absoluta clareza a preponderância dos interesses dos menores sobre qualquer outro”, conclui a professora.
Para Glória, não é problema o uso da nota internamente entre professores, alunos e comunidade, mas a exposição para pessoas não envolvidas diretamente e a atribuição dela às crianças que, ao entrar e sair do local, estarão sendo expostas. “A ideia promove a discriminação pelo contágio moral, que alcança induvidosamente a criança e o adolescente e os profissionais que integram a escola, ferindo de morte um dos direitos fundamentais o da dignidade de pessoa humana”, acrescenta, referindo-se ao artigo 5º da Carta Magna.
O vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, Ariel de Castro Alves, acha que o próprio objetivo da lei desrespeita o ECA. “A intenção de mobilizar pelo constrangimento já está errada, o objetivo parece ser a exposição que fatalmente vai levar ao vexame e ao preconceito”, diz.
Na opinião dele, as normas em vigor no Rio e em Goiás não têm validade por contrariar legislações maiores como o ECA e a própria constituição. “Na Câmara dos Deputados e no Senado a proposta deve ser avaliada por uma comissão de justiça que deve perceber a contradição”, analisa.
O especialista em Direitos Humanos pela Universidade Complutense de Madrid e membro da Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, Carlos Nicodemos, acha que trata-se de “obrigar a sociedade a executar um processo discriminatório”. Para ele, o Ideb está disponível para interessados e não é necessário expor em local de passagem dos alunos. “Além de ferir o ECA, o Estado está delegando a comunidade um papel que é dele, de dar educação de qualidade para as crianças."
Ele também critica a falta de alternativa aos estudantes. "Se eles se sentirem constrangidos, deveriam poder escolher onde estudar. Infelizmente não é esta a realidade ofertada."


Resposta dos governos

Questionadas, as secretaria de Educação do município do Rio de Janeiro e do Estado de Goiás não responderam sobre a questão jurídica, mas defenderam a posição.
A pasta do Rio enviou a seguinte nota: "A decisão de divulgar o Ideb e o IDE-Rio e as metas de melhoria do ensino a serem alcançadas pelas escolas, de acordo com orientação do Ministério de Educação, tem como objetivo informar a sociedade como está o desempenho educacional de cada escola e, assim, engajar a comunidade escolar no processo de melhoria da qualidade do ensino. A Secretaria informa, ainda, que a ideia foi inspirada, também, pela iniciativa da direção do Ciep Lindolfo Collor, em Rio das Pedras, Jacarepaguá, de afixar nas paredes da unidade as metas a serem alcançadas em 2010, conseguindo, assim, envolver toda a escola na melhoria do ensino. Como resultado, ressalta a SME, a escola conseguiu atingir a meta, garantindo aos professores e funcionários o Prêmio Anual de Desempenho."
A Secretaria Estadual de Educação de Goiás informou que trata-se de uma medida que visa "despertar na sociedade, sobretudo nos pais e responsáveis pelos estudantes, o interesse pela educação pública e mostrar a necessidade de que todos, de uma forma ou de outra, se engajem para que educação de qualidade seja acessível a todos".
A nota segue: "A Secretaria da Educação avalia que a nota do Ideb afixada na escola vai dar às famílias o direito de conhecer a qualidade do ensino que seu filho está recebendo. Também despertará nelas o interesse sobre o que representa aquela nota e o que fazer para que ela aumente. E então já teremos aí um dos fatores apontados por estudos nacionais e internacionais como um dos mais importantes no desenvolvimento escolar do estudante: o envolvimento de sua família, o acompanhamento de seus pais, o estímulo e a atenção daqueles que são os precursores daquilo que a escola deve oferecer mais adiante, uma boa formação. A Secretaria da Educação naturalmente não deixaria de lado a mobilização social como uma das ferramentas para apoiar o trabalho de elevar a qualidade da Educação no Estado. Com o acompanhamento de todos, inclusive dos professores, que certamente lutarão para que seu trabalho na escola atinja os melhores resultados, e com as ações que desde o começo deste ano estão sendo implementadas por este governo, muito em breve as placas com a nota do Ideb serão motivo de orgulho para todas as escolas estaduais e para toda a comunidade escolar."
iG.com.br

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

GOVERNO TUCANO: 60% das escolas de SP têm sala lotada

Levantamento considera turmas na rede estadual com mais alunos que o recomendado pelo próprio governo. Estudantes dizem que são obrigados a estudar em classes apertadas; governo diz que faltam terrenos para construir
 
FÁBIO TAKAHASHI - DE SÃO PAULO
   Mais de 60% das escolas estaduais paulistas de ensino básico possuem ao menos uma série com mais estudantes em sala que o recomendado pelo próprio governo de SP. Em 64% delas, há problemas em mais de uma turma.
Estudantes reclamam que são obrigados a ficar apertados, a "caçar" carteiras em outras salas e até a dividir assentos com colegas, pois chegam a faltar carteiras. O levantamento de escolas com salas superlotadas foi feito pela Folha, com base em dados do Ministério da Educação (Censo Escolar 2010). A Secretaria Estadual da Educação reconhece o problema e informa que hoje 890 mil estudantes estão em salas com mais alunos que o indicado (22% do total).
A reportagem encontrou turmas com mais de dez alunos acima do recomendado. É o caso do primeiro ano do ensino médio da escola Maria Luiza Martins Roque, na periferia sul da capital.
Ali, Carla (nome fictício), 15, possui outros 51 colegas. "É um desastre. Fica aquele abafamento, muito barulho. Algumas vezes, os alunos precisam dividir carteiras" -a secretaria nega que falte mobiliário na sua rede. De 2009 a 2011, houve pequeno aumento no número de estudantes de ensino médio em classes lotadas, mas redução no fundamental. Desde 2008, a recomendação da Secretaria da Educação é que, do primeiro ao quinto ano do fundamental, as salas tenham até 30 alunos; do sexto ao nono ano, 35; e no médio, 40.
META NÃO CUMPRIDA
A situação é mais crítica nos cinco primeiros anos do fundamental, no qual 30% das turmas estão superlotadas. Nessa etapa, SP é a terceira rede estadual com a maior média de alunos por turma do país. Na rede municipal paulistana, a proporção de escolas com mais alunos que o recomendado é 50% menor do que na estadual.
O problema foi agravado porque o Estado não cumpriu as metas de construção de salas: entre 2008 e 2010 estavam previstas 3.447, mas 903 foram entregues, segundo levantamento da liderança do PT na Assembleia. A gestão Alckmin (PSDB) diz esbarrar na falta de terrenos para construir escolas. Pesquisas divergem sobre o impacto do tamanho das turmas no desempenho dos alunos. Alguns apontam efeito nulo. Outros defendem a redução das turmas.
Uma posição com adeptos nos dois lados é que classes menores podem ajudar públicos específicos, como alunos carentes. "E infelizmente são essas escolas que são grandes", disse o pesquisador da Universidade Federal de Minas Francisco Soares.
Docente da Faculdade de Educação da USP, Romualdo Portela defende que o governo deva evitar só "exageros" no tamanho das turmas e investir mais em programas em que haja mais certeza de ganhos educacionais
Colaborou NATÁLIA CANCIAN

Intolerância religiosa afeta autoestima de alunos e dificulta aprendizagem

Fernando* estava na aula de artes e tinha acabado de terminar uma maquete sobre as pirâmides do Egito. Conversava com os amigos quando foi expulso da sala aos gritos de “demônio” e “filho do capeta”. Não tinha desrespeitado a professora nem deixado de fazer alguma tarefa. Seu pecado foi usar colares de contas por debaixo do uniforme, símbolos da sua religião, o candomblé. O fato de o menino, com então 13 anos, manifestar-se abertamente sobre sua crença provocou a ira de uma professora de português que era evangélica. Depois do episódio, ela proibiu Fernando de assistir às suas aulas e orientou outros alunos para que não falassem mais com o colega. O menino, aos poucos, perdeu a vontade de ir à escola. Naquele ano, ele foi reprovado e teve que mudar de colégio.
Quem conta a história é a mãe de Fernando, Andrea Ramito, que trabalha como caixa em uma loja. Segundo ela, o episódio modificou a personalidade do filho e deixou marcas também na trajetória escolar. “A autoestima ficou muito baixa, ele fez tratamento com psicólogo e queria se matar. Foi lastimável ver um filho sendo agredido verbalmente, fisicamente, sem você poder fazer nada. Mas o maior prejudicado foi ele que ficou muito revoltado e é assim até hoje”, diz.
Antes de levar o caso à Justiça, Andréa tentou resolver a situação ainda na escola, mas, segundo ela, a direção foi omissa em relação ao comportamento da professora. A mãe, então, decidiu procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência contra a docente. O caso aguarda julgamento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Se for condenada, o mais provável é que a professora tenha a pena revertida em prestação de serviços à comunidade.
Já a Fundação de  Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec), responsável pela unidade, abriu uma sindicância administrativa para avaliar o ocorrido, mas a investigação ainda não foi concluída. Por essa razão, a professora – que é servidora pública – ainda faz parte do quadro da instituição, “respeitando o amplo direito de defesa das partes envolvidas e o Estatuto dos Funcionários Públicos do Estado do Rio de Janeiro”, segundo nota enviada pelo órgão. A assessoria não informou, entretanto, se ela está trabalhando em sala de aula.
A história do estudante Fernando, atualmente com 16 anos, não é um fato isolado. A pesquisadora Denise Carrera conheceu casos parecidos de intolerância religiosa em escolas de pelo menos três estados – Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. A investigação será incluída em um relatório sobre educação e racismo no Brasil, ainda em fase de finalização.
“O que a gente observou é que a intolerância religiosa no Brasil se manifesta principalmente contra as pessoas vinculadas às religiões de matriz africana. Dessa forma, a gente entende que o problema está muito ligado ao desafio do enfrentamento do racismo, já que essas religiões historicamente foram demonizadas”, explica Denise, ligada à Plataforma de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca Brasil), que reúne movimentos e organizações da sociedade civil.
Denise e sua equipe visitaram escolas de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Ouviram de famílias, professores e entidades religiosas casos que vão desde humilhação até violência física contra alunos de determinadas religiões. E, muitas vezes, o agressor era um educador ou membro da equipe escolar.
“A gente observa um crescimento do número de professores ligados a determinadas denominações neopentecostais que compreendem que o seu fazer profissional deve ser um desdobramento do seu vínculo religioso. Ou seja, ele pensa o fazer profissional como parte da doutrinação, nessa perspectiva do proselitismo”, aponta a pesquisadora.
Alunos que são discriminados dentro da escola, por motivos religiosos, culturais ou sociais, têm o processo de aprendizagem comprometido. “Afeta a construção da autoestima positiva no ambiente escolar e isso mina o processo de aprendizagem porque ele se alimenta da afetividade, da capacidade de se reconhecer como alguém respeitado em um grupo. E, na medida em que você recebe tantos sinais de que sua crença religiosa é negativa e só faz o mal, essa autoafirmação fica muito difícil”, acredita Denise.
Para ela, a religião está presente na escola não só na disciplina de ensino religioso. “Há aqueles colégios em que se reza o Pai-Nosso na entrada, que param para fazer determinados rituais, cantar músicas religiosas. Criticamos isso no nosso relatório porque entendemos que a escola deve se constituir como um espaço laico que respeite a liberdade religiosa, mas não que propague um determinado credo ou constranja aqueles que não têm vínculo religioso algum”, diz.

*o nome foi alterado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Amanda Cieglinski  Agência Brasil

Livros didáticos custaram R$ 1,1 bilhão

Livros didáticos que serão distribuídos às escolas públicas em 2012 custaram R$ 1,1 bilhão

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) encerrou a negociação da compra de 162,4 milhões de livros que serão distribuídas às escolas da rede pública no ano que vem. O custo total da aquisição foi R$ 1,1 bilhão – a maior compra de livros já feita pelo órgão, que é uma autarquia do Ministério da Educação (MEC). As redes de ensino começam a receber as obras em outubro. A entrega vai até fevereiro de 2012.
Para o próximo ano, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) adquiriu livros para todas as disciplinas do ensino médio, além de 70 milhões de exemplares de reposição para o ensino fundamental. É o primeiro ano em que os alunos do ensino médio vão receber livros de espanhol, inglês, filosofia e sociologia. Cada obra deve ser usada durante três anos consecutivos. Ao todo, foram adquiridos 2.108 títulos diferentes.
Vinte e quatro editoras tiveram obras selecionadas. O material é apresentado a comissões de especialistas das universidades federais que selecionam as obras a partir de critérios estabelecidos pelo programa, como, por exemplo, a coerência com o currículo escolar. Em seguida, as escolas recebem um guia do livro didático com os títulos disponíveis e escolhem as obras que querem receber. A partir desse levantamento é que os títulos são adquiridos.
O valor de cada exemplar adquirido para 2012 variou entre R$ 5,45 e R$ 28,94. O preço varia de acordo com o número de páginas da obra e a quantidade de exemplares encomendados. A Editora Ática será a maior fornecedora do PNLD 2012, com 33 mil exemplares, ao custo de R$ 194 milhões. Em seguida, aparecem as editoras Saraiva, que receberá R$ 205 milhões por 30,8 mil exemplares, e Moderna, com 30,6 mil publicações ao custo de R$ 220 milhões. As menores fornecedoras são as editoras Fapi e Aymará, com 5 mil e 1,4 mil exemplares, respectivamente.
“Mesmo no caso do livro com preço mais alto, ainda é menor do que aquele que o consumidor compra na livraria. É o ganho de escala que o FNDE tem. Além de ser uma compra direta com a logística otimizada, o livro chega à escola sem nenhum intermediário. Não há custo com vendedor ou outros custos que estão envolvidos no mercado livreiro quando a obra vai para o consumidor comum”, diz Rafael Torino, diretor de Ações Educacionais do FNDE.
Para receber as obras, é necessária a adesão das escolas ao Programa Nacional do Livro Didático – até 2009, a entrega dos livros era feita a todas as redes de ensino, ainda que não houvesse solicitação formal. Atualmente, todos os estados e 97% dos municípios estão inscritos no programa.
Amanda Cieglinski  Agência Brasil

Aluna do Ciep 262 é Bronze no Judô


A aluna Roberta Cristina do CIEP 262 Curvelina Dias Curvello em São Pedro da Aldeia conquistou a medalha de bronze nas Olimpíadas Escolares 2011 no Judô,  competição que aconteceu no sábado dia 20/08 no CT da CBJ na Vila Militar no Rio de Janeiro.
O CIEP 262 é a única escola de São Pedro da Aldeia que participa da competição.
Este ano foram 208 inscritos na competição.


Professora Palmira Gamallo (enviado por e-mail)

Comentário: Meus parabéns a nossa aluna Roberta e a Professora Palmira. Essa não é só uma conquista pessoal da aluna, mas de toda a comunidade do Porto do Carro onde se localiza o Ciep.

domingo, 21 de agosto de 2011

Indústria Homeopática ameaça Blogueiro


A maior fabricante de produtos homeopáticos no mundo, presente em 59 países e com vendas anuais superiores a meio bilhão de dólares, exigiu que o italiano Samuele Riva removesse “em 24h” dois textos em que ousou ilustrar um produto da indústria com as legendas de que ele “não contém uma única molécula de substância ativa” e assim “ataca gravamente a inteligência (do consumidor)“.
De acordo com o British Medical Journal, a empresa também ameaçou o provedor que hospeda o blog de Riva, exigindo igualmente que bloqueasse acesso aos artigos.
O caso ilustra como a homeopatia não é a alternativa desinteressada em lucros que seus apologistas costumam vender.
Pode sim ser uma indústria pequena comparada com as gigantes do setor farmacêutico, mas então, é também um nicho diferente: investe vinte vezes mais em marketing do que em pesquisa. Afinal, os princípios homeopáticos são dogmas estabelecidos há séculos e que permanecem sem comprovação científica até hoje.

Alguns podem considerar que o caso demonstre apenas que “essa indústria não pratica homeopatia de verdade“, assim como horóscopos de jornal “não são astrologia de verdade“, recorrendo a uma falácia. No Brasil, quando anunciamos nossa participação no protesto mundial ingerindo uma “overdose” homeopática, a presidente da Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas divulgou nota sugerindo que o ato de livre manifestação podia ser um “crime” a ser  ”impedido pelas autoridades“.
Negócios, negócios, ciência à parte.
[Acompanhe o desenrolar da história no blog de Riva e em Esowatch]