terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Criada vacina contra a doença do carrapato



Uma descoberta acidental pode salvar a vida de cães em todo o mundo. Durante testes para o estudo de bactérias em animais, pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém conseguiram desenvolver uma vacina contra a erliquiose monocíclica canina, a chamada “doença do carrapato”, uma das enfermidades mais comuns, contagiosas, dolorosas e fatais para cachorros. 

A doença leva cães a sofrerem com coceiras, febre, falta de apetite, sangramento pelo nariz e fraqueza, além de causar morte em casos mais graves. Ela também afeta raposas, lobos e outros canídeos, além de gatos e até mesmo humanos, mesmo que com mais raridade.
A novidade foi revelada quando uma equipe da Escola de Veterinária Koret, em Rehovot (Sul de Israel), ligada à Universidade Hebraica, desenvolvia projetos a partir de bactérias relacionadas a cães. Em certo momento, os pesquisadores perceberam que uma das bactérias, a Ehrlichia canis, que causa a erliquiose monocíclica canina, estava reagindo de forma estranha.

— Estávamos lidando com outra pesquisa quando notamos que a bateria que estávamos usando experimentava mudanças, estava enfraquecendo. Esse foi o momento em que eu e meu colega, o professor Gad Baneth, decidimos checar se essa tendência poderia ser usada como vacina — conta Shimon Harrus, da Escola de Veterinária Koret. — A pesquisa provou que estávamos certos.

A vacina se mostrou efetiva num estudo experimental cujos resultados foram publicados na edição de dezembro da “Vaccine”. Ela foi desenvolvida a partir de um tipo de vírus atenuado da Ehrlichia canis. Doze cães foram divididos em três grupos. Quatro foram vacinados duas vezes com o vírus atenuado, quatro foram inoculados apenas uma vez e os outros quatro serviram de grupo de controle. Os cachorros vacinados não mostraram nenhum sinal da doença depois de serem inoculados e nem sofreram com efeitos colaterais. Depois, todos os cães foram posteriormente infectados com o tipo mais grave do vírus. O grupo de controle desenvolveu a doença de maneira severa. Quanto aos oito cães vacinados, só três apresentaram uma febre baixa. Os outros cinco animais permaneceram saudáveis.

Até hoje, a única forma de evitar que cachorros contraíssem a doença era mantê-los distantes de carrapatos, tratá-los com carrapaticida ou limpá-los constantemente — o que é muito difícil, já que cada carrapato coloca nada menos do que quatro mil ovos.

Extra

Despertar do pesadelo da educação

Filme argentino incentiva debate sobre novas formas educativas, diferentes da atual produção industrial
Pode ser que a ordem mundial esteja mudando, que o combustível das crises do norte faça funcionar os motores do sul, que os Estados Unidos passem a segundo plano e que o mundo árabe se transforme na Europa do futuro. Porém, por enquanto, dormimos e acordamos com velhos esquemas. A Educação, por exemplo, é a mesma desde o século XVII, quando o chamado despotismo ilustrado criou a educação pública, gratuita e obrigatória, que evoluiu nos séculos seguintes para o modelo de escola prussiano, adotado até hoje.

A informação está no documentário argentino A educação proibida, um filme viral que circula livremente pela internet desde sua estreia, em agosto deste ano. O longa, pensado para ser um fenômeno da web, mas que ultrapassou e muito as metas de seus idealizadores, já foi visto mais de cinco milhões de vezes no You Tube e baixado outras cinco milhões. Tanto sucesso parece vir exatamente dessa constatação de que as formas educativas que nos moldam há tempos merecem, no mínimo, uma revisão.

Por onde se olha, estudar parece um dia da marmota em eterna repetição. O sujeito entra num bom jardim infantil que o impulsione a uma boa escola, que o permita fazer um colegial forte que, por sua vez, o coloque dentro de uma boa universidade. Ele “precisa” desenvolver suas capacidades, mas dia após dia, são os interesses alheios que guiam seu desenvolvimento, sempre pautados por repetição simbólica, concorrência e um sistema de prêmios e castigos. De segunda a sexta, ficam de fora a individualidade, a criatividade, a curiosidade e o chamado pensamento divergente – aquele que ensina a ver o mundo de formas diversas, a resolver problemas, a manter a mente aberta.

Em suma, a escola, como cita o filme, é, “um estacionamento de crianças”, um espaço que costuma passar longe de reais expectativas de qualidade de vida, um mero centro de instrução onde se aprende que o futuro é melhor do que o presente e que as respostas são mais importantes do que as perguntas.

Na visão do realizador de A educação proibida, Germán Doin, muitos elementos da escola atual obedecem o modelo de produção industrial, de linha de montagem, e não respeitam o processo profundamente ético e humano que a educação deveria ser. Mas Doin espera que sua visão não fique cristalizada num produto audiovisual, ainda que ele seja popular. “Não se trata de um objeto terminado no qual você fica com a ideia do diretor e pronto, mas sim de discutir, transformar e propor ideias novamente, num processo lúdico de contínua aprendizagem”, afirma. É por isso que no site do filme estão disponíveis as várias entrevistas realizadas com especialistas em educação de visões não ortodoxas sobre o tema.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=-1Y9OqSJKCc


Ser felizes
A questão é: por que tocar nesse vespeiro? Na verdade, eu, filha desse sistema castrador e com memórias obscuras da infância ativadas depois de refletir sobre os temas do filme, não consigo pensar em razões para não fazê-lo.

Por trás do tédio da maioria das aulas a que uma criança assiste, e até mesmo nas relações entre professor e aluno e entre os próprios alunos, está implícito o objetivo de conservar as estruturais sociais e manter o poder exatamente onde ele está: nas mãos de poucos ou simplesmente nas mãos de alguém.

Além disso, todos temos que saber as mesmas coisas? Mesmo se a resposta fosse não (o que não é), como saberíamos escolher o que aprender? Muito se fala, ainda hoje, sobre paz. Então por que se educa para a concorrência e a disputa, que são o princípio de qualquer guerra? Os questionamentos não param, como acontece com crianças que, aos três, quatro anos, se deparam com o mundo como ele é.

Segundo um dos estudos citadas no documentário, 98% das crianças aos cinco anos podem ser consideradas gênios, porque combinam altos níveis de curiosidade, criatividade e pensamento divergente. Aos 15 anos, depois de experimentar a escola, só 10% mantém esses níveis e, portanto, continuam geniais – palavra que o dicionário define também como alegres e prazenteiros.

Mudar a escola, portanto, serve para sermos “meramente” felizes.


E agora?
A discussão aponta soluções, das quais a desescolarização seja talvez a mais radical. A meu ver, evitar espaço coletivo ganhará mais adeptos à medida que constatamos que o ambiente escolar é daninho. Mas torço para que a convivência e multiplicidade de olhares prevaleçam em nome, justamente, da criatividade e da individualidade.

Sim, o tema é apaixonante – ou então revoltante, se virarmos a moeda. Tão intenso, que um documentário de quase duas horas e meio, esteticamente e narrativamente pouco exigente, concentra ao seu redor uma discussão que tardou em começar, mas que vem em boa hora.

Nossa visão de educação ficou velha e precisa morrer. Só assim, não será outra vez dia da marmota. E a antiga ordem pode então desabar.

Opera Mundi

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Faltam pelo menos 1.500 médicos nos hospitais federais do Rio



O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro estima que, para resolver o problema da falta de profissionais de medicina nos seis hospitais federais da capital fluminense, é necessário pelo menos mais 1.500 médicos e rever a atual política de contratação. 

“Salários incompatíveis com o mercado e concursos temporários têm provocado a evasão de médicos da rede de saúde pública. Mão de obra temporária é uma medida que tem se mostrado ineficaz em todo o Brasil. O governo federal precisa rever sua política de recursos humanos. Não adianta ter uma grande estrutura com essa falência de recursos humanos”, disse o presidente do sindicato, Jorge Darze.

Os hospitais federais no Rio de Janeiro são os do Andaraí, de Bonsucesso, zona norte, Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, de Ipanema e da Lagoa, na zona sul, e dos Servidores do Estado, zona portuária.

Em visita ao Rio de Janeiro, no mês passado, quando anunciou a criação de leitos em hospitais públicos, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, admitiu que faltam médicos nas unidades federais, mas defendeu que a carência desse tipo de mão de obra ocorre, principalmente, porque poucos profissionais de qualidade estão sendo formados.

“Nossos números mostram isso. Não adianta ter apenas mais médicos, precisamos de profissionais formados para as necessidades de saúde da população. O Brasil precisa de um plano estratégico de formação de médicos”. Padilha ressaltou que enquanto o Brasil tem 1,8 médicos por mil habitantes, Espanha e Portugal têm mais de três por mil habitantes, Cuba tem seis por mil habitantes e a vizinha Argentina, três médicos por mil habitantes.

Na opinião do secretário-geral e coordenador da Comissão de Saúde Pública do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), Pablo Vazquez, não adianta criar novos leitos se não há médicos para cuidar dos pacientes. Ele acredita que existe um grande número de aposentadorias de médicos sem que haja reposição na mesma velocidade. “No CTI [Centro de Tratamento Intensivo] Pediátrico do Hospital Cardoso Fontes, por exemplo, leitos foram fechados porque os médicos se aposentaram e não foram contratados substitutos. O principal problema na saúde do Rio é a falta de recursos humanos”, ressaltou.

Para o defensor público federal Daniel Macedo, titular do 2º Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva, o recente episódio de filas quilométricas no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no centro, é um exemplo da falta de material humano nas instituições de saúde federais no Rio de Janeiro.

“Enquanto a população cresce o número de leitos diminui. Esse último caso que ocorreu com o Into demonstra as mazelas no trato com a saúde. O governo realmente virou as costas para a saúde e acho que o Brasil vai passar vergonha nos grandes eventos esportivos”, disse. “Outro exemplo é a emergência do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), na zona norte, que funciona há quase dois anos provisoriamente em contêineres instalados em uma área próxima do estacionamento do hospital.

O defensor lembrou que além dos problemas originados pela falta de médicos, o Rio de Janeiro perdeu mais de 7 mil leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2005 e 2012, de acordo com estudo do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgado em setembro. O número corresponde a 18% do total de vagas públicas. Proporcionalmente, foi a terceira maior perda entre as unidades da Federação.

O ministro Padilha explicou que a diminuição do número de leitos está relacionado com o fechamento de leitos psiquiátricos. “Agora estamos abrindo os leitos que têm o perfil das novas demandas de saúde da população", destacou. “O Brasil reduziu de forma correta mais de 20 mil leitos psiquiátricos, que eram manicômios. Abrir leito sem qualidade no atendimento, equipamentos e sem suprir a necessidade daquele local de saúde responde adequadamente à necessidade da população", explicou.

EBC

Austeridade econômica vai provocar mais distúrbios sociais!

"Os corruptos nos temem. Os honestos nos apoiam. Os heroicos juntam-se a nós."

Com a economia à beira da terceira recessão em três anos, o primeiro ministro David Cameron chamou os britânicos em sua mensagem de fim de ano a manter o otimismo e insistiu que a austeridade é o “caminho correto”. 

Uma pesquisa publicada pouco antes de suas palavras mostra que 43% da população pensa que a situação vai piorar em 2013; só 20% acham que as coisas vão melhorar. Uma mensagem similar foi a dos municípios de Liverpool, Newcastle e Sheffield que advertiram o governo em uma carta pública de que os novos cortes vão provocar distúrbios sociais e a crescente delinquência no norte do país, a região esquecida do Reino Unido.

O primeiro ministro britânico reconheceu que 2012 havia sido um ano “duro”, mas assinalou que o programa de austeridade (140 bilhões de dólares de cortes entre 2010 e 2015) era o único modo de lidar com o desafio global que representam economias emergentes como China, Índia e Indonésia. “Em um mundo tão competitivo, não poderemos triunfar se estivermos sufocados pela dívida”, disse Cameron. O primeiro ministro assegurou que essa dívida foi reduzida em cerca de 25 bilhões de dólares e que quase 500 mil pessoas a mais, em relação ao início do ano, estão empregadas. “Podemos olhar o futuro com otimismo e realismo. Realismo porque sabemos que não podemos solucionar problemas de décadas da noite para o dia. Otimismo porque estamos fazendo um progresso tangível”, disse Cameron.
"Nós somos os 99%. Nós não permaneceremos mais em silêncio."
Convencer os britânicos a adotar esse humor exigirá algo mais que uma boa onda “new age”. O consumo doméstico caiu fortemente nos dois anos e meio do governo da coalizão conservadora-liberal democrata pelo medo gerado pelo seu programa de austeridade e pela enorme dívida pessoal dos britânicos (calculada em quase dois bilhões de dólares). 

Neste sentido, a pesquisa publicada pelo jornal The Observer deixa claro que os britânicos têm hoje muito mais “realismo” do que “otimismo”, algo que não vai ajudar a tirar a economia do pântano pela via do consumo. Com uma contração econômica de 0,1% em 2012, o pessimismo é mais marcado entre os maiores de 55 anos do que entre os jovens, mas o panorama geral da pesquisa é sombrio.

A percepção é mais sombria no norte do que no sul do país. Em uma carta pública ao governo, três dos maiores municípios do norte da Inglaterra – Liverpool, Newscatle e Sheffield – advertiram que o corte adicional de 2% que o governo anunciou em dezembro e que se soma aos 28% de cortes orçamentários em curso está devolvendo o país a um mundo “dickensiano”.

“A delinquência está aumentando, as tensões sociais e comunitárias, os problemas nas ruas vão terminar em uma dissolução social se não mudarmos de rumo”, assinalaram os diretores dos três conselhos municipais (na Inglaterra não há governo provincial). O norte, mais pobre e dependente do emprego governamental, foi duramente golpeado pelo programa de cortes.

Em meio a tantas atribulações, a coalizão no governo teve uma boa notícia. Ainda que as pesquisas sigam mostrando o trabalhismo com 10 pontos de vantagem nas intenções de voto, em um aspecto chave – a economia – os britânicos seguem confiando mais nos conservadores. Esse passe de mágica deve-se a que, nas eleições de 2010, os conservadores conseguiram convencer a maioria de que a crise econômica vivida pelo Reino Unido tinha como causa a irresponsabilidade fiscal dos trabalhistas e não o estouro financeiro e o massivo resgate governamental dos bancos. 

Esta percepção contou com o incalculável auxílio de alguns meios de comunicação dominados por uma visão neoliberal. Dada a recessão em que a economia mergulhou este ano e o fato de que as metas de equilíbrio fiscal projetadas para 2015 foram estendidas até 2018 porque a austeridade está piorando as coisas, o mistério é quanto tempo mais vai durar a magia.


Carta Maior

Al-Jazira chega aos Estados Unidos


Após seis anos de tentativas, a Al-Jazira, emissora de televisão financiada e controlada pelo governo do Catar, finalmente conseguiu um caminho para se comunicar diretamente com o público norte-americano. A Al-Jazira comprou a Current TV, canal a cabo disponível em 40 milhões das 100 milhões de residências dos EUA com TV a cabo. A negociação, divulgada em primeira mão pelo blog Media Decoder, do jornal The New York Times, foi confirmada pela emissora árabe.

Segundo o Media Decoder, a Al-Jazeera não vai apenas retransmitir sua versão em inglês, aberta em 2006, mas vai criar um novo canal, a Al Jazira America, baseada em Nova York e cuja programação será em grande parte produzida dentro dos Estados Unidos. Em um comunicado, a Al-Jazira anunciou que dobrará o número de funcionários nos EUA, chegando a mais de 300. Eles vão trabalhar nas cinco sucursais já existentes – Nova York, Washington, Los Angeles, Miami e Chicago – e em outros escritórios que serão abertos.

Ainda segundo o blog, dois dos atuais donos da Current TV, Joel Hyatt e o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, vão permanecer no conselho da Al Jazira America. Não há informação oficial sobre o valor da negociação, mas a Current TV teria sido vendida por cerca de 500 milhões de dólares. Cerca de 100 milhões teriam ido diretamente para Al-Gore, dono de 20% da emissora.


“Porta-voz de Bin Laden”
A permanência de Gore, ex-vice-presidente e ex-candidato a presidente dos EUA, à frente da nova empresa deve provocar uma certa polêmica. É Gore o líder do lobby a favor da Al-Jazira America, uma marca que atrai muito preconceito nos EUA. Durante o governo de George W. Bush, quando a Al-Jazira (ainda apenas em árabe) transmitia o impacto da invasão liderada pelos EUA ao Iraque sobre os civis, bem como as mensagens de Osama Bin Laden e outros militantes da Al-Qaeda, ela foi tachada de “porta-voz do terrorismo” pela Casa Branca. Essa imagem ainda persistente nos EUA.
Al Gore recebe prêmio em 2007. O ex-vice de Bill Clinton será um dos conselheiros da Al-Jazeera America.  Foto: Stan Honda / AFP.

Com a criação do serviço em inglês, a Al-Jazira tentou entrar no mercado norte-americano, mas não teve sucesso. Empresas de TV a cabo como a Comcast e a DirecTV barraram o canal de suas programações. Ainda na noite de quarta-feira 2, ao saber da venda da Current TV para a emissora árabe, a Time Warner Cable anunciou o rompimento imediato do contrato com a Current TV. A alegação é de que o acordo entre as duas partes possui uma cláusula prevendo o fim do acordo em caso de mudança no quadro de acionistas.


A hostilidade à Al-Jazira não deriva apenas de questões políticas. Pelo Twitter, Dan Gilmor, professor de jornalismo da Universidade do Estado do Arizona, classificou a decisão da Time Warner como exemplo de “covardia política e jornalística”. Gilmor tem razão, pois a Al-Jazira só faz crescer e ganhar importância nos últimos anos. Sua entrada no mercado norte-americano é vista com preocupação não por supostamente ameaçar os valores norte-americanos, mas porque é uma concorrente de peso, e com muito dinheiro, que chega para disputar o mercado com as grandes emissoras noticiosas, como a CNN, a Fox News e a MSNBC.


Forte concorrência
A superioridade da Al-Jazira sobre as emissoras norte-americanas ficou clara com o início da chamada Primavera Árabe. As versões em árabe e em inglês da Al-Jazira estiveram e permanecem até hoje na vanguarda da cobertura das manifestações populares na região. 

Em fevereiro de 2011, em meio aos primeiros protestos, a então secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, participou de audiência no Comitê de Política Externa do Senado americano e usou o termo “guerra da informação” para classificar a abertura de canais internacionais de televisão, transmitidos em língua inglesa. Hillary disse que, após o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos deixaram de “levar sua mensagem para o exterior” e, agora, estavam “pagando o preço por isso”. Ela citou os canais da Rússia (RT) e da China (CCTV), mas fez elogios claros à Al-Jazira.

“Você tem uma série de emissoras globais, entre as quais a Al-Jazira é a líder, que estão literalmente mudando as mentalidades e atitudes das pessoas. E, goste disso ou odeie, é [um processo] realmente efetivo”, disse Hillary. “Você pode não concordar com ela, mas você sente que está recebendo notícias de verdade 24 horas por dia em vez de um milhão de comerciais e debates entre ‘cabeças falantes’ e outras coisas que fazemos nos nossos noticiários e que não são particularmente informativas para nós, quanto mais para estrangeiros”, afirmou Hillary.


A importância da Al-Jazira extrapola a questão jornalística. A emissora é parte importante da criação do que o analista Mohammed El Oifi, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, chamou de “espaço público transnacional” no Oriente Médio. Segundo El Oifi, por meio deste espaço boa parte do mundo árabe teve contato pela primeira vez com países democráticos, com uma imprensa independente e com uma pluralidade de opiniões rara na região, características fundamentais no caldo de cultura que originou a “Primavera Árabe”.

A importância da Al-Jazira não a exime de críticas. Para se estabelecer no mercado norte-americano, a emissora terá de lidar com elas. A versão em árabe tem uma forte tendência anti-Israel e favorável aos grupos do chamado islã político, como a Irmandade Muçulmana, atualmente no governo do Egito. Apesar de ter se colocado ao lado de muitos movimentos pró-democracia, a versão árabe da Al-Jazira pouco cobriu o levante no Bahrein, país aliado ao Catar, dono da Al-Jazira. A versão em inglês da Al-Jazira têm um noticiário também anti-Israel, mas muitas vezes também anti-Estados Unidos. O canal, entretanto, fez uma cobertura muito melhor dos protestos no Bahrein e ganhou diversos prêmios por um documentário a respeito do conflito.

Com a fundação da Al-Jazira America, a emissora terá um grande desafio. Será preciso manter o que é bom (as “notícias de verdade”, segundo as palavras de Hillary Clinton), adaptar a produção ao noticiário doméstico, muito mais atrativo para o público norte-americano, e atenuar posições anti-Israel e anti-EUA, que dificilmente serão bem aceitas pelo público local. Ao se reinventar, a Al-Jazira tem potencial para provocar mudanças importantes no jornalismo e na opinião pública dos Estados Unidos. Mas a emissora corre também o risco de, uma vez nos EUA, se tornar mais do mesmo.

Carta Capital


Bazinga!!! Abelha brasileira é batizada em homenagem à série 'The Big Bang Theory'

Biólogo batizou inseto com expressão usada por um dos personagens do seriado

O físico da série televisiva "The Big Bang Theory" Dr. Sheldon Cooper ficou famoso por mais uma novidade. O introvertido personagem da TV, que tem o britânico Stephen Hawking entre os seus amigos online, teve uma nova espécie de abelha batizada em homenagem a sua famosa expressão: Bazinga!
O biólogo brasileiro André Nemésio disse que nomeou uma espécie de abelha brasileira de Euglossa bazinga em homenagem ao "personagem esperto, engraçado e 'nerd' Sheldon Cooper", porque a abelha havia enganado os cientistas por algum tempo com as suas semelhanças a outras espécies.

Nemésio publicou artigo no mês passado no Zootaxa, um periódico científico para taxonomistas zoológicos do mundo inteiro. 

Um dos produtores-executivos do Big Bang Theory, Steven Molaro, disse na quarta-feira (2) que a comédia da CBS "sempre fica extremamente lisonjeada quando a comunidade científica abraça o programa".


"Sheldon estaria honrado em saber que a Euglossa bazinga foi inspirada nele. Na verdade, depois de 'Mothra' e grifos, abelhas são sua terceira criatura voadora preferida", disse Molaro.

"The Big Bang Theory" - seriado sobre um grupo de cientistas brilhantes, porém pouco populares socialmente - é uma das comédias mais populares da TV norte-americana, atraindo cerca de 18 milhões de espectadores por episódio.
Jim Parsons já foi premiado por sua atuação como Sheldon Cooper
O ator Jim Parsons ganhou dois prêmios Emmy por sua atuação como Sheldon.

iG

Muito Obrigado a todos que ajudaram o Bandit!


Na sexta, dia 04 de Janeiro, começamos uma campanha para ajudar um cachorro de rua, o Bandit (esse aí da foto abaixo).


Pedimos ajuda aqui no blog, em blogs amigos e divulgamos no facebook. O número de pessoas dispostas a ajudar e a pedir ajuda de outras pessoas foi incrível! 

O retorno dessa campanha foi tão bom que o Bandit já conseguiu mais uma semana de tratamento e internação e uma fila de espera de pessoas para colaborar, apareceu inclusive pessoas interessadas na adoção.

O caso do Bandit é grave e requer atenção e tratamento prolongados, com acompanhamento veterinário e uso de medicamentos caros.  Ainda precisamos de todos que puderem colaborar de alguma forma!

Fico muito agradecido e deixo aqui o meu MUITO OBRIGADO!!!


Veja aqui como ajudar: Ajudem a salvar o Bandit

domingo, 6 de janeiro de 2013

Nota Oficial: PSOL Cabo Frio

Sobre o processo licitatório do transporte coletivo e o aumento das tarifas






Dois vídeos sobre educação e meritocracia no Brasil


Por que não se investe em Educação no Brasil?
http://www.youtube.com/watch?v=c-0cJpgc31o



Meritocracia: Uma Mentira Conveniente
Meritocracia: uma força inquestionável que promove justiça para quem tem mais mérito, ou uma desculpa esfarrapada para não se sentir mal com a miséria alheia? Você decide!


http://www.youtube.com/watch?v=kJu5BWsa1_0

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Rio tem 444 desabrigados e 2.167 desalojados pelas chuvas



Balanço da Defesa Civil Estadual, divulgado no início da noite de hoje (4), aponta um total de 444 desabrigados e 2.167 desalojados pelas chuvas em municípios das regiões metropolitana, serrana e sul do estado.

Em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, há, segundo o balanço oficial uma morte confirmada, de um homem, e uma pessoa desaparecida. Em Angra dos Reis, 2.380 pessoas tiveram que ser retiradas de suas casas.

A Defesa Civil estima que cerca de 200 mil moradores foram, de alguma forma, afetados pelas chuvas. O número abrange a totalidade das regiões que sofreram inundações ou deslizamentos de terra.

O maior número de desalojados – mil pessoas – está em Xerém, distrito de Duque de Caxias, onde 45 casas foram destruídas e 200 danificadas com o transbordamento dos rios Saracuruna, Inhomirim e Capivari. No local, 276 pessoas que perderam suas casas estão alojadas em seis abrigos.

Também na Baixada Fluminense fica o município de Belford Roxo, região com o segundo maior número – 550 – de desalojados, todos em consequência de inundação de ruas.

No litoral sul, Angra dos Reis teve nove casas destruídas e 38 danificadas com o transbordamento do Rio Perequê, no distrito de Mambucaba, e a enxurrada do Rio Caputera. No município, 320 pessoas estão desalojadas, 160 desabrigadas e três feridos. Em mangaratiba, onde ocorreram rolamentos de pedras na Rodovia BR-101 (Rio-Santos) e na Estrada Junqueira, cinco casas foram danificadas, uma destruída e 90 pessoas estão desalojadas.

Na região serrana, Teresópolis tem 112 desalojados, devido aos alagamentos nas localidades de Alto, Caxangá, Várzea e Vale da Revolta. Em Petrópolis, onde transbordaram os rios Bingen e Piabanha e ocorreram deslizamentos em três bairros, o número de desalojados chega a 30. Três casas foram destruídas pelas chuvas e quatro estão danificadas.

De acordo com o balanço da Defesa Civil, mais dois municípios foram afetados pelas chuvas: Seropédica e Paracambi, ambos da região metropolitana do Rio.

EBC

Nova Direita: As sementes reacionárias



Ser de direita parece algum tipo de peste”, filosofa a gaúcha Cibele Baginski, líder do grupo de jovens responsável pela façanha simbólica de refundar a Aliança Renovadora Nacional, partido que deu apoio à ditadura e agora ressurge das cinzas, ao menos no nome e na ideologia. “Meu bom senso diz que estar nessa posição política pode ajudar mais as pessoas e tornar a sociedade melhor.” 

Apesar de premiada com uma bolsa do ProUni (programa federal criado por Lula que ampliou o acesso à universidade), a estudante de direito de 23 anos e piercing no lábio prega a redução do Estado e a “abolição de quaisquer sistemas de cotas” ou “condições especiais” e se diz pronta a atender aos anseios de “muitas pessoas que estavam sem voz, como eu”. De sua pena saíram as pérolas do estatuto e do programa impressos no Diário Oficial da União, como a “luta contra a comunização da sociedade” e o retorno das aulas de educação moral e cívica. “Creio que, ao permitir a divergência de opinião, a Arena vá trazer um novo horizonte para a democracia no País”, diz. Agora só faltam as 491 mil assinaturas para obter o registro partidário e poder disputar eleições.

Menos pela representatividade e mais pela escolha infeliz, a estudante surgiu como o retrato da nova direita. “É surpreendente fundar um partido com esse nome, já que a Arena foi formada por correligionários da UDN e do PSD que participaram da conspiração para depor João Goulart”, diz Lucia Grinsberg. Ao pesquisar como a legenda serviu de “bode expiatório” para os ditadores, a professora da Unirio identificou uma rejeição histórica à marca. “As referências à Arena eram marcadas pelo deboche. Nenhum político queria se identificar com a Arena publicamente, porque sua memória está carregada de conteúdos negativos como o adesismo e a subordinação.” Em 1979, por exemplo, quando o Diretório Nacional distribuiu um questionário, os poucos integrantes a responder sugeriram a troca de nome.


Mas o que está em jogo, além da diversão midiática, é a consolidação às claras de um neoconservadorismo nos moldes americanos, em boa medida revigorado pela juventude. Uma pesquisa do Datafolha de 2008 sustenta que 37% dos jovens brasileiros se declaram de direita (contra 35% da população em geral), enquanto 28% se dizem de esquerda. Tal parcela, não representada por DEM e companhia, permite à nova direita se organizar eleitoralmente, com cartilha regida por valores político-econômicos e morais. No primeiro caso se enquadram os partidos que tentam se formalizar nos últimos anos, como o Federalista, o Libertários e o Novo, cuja maioria dos integrantes é de jovens interessados em livrar suas vidas da interferência estatal. Os federalistas defendem a descentralização administrativa; o Novo, o lema “gestão eficiente” do centro-direita europeu; e os anarcocapitalistas “libertários”, a privatização geral da existência.

Os valores morais são a bandeira de agremiações menores, que demandam a regulação dos “bons costumes” e colocam a nova Arena no chinelo. “Não conheço ninguém que leve a sério essa menina”, diz Arthur Quindos, ex-aluno de ciências sociais da USP e um dos fundadores da União Conservadora Cristã (UCC), criada in loco para se contrapor à “hegemonia da esquerda” no ensino de humanidades. Pensadores conservadores como Edmund Burke e Russel Kirk forneceram as bases teóricas. Jesus completou a doutrina. E a UCC ganhou fama ao disputar o diretório central dos estudantes. Perdeu e, ao que parece, não deve sair dos muros da universidade.

Mais representativa é a posição do analista Marcelo Ribeiro, da Juventude do DEM. A despeito do pragmatismo do maior partido de direita (que não se admite assim, tanto que mudou de nome, de Partido da Frente Liberal para Democratas), seus jovens, imbuídos de liberalismo e conservadorismo anglo-saxões, querem uma direita pura, “o que se poderá em breve chamar, sem constrangimento, de direita política brasileira”. E é a esquerda que alimentaria o fenômeno, diz Ribeiro. Seu vaticínio é apocalíptico. “Ausente de lastros familiares e valores saudáveis”, a esquerda despertará “uma reflexão política cada vez mais de direita nos jovens brasileiros”, criando uma demanda por instituições conservadoras e “vindo a formar uma geração de homens e mulheres, de direita, que estão prestes a participar do jogo político.”

É em sites, fóruns e redes sociais que essa nova direita se cristaliza. Caso do “Cons”, cujo estatuto demanda o “exercício da defesa do conservadorismo.” Para se associar, é preciso “assumir-se Conservador (a)”, defender o direito à vida “desde a sua concepção”, “os valores e costumes da família tradicional” e o cristianismo. Um texto de Ribeiro resume a ideologia. “Enquanto o nosso inimigo está a dizer: ‘Nunca antes na história deste país…’, nós alertamos: não há progresso sem fundamentos morais e preservação de valores como a vida, a propriedade e a fé.” Claro, nesse vasto cenário há um espacinho para certa moderação. “Somos uma Juventude de Centro”, diz Alan Schoeninger, presidente do PSD Jovem em Santa Catarina. O partido mal fez um ano, mas seus jovens já saem à cata de adeptos e, apesar de não se declararem direitistas, elencam valores conservadores. “Defendemos a iniciativa e a propriedade privadas, a economia de mercado como o regime capaz de gerar riqueza e desenvolvimento”, afirma o rapaz de centro. “O brasileiro se mostra conservador, e com os jovens isso não é diferente.”

É a direita mais radical, porém, que cresce mais. Que o diga o pernambucano Antonio Silva, o Vulto da zona leste paulistana, ex-integrante do grupo skinhead Carecas do Subúrbio e hoje líder da Resistência Nacionalista, organização de extrema-direita nascida como “grupo de estudos” e hoje essencial às passeatas direitistas – tudo organizado de forma virtual. “A internet possui papel fundamental, uma vez que possibilita um estreitamento nos laços entre conservadores de diversos cantos do País.” Seu site resistencianacionalista.com traz cartazes para download: um deles ovaciona Gustavo Barroso, líder da Ação Integralista Brasileira, nitidamente fascista. Há ainda um informativo com textos como “Metrossexual, Viadagem pós moderna!” e uma revista homônima, cujo editorial se declara “a voz da extrema direita nacionalista”, “mesmo que ela doa a muitos”.

Uma ideologia juvenil que grassa também nas redes sociais. Uma página chamada “Rota na USP” é emblemática. “Você é a favor da PM na USP? Está cansado dos criminosos piquetes e das manifestações violentas destruidoras do patrimônio público?”, diz a página – com link para a “Frente Estudantil Contra-Revolucionária!, que vê como “raio de luz a contra-revolução, baseada pelo professor católico Plínio Corrêa de Oliveira.” Para Márcia Carneiro, estudiosa do integralismo brasileiro, ser de direita passou a ser atrativo ao jovem no momento em que a divulgação de tais mensagens nas redes sociais ganhou aspectos modernos. “Estar incluído em um grupo que acolha suas raivas, recalques e intolerâncias faz-lhes sentir confortáveis em um mundo que a abertura de oportunidades fere as suas arrogâncias.” Filhos de uma “velha classe média que se recusa a compartilhar os ganhos econômicos e sociais com a nova classe média”, esses jovens não teriam mais receio de se assumir como de direita. Antes, diante da negação do PT no governo, orgulham-se disso.


Mas a direita também lê em papel: são livros repletos de preconceitos e distorções históricas, comuns desde que o PT chegou ao poder com Lula, rapidamente resenhados nos redutos conservadores da mídia. Um expoente dessa literatura é Leandro Narloch, fenômeno de vendas com seus “guias politicamente incorretos” que vertem para o senso comum a história do Brasil e da América Latina. Teria ele encontrado um nicho carente na direita juventil? “Acho que sim, muita gente percebeu que os leitores estão cansados de lugares-comuns da esquerda”, diz.  A biblioteca virtual do “Cons” amplia a lista. Há desde livros do economista Rodrigo Constantino (de Privatize Já) ao Orvil da FAB; de Os Dez Princípios Conservadores, de Russel Kirk, a Rompendo o Silêncio, do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. No hall de referências nativas há ainda “acadêmicos” como os filósofos Luis Pondé e Denis Rosenfield e os jornalistas Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo. São as inspirações de Cibele e tantos outros jovens.

Se o estardalhaço em torno da nova Arena soa artificial, o pensamento por trás dela, não. “Seria preciso discutir o que a refundação de um partido criado por um regime ditatorial diz sobre a construção da memória da ditadura”, reflete a historiadora Samantha Quadrat, da UFF. Em um país que anistiou torturadores, a memória coletiva escamoteou o fato de que a ditadura “tinha de fato o apoio de parcelas significativas da sociedade”, que ainda hoje se lembram com carinho do passado autoritário. A recuperação da sigla seria só um exemplo. A historiadora, que pesquisou a juventude pinochetista no Chile dos anos 1970, diz ser utópica a ideia de que todo jovem é progressista, em nenhum lugar do mundo. “Não era assim em 1968, não é assim hoje.”

Carta Capital



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Ajudem a salvar o Bandit


Esse cachorro da foto é o Bandit, ele vive nas ruas do Jardim Caiçara e está sofrendo de uma doença chamada ESPOROTRICOSE.  Atualmente ele está internado na Veterinária Cabo Frio (R. Inglaterra, 43, Jardim Caiçara T.2647-1610), sob os cuidados do Dr. Rodrigo, sendo ajudado por várias pessoas que colaboram comprando remédios e pagando as diárias na clínica para seu tratamento.

Como o tratamento da doença é de longo prazo, serão necessários mais dias de internação. Se você leitor, que gosta de animais, puder e tiver a disponibilidade de ajudar, procure a veterinária e contribua com uma diária, ou com a compra de algum medicamento. Qualquer contribuição pode ser feita para que ele não volte para as ruas no estado em que se encontra, nem tenha que ser sacrificado! 


É só ir direto na recepção da clínica, mencionar que viu na internet e fazer a sua contribuição. Você pode visitar o Bandit no canil e conversar com o Dr. Rodrigo sobre a doença.

Agradeço desde já a colaboração de todos e o interesse em ajudar! Muito Obrigado!!!

"Os animais foram criados pela mesma mão criadora de Deus que nos criou... É nosso dever protegê-los e promover o seu bem estar."   Madre Teresa de Calcutá

Prefeito pague os aposentados!





Reacionários: medíocres e perigosos

O reacionário vive com medo. Mas não é inofensivo. Para ele, tudo o que é diferente tem potencial de destruição. 

O reacionário é, antes de tudo, um fraco. Um fraco que conserva ideias como quem coleciona tampinhas de refrigerante ou maços de cigarro – tudo o que consegue juntar mas só têm utilidade para ele.  Nasce e cresce em extremos: ou da falta de atenção ou do excesso de cuidados.  E vive com a certeza de que o mundo fora da bolha onde lacrou seu refúgio é um mundo de perigos, pronto para tirar dele o que acumulou em suposta dignidade.


Como tem medo de tudo, vive amargurado, lamentando que jamais estenderam um tapete à sua passagem. Conserva uma vida medíocre, ele e suas concepções e nojos do mundo que o cerca. Como tem medo, não anda na rua com receio de alguém levar muito do pouco que tem (nem sempre o reacionário é um quatrocentão). Por isso, só frequenta lugares em que se sente seguro, onde ninguém vai ameaçar, desobedecer ou contradizer suas verdades. Nem dizer que precisa relaxar, levar as coisas menos a sério ou ver graça na leveza das coisas. O reacionário leva a sério a ideia de que é um vencedor.

A maioria passou a vida toda tendo tudo ao alcance – da empregada que esquentava o leite no copo favorito aos pais que viam uma obra de arte em cada rabisco em folha de sulfite que ele fazia – e cultivou uma dificuldade doentia em se ver num mundo de aptidões diversas. Outros cresceram em meios menos abastados – e bastou angariar postos na escala social para cuspir nos hábitos de colegas de velhos andares. Quem não chegou aonde chegou – sozinho, frise-se – não merece respeito.

Rico, ex-pobre ou falidos, não importa: o reacionário clássico enxerga em tudo o que é diferente um potencial de destruição. Por isso se tranca e pede para não ser perturbado no próprio mundo. Porque tudo perturba: o presidente da República quer seu voto e seus impostos; os parlamentares querem fazê-lo de otário; os juízes estão doidos para tirar seus direitos acumulados; a universidade é financiada (por ele, lógico) para propagar ideias absurdas sobre ideais que despreza; o vizinho está sempre de olho na sua esposa, em seu carro, em sua piscina. Mesmo os cadeados, portões de aço, sistemas de monitoramento, paredes e vidros anti-bala não angariam de todo a sua confiança. O mundo está cheio de presidiários com indulto debaixo do braço para visitar familiares e ameaçar os seus (porque os seus nunca vão presos, mesmo quando botam fogo em índios, mendigos, prostitutas e ciclistas; índios, mendigos, prostitutas e ciclistas estão aí para isso).

Como não conhece o mundo afora, a não ser pelas viagens programadas em pacotes que garantem o translado até o hotel, e despreza as ideias que não são suas (aquelas que recebeu de pronto dos pais e o ensinaram a trabalhar, vencer e selecionar o que é útil e o que é supérfluo), tudo o que é novo soa ameaçador. O mundo muda, mas ele não: ele não sabe que é infeliz porque para ele só o que não é ele, e os seus, são lamentáveis.

Muitas vezes o reacionário se torna pai e aprende, na marra, o conceito de família. Às vezes vai à igreja e pede paz, amor, saúde aos seus. Aos seus. Vê nos filhos a extensão das próprias virtudes, e por isso os protege: não permite que brinquem com os meninos da rua nem que tenham contato com ideias que os retirem da sua órbita. O índice de infarto entre os reacionários é maior quando o filho traz uma camisa do Che Guevara para casa ou a filha começa a ouvir axé e namorar o vocalista da banda (se ele for negro o infarto é fulminante).

Mas a vida é repleta de frestas, e o tempo todo estamos testando as mais firmes das convicções. Mas ele não quer testá-las: quer mantê-las. Por isso as mudanças lhe causam urticárias.

Nos anos 70, vivia com medo dos hippies que ousavam dizer que o amor não precisava de amarras. Eram vagabundos e irresponsáveis, pensava ele, em sua sobriedade.

Depois vieram os punks, os excluídos de aglomerações urbanas desajeitadas, os militantes a pedir o alargamento das liberdades civis e sociais. Para o reacionário, nada daquilo fazia sentido, porque ninguém estudou como ele, ninguém acumulou bens e verdades como ele e, portanto, seria muito injusto que ele e o garçom (que ele adora chamar de incompetente) tivessem o mesmo peso numa urna, o mesmo direito num guichê de aeroporto, o mesmo lugar na fila do fast food.


Para não dividir espaços cativos, frutos de séculos de exclusão que ele não reconhece, eleva o tom sobre tudo o que está errado. Sabendo de seus medos e planos de papel, revistas, rádios, televisão, padres, pastores e professores fazem a festa: basta colocar uma chamada alarmista (“Por que você trabalha tanto e o País cresce tão pouco?”) ou música de suspense nas cenas de violência (“descontrolada!”) na tevê para que ele se trema todo e se prepare para o Armagedoon. Como bicho assustado, volta para a caixinha e fica mirabolando planos para garantir mais segurança aos seus. Tudo o que vê, lê e ouve o convence de que tudo é um perigo, tudo é decadente, tudo é importante, tudo é indigno. Por isso não se deve medir esforços para defender suas conquistas morais e materiais.

E ele só se sente seguro quando imagina que pode eliminar o outro.

Primeiro, pelo discurso. No começo, diz que não gosta desse povinho que veio ao seu estado rico tirar espaço dos seus. Vive lembrando que trabalha mais e paga mais impostos que a massa que agora quer construir casas em seu bairro, frequentar os clubes e shoppings antes só repletos de suas réplicas. Para ele, qualquer barberagem no trânsito é coisa da maldita inclusão, aqueles bárbaros que hoje tiram carta de habilitação e ainda penduram diplomas universitários nas paredes. No tempo dele, sim, é que era bom: a escola pública funcionava (para ele), o policial não se corrompia (sobre ele), o político não loteava a administração (não com pessoas que não eram ele).

Há que se entender a dor do sujeito. Ele recebeu um mundo pronto, mas que não estava acabado. E as coisas mudaram, apesar de seu esforço e sua indignação.

Ele não sabe, mas basta ter dois neurônios para rebater com um sopro qualquer ideia que ele tenha sobre os problemas e soluções para o mundo – que está, mas ele não vê, muito além de um simples umbigo. Mas o reacionário não ouve: os ignorantes são os outros: os gays que colocam em risco a continuidade da espécie, as vagabundas que já não respeitam a ordem dos pais e maridos, os estudantes que pedem a extensão de direitos (e não sabem como é duro pegar na enxada), os maconheiros que não estão necessariamente a fim de contribuir para o progresso da nação, os sem-terra que não querem trabalhar, o governante que agora vem com esse papo de distribuir esmola e combater preconceitos inexistentes (“nada contra, mas eles que se livrem da própria herança”), os países vizinhos que mandam rebas para emporcalhar suas ruas.


O mundo ideal, para o reacionário, é um mundo estático: no fundo, ele não se importa em pagar impostos, desde que não o incomodem.

Como muitos não o levam a sério, os reacionários se agrupam. Lotam restaurantes, condomínios e associações de bairro com seus pares, e passam a praguejar contra tudo.

Quando as queixas não são mais suficientes, eles juntam as suas solidões e ódio à coletividade (ironia) e passam a se interessar por política. Juntos, eles identificam e escolhem os porta-vozes de suas paúras em debates nacionais. Seus representantes, sabendo como agradar à plateia, são eleitos como guardiões da moralidade. Sobem a tribunas para condenar a devassidão, o aborto, a bebida alcoolica, a vida ao ar livre, as roupas nas escolas. Às vezes são hilários, às vezes incomodam.

Mas, quando o reacionário se vê como uma voz inexpressiva entre os grupos que deveriam representá-lo, bota para fora sua paranóia e pragueja contra o sistema democrático (às vezes com o argumento de que o sistema é antidemocrático). E se arma. Como o caldo cultural legitima seu discurso e sua paranoia, ele passa a defender crimes para evitar outros crimes – nos Estados Unidos, alvejam imigrantes na fronteira, na Europa, arrebentam árabes e latinos, na Candelária, encomendam chacinas e, em QGs anônimos, planejam ataques contra universitários de Brasília que propagam imoralidades (leia mais AQUI).

O reacionário, no fim, não é patrimônio nacional: é um cidadão do mundo. Seu nome é legião porque são muitos. Pode até ser fraco e viver com medo de tudo. Mas nunca foi inofensivo.

Matheus Pichonelli  Carta Capital


Ações de graça em 2012

Victoria Soto foi enterrada rodeada de flores e lágrimas, uma professora que, junto com seus colegas, num país onde são desvalorizados, demonizados e acusados de serem culpados de quase tudo, deu sua vida para salvar seus estudantes, os filhos de todos. Não só o fez frente às balas de um louco, mas da loucura de um país inundado de armas e que desde seus mais altos poderes afirma que é legítimo disparar e matar para resolver conflitos e disputas cá e lá no estrangeiro.


Em meio a matanças, furacões, crises fiscais onde políticos escolhidos por ricos debatem que nada devem os mesmo ricos a suas sociedade enquanto passam a conta para os mais vulneráveis, no meio da histeria das ruas decoradas de luzes para que não se veja o obsceno lucro em nome de Cristo, ou seja, no meio de tudo que anula esta luz nestes dias mais obscuros do ano, nos salvam - às vezes literalmente - infinitas ações de graça.

Jovens do Occupy Wall Street, religiosos, bombeiros, veteranos de guerra, policiais, artistas e músicos continuam aparecendo em zonas devastadas pelo furacão Sandy para ajudar desconhecidos a limpar os escombros, apoiar-los na sua desolação, ressuscitar as vidas quase afogadas pelas águas e ventos. Insistir que suas vozes sejam escutadas pelos políticos, distraídos por desastres inventados como o precipício fiscal.

Enquanto isto, em outra esquina, num povoado de Connecticut não tão longe destas cenas já se concluiram os ritos fúnebres das vinte crianças e seis adultos assassinados por armas obtidas ilegalmente. Victoria Soto foi enterrada rodeada de flores e lágrimas, uma professora que, junto com seus colegas, num país onde são desvalorizados, demonizados e acusados de serem culpados de quase tudo, deu sua vida para salvar seus estudantes, os filhos de todos. Não só o fez frente às balas de um louco, mas da loucura de um país inundado de armas e que desde seus mais altos poderes afirma que é legítimo disparar e matar para resolver conflitos e disputas cá e lá no estrangeiro.

"Minha irmã deu sua vida para salvar seus estudantes, e se isto não é força e heroísmo real não sei o que é", disse Carlee no funeral, ao qual assistiu Paul Simon e que cantou Sounds of Silence, a canção favorita de Soto.

O ato de Soto não é um ato isolado. Todos os dias, professores se dedicam a duas coisas que de certa maneira são somente uma: a tarefa humana mais nobre de compartilhar luz e o resgate das vidas. Se não fosse por esta escola, eu estaria morto, comentou um estudante latino para Sarah, professora e agora assessora de escolas públicas em Nova Iorque. Não era a primeira vez que havia escutado isto: vários jovens nascidos com um futuro anulado e descartado, debaixo de suspeita permanente por serem jovens e negros ou latinos, ou só por serem pobres, o disseram de várias maneiras ao passar dos anos.

Milhões de estudantes, todos anônimos (alguns depois se tornam famosos) são resgatados todos os dias por professores aqui e em todo o mundo. Os professores se dedicam ao exercício humano mais nobre: passar o fogo de Prometeu, a maçã de Eva, a consciência e sabedoria humana coletiva e acumulada à próxima geração. Obviamente não o fazem por remuneração, por fama, nem por ambição (essa profissão é inútil para tudo isto), mas sim por ser o trabalho essencial da civilização. Mas ao estar entre o universal e o particular, entre a totalidade e o estudante, também são às vezes os que com um conselho, com um abraço, um poema ou com seus corpos salvam a outro ser humano. Nada disto está nos exames padronizados, não há qualificações para registrá-lo, um empresário da educação que saiba, ou possa, gerar instruções para tudo isto.

Acaba de passar por aqui talvez uma das expressões supremas da educação no mundo: a Orquestra Sinfônica Simón Bolívar, coroa do Sistema Nacional de Orquestras Infanto-juvenis da Venezuela. Centenas de milhares, já têm que ser milhões, de jovens anônimos, quase todos de bairros populares, de repente são resgatados pela música clássica universal, para, por sua vez, resgatar-nos a todos através de sua luz sonora.

Enquanto isto, numa esquina de Nova Iorque, Leo, que trabalha em assuntos de segurança nas escolas públicas (teve uma semana intensa depois do ocorrido em Connecticut) sai para comer algo em uma das milhares de pizzarias comuns nesta cidade. Alí lhe oferecem um combo econômico: um pedaço de pizza e um suco por só US$2,75. Leo vê que traz 8 dólares e decide que, como tem dinheiro suficiente, vai pagar para outros dois. Verdade?, pergunta o outro cliente, Leo diz que sim e o deseja um feliz Natal. Faz o mesmo com o seguinte, que já tinha sua nota de 5 dólares para pagar, e este lhe agradece lhe entregando a nota, dizendo-lhe que o use com os seguintes; um dos próximos tinha uma nota de 10 para o seu pedido, aceita o presente de Leo, e entrega a nota para convidar os próximos. E todos estes também aceitaram o presente, mas deram mais notas,para o mesmo, para presentear os próximos. Leo ficou mais de meia hora assim, um atrás do outro, para finalmente acabar com a fila da generosidade.

No metro e nas ruas aqui, todos os dias se oferecem presentes, alguns resgatam do esquecimento, outros são para esquecer o que não é belo. Dois músicos, um com guitarra, outro com banjo, oferecem melodias das montanhas Appalachia; num vagão um trio de Puebla apresenta a música das montanhas do outro lado da fronteira, um chinês mostra os ecos de suas montanhas num tipo de harpa, enquanto um homem com óculos escuros toca Jimi Hendriz, um pianista toca Beethoven, uma banda de metais marchinhas natalinas mescladas com um pouco de jazz.

Alguns destes são atos heróicos, outros são pequenos ainda que às vezes capacitam, preparam e até convocam a novos feitos magníficos (nunca se sabe). Outros são para compartilhar beleza, para expressar solidariedade, para dançar um pouco, para fazer latir um coração.

São ações de graça que apesar de tudo prometem nova luz.

David Brooks - La Jornada

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Parabéns Gelsimar, parabéns povo de Itaocara e parabéns PSOL!

Marco antônio (chefe de gabinete), Juninho (vice prefeito), Gelsimar Gonzaga (prefeito), Chico Alencar e Professor Babá na festa da posse do primeiro prefeito do PSOL em Itaocara!

Neste 1 de janeiro o Estado do Rio de Janeiro e todo Brasil foram presenteados com um farol de esperança representado pela posse de Gelsimar Gonzaga na prefeitura de Itaocara.

Realmente foi uma belíssima experiência e participação na posse do prefeito Gelsimar (PSOL) em Itaocara. A população nas ruas comemorando em uma só voz.  A esperança de um governo do povo e voltado para o povo, com transparência, justiça social, compromisso ambiental e democracia ampla e irrestrita em todos os níveis.

Parabenizamos todos os cidadãos de Itaocara! O exemplo da sua população, que disse NÃO à velha e viciada maneira de fazer política, é um estímulo para que possamos continuar lutando pelos nossos ideais! Mas a eleição do companheiro Gelsimar delega um amplo leque de responsabilidades a toda militância do PSOL, certamente as elites conservadoras não tem nenhum interesse em ver um governo popular com autonomia politica e integralmente voltado para os trabalhadores e muitos outros que ainda não pertencem ao mundo do trabalho. 

O povo de Itaocara prestigiando a posse de seu novo prefeito!
Temos certeza que as oligarquias tradicionais já iniciaram um boicote midiático a tudo que vem acontecendo em Itaocara, o modelo de escolha do secretariado, o pedido de uma auditoria geral nas contas da administração anterior, a redução em mais de 60% do salário do prefeito e o remanejamento de recursos para reformas emergenciais nas escolas são alguns exemplos da politica defendida pelo PSOL. 

Nesse contexto de lutas o PSOL Cabo Frio é solidário ao povo de Itaocara e se coloca integralmente à disposição dessa cidade que viverá uma verdadeira revolução social. Viva Gelsimar Gonzaga, viva Itaocara, viva ao socialismo e a liberdade.

Rogério Carvalho (Presidente), Charles Pimenta (Secretário de Formação Política), Doc Costa (Tesoureiro) PSOL de Cabo Frio.