sábado, 12 de novembro de 2011

Afinal, para onde estão indo os recursos dos royalties do petróleo?


Em complemento ao recente artigo de Pedro Ricardo Maximino, realmente o carioca não está observando onde se encontram as melhorias provenientes dos recursos dos royalties do petróleo. A cidade continua dividida, com prioridade para a Zona Sul e a Barra, enquanto, em contrapartida, a Zona Norte e a Zona Oeste permanecem, como sempre, abandonadas pelos governantes.

As prefeituras do Interior, que recebem os royalties, também carecem de saúde e educação decentes, falta estação de tratamento de esgoto, carência que acontece até mesmo no estado mais rico (São Paulo), onde o Rio Tietê recebe toneladas de esgoto in natura no leito de seu extenso rio até chegar ao mar totalmente poluído.

Pergunto: para onde o dinheiro está sendo carreado? O dinheiro deveria ser carimbado para ser investido na saúde dos munícipes, na educação básica, na melhoria das estradas e na instalação de estações de tratamento de esgoto. Com essas medidas simples e preventivas, a saúde do povo ficaria muito melhor e os hospitais deixariam de receber milhares de pessoas doentes todos os dias.

No quesito Ferrovias, como Maximino tão bem descreve o drama dos usuários da Supervia, operadora dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro, lembro os entusiastas das privatizações, que escreviam horrores contra a Rede Ferroviária Federal, alegando que privatizando o serviço público ferroviário iria melhorar para o povo.

Com a palavra os defensores empedernidos da privataria. Coitados, hoje calam-se inertes, envergonhados de terem defendido o indefensável. O povo está sofrendo com a superlotação, e os passageiros constantemente obrigados a descerem dos trens para caminhar pelos trilhos, como Maximino relatou.

Por fim, em relação à prisão do traficante da Rocinha e ao envolvimento de maus policiais, presos por agentes federais quando escoltavam um grupo de bandidos da Rocinha na noite anterior, tenho a declarar que a decisão do ex-governador Leonel Brizola de impedir a subida de policiais ao morro, a não ser com sua autorização e do então Secretário de Segurança, coronel Newton Cerqueira, foi interpretada de forma distorcida, mas os fatos levados a público hoje comprovam que o saudoso governador tinha carradas de razão.
Roberto Nascimento  http://www.tribunadaimprensa.com.br/

Protestos orquestrados na desculpa de que tudo depende dos royalties

O que está por trás do protesto contra a partilha dos royalties?

Os desviogovernos de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, principalmente, sustentam um discurso que, embora considerável em sua validade formal, apresenta vícios em seu conteúdo, que se baseia em ameaças, como a de que faltará dinheiro para tudo e que a causa de todos os males será a partilha dos royalties.

Uma pergunta que não quer calar: para onde está indo a prosperidade de que já dispomos há tempos e aquela adiantada e com a qual antecipadamente contamos, inclusive para eventos, festas e farras financeiras e ilícitas ilicitações de alicitações?

É evidente que o dinheiro vaza em todos os entes ou níveis federativos, mas é nos muros e nos raríssimos espaços independentes que o sentimento popular se revela: “Cidade olímpica, Estado rico, país próspero para quem?”
Como bem ressaltaria o valoroso movimento da Faculdade de Direito da UERJ: “Direito para quem?”

Universidades despedaçadas, professores vilipendiados, policiais e bombeiros humilhados continuamente, saúde que reflete um estado de nojo, desumanidade, ou, nas palavras mais sinceras de Sérgio Cabral Filho, genocídio.

Claro, tudo será culpa dos royalties.

Evidente que tudo será culpa da crise, e os mais pobres, oprimidos e conduzidos que se manifestem e que sofram todas as consequências da nossa baderna financeira de desmoralizante falta de vergonha na cara, da qual fluem pirotecnicas políticas que visam majoritariamente ao enriquecimento dos escolhidos e deixam legados diminutos (se é que deixarão) para uma população que sonha com o atendimento tardio das suas demandas emergencialmente ludibriadas.

 TRANSPORTE PÚBLICO NO RIO
Ontem, no Rio, mais uma vez o trem do ramal Santa Cruz da eterna SUPERVIA quebrou superlotado de trabalhadores (idosos, grávidas, deficientes inclusive) que foram mais uma vez obrigados a andar sobre a linha e perder mais horas de trabalho que fazem diferença no final do mês, a espera de outros trens tão superlotados que ninguém conseguia entrar. As poucas e lotéricas composições em boa condição aparente circularam com as portas abertas mais uma vez, porque simplesmente não cabia mais ninguém e dois corpos humanos não podiam, naquelas condições, ocupar o mesmo lugar no espaço.
Eu vi tudo. Eu estava lá.
E estou agora, nesta noite do dia 10 de novembro de 2011, no Centro do Rio de Janeiro, seguindo de ônibus para Belo Horizonte, enquanto o carnaval de protestos de seletos interessses orquestrados acontece.
***
Mudando de assunto, mas não muito, imagem e realidade…
A recusa de propina e a prisão de traficantes sempre pega muito bem, mas a escolta por outros policiais é um indício do que está submerso neste iceberg.
Pedro Ricardo Maximino  http://www.tribunadaimprensa.com.br/

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Professores estão excluídos do debate público sobre política educacional

 Os professores estão fora do debate público sobre a educação e suas vozes não estão presentes nas coberturas jornalística da América Latina, segundo pesquisa do Observatório da Educação feita em 18 jornais do continente. Foram analisadas mais de 1.200 reportagens de maio a julho deste ano. As matérias indicam que as políticas públicas implantadas, os novos temas, disciplinas e materiais para as aulas são modificados sem que os professores sejam consultados sobre a política educacional.
"O professor é sempre um personagem e nunca uma fonte para balizar a política pública. E a má qualidade do ensino é sempre atribuída a eles. Estão sendo responsabilizados, mas não têm seu direito de resposta", disse Fernanda Campagnucci, editora do Observatório da Educação, que participou do lançamento de Rede pela Valorização dos Docentes Latino-Americanos, hoje (9), na capital paulista.
Segundo Fernanda, a análise indicou que entre os temas mais comentados nos jornais estão a qualidade, seguida dos sistemas de avaliação, problemas de infraestrutura e violência nas escolas. Depois aparece a questão das tecnologias de informação na educação. "Nesse caso, dependendo do enfoque, entra em conflito com o docente, porque tem problemas de informação e uma ideia de que o aluno não precisa do professor para aprender porque consegue aprender sozinho com o computador". Outro problema destacado nas reportagens analisadas são as greves e paralisações.
A vice-presidente da Internacional de Educação da América Latina, Fátima Aparecida Silva, disse que no geral a categoria dos professores é composta principalmente por mulheres, que chegam a ser 80% no ensino infantil e médio, enquanto no superior há mais homens. Além disso, apontou que os professores estão envelhecendo ao redor do mundo, já que a média de idade é de 45 anos. "A profissão não atrai mais gente jovem. Nos últimos dez anos, os mais novos ficam cerca de quatro anos dando aula até encontrar outra ocupação melhor."
A ausência de formação é presente em todos os países, assim como a fata de um processo de negociação que traga valorização para a profissão, com diferenças entre a zona rural e urbana, tanto na formação quanto na remuneração. "Quando conversamos com os professores que vivem o dia a dia da aula, percebemos que eles reclamam ainda do número excessivo de alunos em sala de aula e da falta de participação nas políticas públicas, além da ausência de plano de carreira e do ressentimento por serem culpados pela má qualidade educacional."
A coordenadora do Comitê Diretivo da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade), Camila Croso, disse que tem notado a tendência de desvalorização dos trabalhadores da educação, além do desprestígio e do processo de culpabilização e criminalização. "São tendências muito preocupantes, mas há também processos de resistência a tais tendências. Mas se sobressai o conjunto desvalorização, desprestígio e criminalização."
Ela destacou ainda a tendência à privatização traduzida no nome de parcerias público-privadas, que aponta para outro lado, procurando ser atrativa. Disse também que há um marcante discurso sobre resultados na aprendizagem que não avalia os rumos da educação, mas dentro do foco de escola como fábrica de seres homogêneos montados para o mercado de trabalho.
"Esse sistema de ranqueamento é preocupante porque o resultado é medido sobre o quê? Aí voltamos ao ponto de partida que é perguntar para que serve a educação. Toda análise parte do aluno homogêneo que tem que responder ao mercado de trabalho", assinalou Camila.
Ele também reforçou que há uma criminalização de professores e até dos alunos. "Há uma perda de noção do coletivo, porque há ataque aos sindicatos. Assim individualiza os professores e coloca o sistema de avaliação com prêmio e castigo. Desvaloriza o professor, porque leva a política de ensinar para o teste, para ir bem na prova. Adapta o currículo, se articula como o não protagonista do fazer pedagógico.".
Guillermo Williamson, da Universidad de La Frontera, do Chile, disse que em seu país a educação apresenta cifras de desigualdade e que não há gratuidade para o ensino. Lá, as universidades são pagas ou se têm bolsas de estudo para os pobres. "No Chile, 40% dos jovens podem ir à Universidade, mas se a família tem dois filhos precisa escolher qual deles pode ir ter o ensino superior".
Segundo ele, assim como no Brasil, os jovens estão desistindo de ser professores por conta da precarização do ensino. "Temos que trabalhar fortemente na educação pública estatal e podemos buscar a gestão social com cooperativas mistas com o Estado". Para ele é preciso retomar a função do professor, que em sua avaliação é ensinar os alunos e ser um mestre. Além disso ele destacou que é preciso que o professor recupere sua autoridade em sala de aula.
O Globo

O bicho vai pegar pra cima do Lalau


Professores aproveitam protesto contra os royalties para enquadrar Lalau e sua gangue.

Blog do Chicão 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A idade do ódio, aqui e no mundo

Duas situações – uma, internacional, outra, em nosso país – trazem-nos a sensação angustiosa de que os homens perderam a sua essência moral e retornam velozmente à idade do instinto dos répteis; enfim, desumanizam-se. Prepara-se, sem quaisquer disfarces, a guerra contra o Irã. Não basta o que se faz no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Palestina. Os belicosos de Israel, com o apoio da Grã Bretanha e da França, e o estímulo dissimulado de Washington, acreditam que lhes será possível atacar impunemente as supostas instalações nucleares da velha Pérsia. Em lugar da retirada – inglória – do Iraque e do Afeganistão, já anunciada, o que se vislumbra é a ampliação do conflito. Como em todas as aventuras militares, sabe-se como esta se iniciará, com o bombardeio de alvos no Irã – mas não se sabe como acabará. Se não prevalecer o bom-senso em Tel-Aviv, podemos aguardar nova tragédia, se não formos arrastados a uma Grande Guerra Euroasiática, da qual poderemos escapar na América Latina, se a estupidez não nos contaminar.
Há dias houve sinais de esperança com a troca de prisioneiros entre Israel e o Hammas. Essa esperança durou menos do que algumas horas, com a decisão de Netanyahu de construir nova colônia em território alheio, como represália à decisão da UNESCO - pela maioria esmagadora de votos - de reconhecer o Estado da Palestina. Como se isso não bastasse, trata agora o governo extremista de Israel de preparar o bombardeio contra o Irã, com a presunção de que continuará impune, como tem ocorrido ao longo desses 63 anos de existência do estado judaico.
É uma pena que os governantes de Israel dessirvam a memória de um povo que se destacou na crônica de nossa civilização com as manifestações da inteligência, das artes e do humanismo. É uma lástima que os judeus sensatos, de Israel e do mundo inteiro, não consigam que seu governo aceite o convívio com o vizinho. Todas as explicações de Israel não desmentem a realidade de que os palestinos têm sido submetidos, nestas décadas, à humilhação e à opressão. Expulsos de suas terras familiares, confinados em espaços cada vez menores, submetidos ao racionamento de água e ao bloqueio comercial, os palestinos se tornaram os párias de nosso tempo.
A insensatez chega agora a nova aventura bélica, contra um povo muito mais numeroso, com forças militares preparadas, e que, em uma escalada bélica, poderá construir aliança com potências de primeira grandeza – ainda que não tenham bombas atômicas como os agressores. Será um conflito do qual dificilmente Israel sairá sem perdas políticas e humanas consideráveis. Isso, na melhor hipótese.
A outra manifestação de ódio é a que se registra, aqui no Brasil, contra Lula, no momento em que o ex-presidente passa pela hora mais difícil de sua vida, ao enfrentar a doença que já atingiu dramaticamente a própria família. É doloroso que, entre os que se excitam com seu sofrimento se encontrem pessoas das quais se poderia esperar o mínimo de entendimento do mundo. A internet se tornou, nesses dias, o repositório das frases mais repulsivas. Felizmente essa fúria dos covardes tem encontrado a repulsa de todo o povo brasileiro – já que eles, pelo seu comportamento, se excluem da comunidade nacional.
É possível divergir de Lula, de seu governo, de seu partido, de suas idéias. Mas não se trata de Lula, o político, o alvo dessas manifestações de ódio. Não se odeia o ex-presidente da República. Odeia-se o menino de Pernambuco que arrombou as portas da História e, em nome do povo mais humilhado e vilipendiado do país, assumiu o governo e colocou o país entre as nações mais respeitadas de nosso tempo.
Enfim, e para não perder a razão das coisas, é uma questão de classe. Só isso.
Mauro Santayana  Carta Maior

Alckmin dá “aula de democracia” na USP


Perguntado sobre a truculenta invasão da tropa de choque da PM ao campus da USP, o governador Geraldo Alckmin deu a seguinte resposta à imprensa agora à tarde: “Eu entendo que os estudantes precisam ter aula de democracia... Eles precisam ter aula de respeito à ordem judicial. É lamentável que tenha que chegar ao ponto da polícia ter que ir lá para cumprir uma decisão judicial”.
O tucano não é propriamente um entendido em democracia. Ele se projetou politicamente durante a ditadura militar, inclusive com apoio de notórios golpistas da sua tradicional família. Com o passar do tempo, Alckmin se tornou um simpatizante do Opus Dei, uma seita de direita com origem na ditadura franquista da Espanha. Usou até o Palácio dos Bandeirantes para as pregações do grupo.


Imagens lembram tempos sombrios

No caso da invasão da USP nesta madrugada, no qual foram utilizados mais de 400 soldados, armas pesadas e até helicópteros, também não é aconselhável falar em “aula de democracia”. As imagens lembram o período sombrio do regime militar, lembram a invasão da PUC-SP em 1977, comandada pelo falecido coronel Erasmo Dias, um ex-aliado do atual governador tucano.


Segundo relatos de deputados que acompanharam os 73 estudantes da USP presos hoje, eles foram tratados como “marginais”. Eles ficaram o dia todo trancados em ônibus em frente à 91ª Delegacia de Polícia, na zona oeste da capital. “Estamos num Estado democrático de direito. Não dá para tratar os jovens como se estivéssemos na ditadura”, criticou o deputado Adriano Diogo (PT).


Ação e punições desproporcionais

Para o parlamentar, a ação da tropa de choque e as punições aos estudantes – como a exigência de fiança de um salário mínimo – são desproporcionais. “Parece que o único objetivo do governo estadual é punir. Estão todos trancados dentro de um ônibus o dia todo, sem alimentação adequada. Prenderam até mesmo a mãe de um aluno que estava nervosa com a situação”.


“Houve inabilidade da reitoria ao lidar com os estudantes e a policia está agindo como na época da ditadura militar, procurando os ‘cabeças do movimento’. O reitor da USP deveria ser o primeiro a tentar soltar os garotos e não criminalizá-los. O número de artigos que eles foram incluídos é absurdo”, completa o deputado. Os estudantes podem pegar pena de até três anos prisão.


Excitação dos “indigentes mimados”

Baita “aula de democracia” do governador Geraldo Alckmin. E ele até disputou uma eleição presidencial e ainda não desistiu desta ambição. O Brasil que se cuide. A democracia do tucano é bem truculenta e rancorosa. Não é para menos que agrada tanto alguns histéricos da direita nativa e certos “indigentes mimados” da mídia corporativa - como Gilberto Dimenstein, Josias de Souza e o pitbull da Veja.
Blog do Miro

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Três novos elementos da tabela periódica são batizados

A Assembleia Geral da União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês), que está sendo realizada no Instituto de Fisica de Londres, aprovou hoje o nome de três elementos, que já estão na tabela periódica.
Os elementos 110, 111 e 112 foram batizados, respectivamente, de darmstádio (Ds), roentgênio (Rg) e copernício (Cn).
- O nome desses elementos foi acertado em consulta a físicos de todo o mundo e estamos satisfeitos de vê-los agora na tabela periódica - declarou Robert Kirby-Harris, secretário-geral do Iupac.
A Assembleia Geral incluiu delegados de academias nacionais e sociedades de física do mundo inteiro - a Iupac conta com 60 países-membros.
O encontro durou cinco dias - começou em 31 de outubro e termina hoje - e incluiu apresentações com os principais físicos ingleses, e a posse da primeira presidente mulher do Iupac, Cecilia Jarlskog, da Divisão de Física Matemática da Universidade Lund, na Suécia.

O Plano Nacional de Educação e a expansão do audiovisual no Brasil


O Plano Nacional de Educação - PNE - é um grande programa de expansão educacional que foi apresentado pelo Ministério da Educação e está em debate no Congresso Nacional. Uma de suas metas é de garantir a conexão à Internet de todas as escolas públicas do país por meio de Banda Larga até 2016. Este acesso, além de ser um oportuno instrumento pedagógico, também vai ampliar a integração de crianças e jovens ao mundo digital e o primeiro e principal impacto será nas regiões de interior do norte, nordeste e centro-oeste. Vale lembrar que este processo será simultâneo à ampliação do tempo escolar que pode chegar a 7 horas diárias em metade das escolas públicas de educação básica do país em 10 anos. A expansão das Universidades Públicas e dos Institutos Federais de Educação Tecnológica de Ensino Médio também aponta nesta mesma tendência.

Observando mais especificamente a proposta de conexão rápida à internet nestas instituições educacionais, vemos que ela ampliará a circulação de conteúdos audiovisuais e será um gigantesco espaço para as obras brasileiras. O consumo prioritário será o de obras educacionais em todas as suas dimensões, como portais especializados, games educativos e materiais didáticos das mais diferentes temáticas e metodologias, mas o acesso regular ao audiovisual nas instituições escolares também estimulará a demanda por todos os tipos de conteúdo.

A rede digital que integrará toda a infância e juventude do país também será um espaço privilegiado de fruição cultural, permitindo o acesso à cinematografia, fotografia, artes visuais, dramaturgia, música e literatura, constituindo-se, também, num importante e necessário instrumento de formação e exercício de cidadania cultural.

Em 2016, a dimensão estimada da população escolar entre 4 e 24 anos em instituições públicas será de mais de 43 milhões, sendo que mais de 4 milhões terão entre 4 e 5 anos, 23 milhões entre 6 e 14 anos, 9 milhões entre 15 e 17 anos e 6 milhões entre 18 e 24 anos. E, destes, mais de 18 milhões dos que terão menos de 17 anos estudarão em escolas com computadores e em tempo integral.

A ampliação do acesso abre uma grande oportunidade para toda cadeia produtiva do audiovisual brasileiro que atua com foco em materiais pedagógicos para os públicos infantil e juvenil. Ao mesmo tempo em que é uma oportunidade para as empresas brasileiras de produção independente, pela perspectiva econômica óbvia e, também, pela possibilidade de formação de platéia e o que isso representará a médio e longo prazos, é também uma contingência estratégica, já que o consumo audiovisual nestes segmentos afetará diretamente a afirmação de nossas identidades.

O poder público, em particular o Ministério das Comunicações, o MEC, o MINC e a Ancine, mas também governos estaduais e prefeituras, deve fomentar programas de estímulo a pesquisas e desenvolvimento, produção e circulação de obras audiovisuais na internet para crianças e adolescentes, principalmente nos segmentos educacionais, possibilitando oferta de obras de interesse nacional, brasileiras e de produção independente.

É urgente que se ofereça aos professores, de maneira continuada, a oportunidade de domínio da linguagem audiovisual e formação de um repertório de referências estéticas. O acesso qualificado aos conteúdos audiovisuais será ampliado na medida em que os professores os conhecerem e os utilizarem. Por outro lado, os milhões de estudantes também serão autores/produtores de seus próprios conteúdos audiovisuais e estarão disponibilizando textos, vídeos, ilustrações e fotografias de todos os tipos.

Esta é uma situação ímpar. Precisamos agir rápido para ocupar um espaço necessário e que é estratégico para os interesses nacionais. Mas é possível ir além.

Devemos estimular o debate sobre a regulamentação do artigo 27 da MP 2.228-1/2001. Este artigo prevê a disponibilização gratuita para fins educacionais, em canais educativos mantidos com recursos públicos nos serviços de radiodifusão de sons e imagens e nos estabelecimentos públicos de ensino, das obras financiadas com recursos públicos, desde que respeitados os contratos existentes. A regulamentação deste artigo é importante, pois, numa perspectiva crítica, é no encontro da educação com a cultura que a democracia se sedimenta e a cidadania cultural se torna vetor de transformação.

A consolidação e visibilidade de nossa diversidade cultural se darão na medida em que o audiovisual que produzimos transite como linguagem, como oportunidade e experiência estética e social entre nossas crianças e jovens. Além disso, esta perspectiva também alimentará novas economias e novos ambientes de negócio. Assim, diversidade cultural e oportunidade econômica dialogarão habilmente com a consolidação do modelo democrático e de cidadania cultural que estamos construindo no Brasil.
Glauber Piva, sociólogo, é Diretor da Ancine – Agência Nacional do Cinema
Carta Maior 

Maioria das cidades não tem mapas de áreas de risco


A menos de dois meses do verão e da temporada de chuvas - que, este ano, produziu a maior catástrofe ambiental da História do país, na Região Serrana -, o Brasil sofre com a falta de profissionais especializados no mapeamento de regiões suscetíveis a riscos. Segundo a Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE), aproximadamente 200 pessoas trabalham no setor em todo o país. Para a entidade, o ideal seria somar "100 a 200" especialistas a esta área. Enquanto isso, de acordo com o governo federal, o país acumula 1.386 municípios com áreas sujeitas a deslizamentos, e 1.417 passíveis de inundações bruscas de alta intensidade.
A carência de geólogos já foi admitida publicamente pelo ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, pelo menos duas vezes este ano - a última delas em rádio nacional, 15 dias atrás. Sua pasta não divulgou que contingente de profissionais considera desejável, mas diz que o levantamento da ABGE "quantifica a percepção" do governo.
- Seria muito bom contar com pelo menos um geólogo em cada cidade, ao menos naquelas onde há risco médio - avalia Fernando Kertzman, presidente da ABGE. - Há vinte profissionais na prefeitura de São Paulo, e ainda assim não conseguimos dar conta de todas as medições. O problema é que quase ninguém se forma neste setor, porque ele só voltou a ter mais importância nos últimos cinco anos, quando o país voltou a ter grandes obras. Estes investimentos em infraestrutura praticamente não ocorreram nos anos 80 e 90.
O vácuo de profissionais, portanto, atingiu uma geração inteira, o que dificulta até a contratação de professores e a abertura de novos cursos de geologia.
Na semana passada, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), criado por decreto presidencial em julho e subordinado a Mercadante, realizou uma prova para contratar dez geólogos que observarão áreas sujeitas a catástrofes ambientais. E amanhã a ABGE organizará um seminário cuja pauta abrange a carência de especialistas no setor.
- Os geólogos preferem os setores tradicionais, petróleo e mineração, que pagam salários mais altos - explica Kertzman. - Queremos organizar, junto ao Cemaden, cursos de capacitação em todo o país para que estes profissionais possam trabalhar também em áreas suscetíveis a escorregamento.
Nomeado diretor do Cemaden há dois meses, Reinhardt Fuck, que ainda monta a estrutura do órgão recém-criado, reconhece a dificuldade para atrair colegas.
- Se houvesse cem pessoas treinadas em geologia da engenharia, elas conseguiriam emprego na hora - assegura. - Agrava essa carência o fato de que há uma grande demanda por parte da Petrobras, que está empregando centenas de profissionais da área em exploração petrolífera e de gás. E também temos commodities em alta no mundo inteiro, particularmente o ouro, o que faz as empresas de exploração mineral também procurá-los. Esta convergência de buscas está tirando nossos estudantes das salas de aula. Os poucos cursos sequer dispõem de docentes. A USP, por exemplo, pelejou meses até conseguir um professor para esta área.
Outro obstáculo para a chamada geologia de engenharia era a falta de interesse contínuo no setor. Geralmente o poder público só olha para as encostas às vésperas do verão. Por isso, não valeria a pena pagar alguém dar expediente ali o ano inteiro.
A economia é visível país afora. Entre os 735 municípios onde há, pelo menos, cinco áreas suscetíveis a deslizamentos, só 25 (3,4% do total) dispõem de carta geotécnica. Trata-se do mapeamento de áreas de risco, fundamental para evitar as consequências de deslizamentos e enchentes. A ABGE calcula que a elaboração desta peça custa, em média, R$ 250 mil - embora o valor cresça significativamente conforme o tamanho da cidade.
O Cemaden procura seus primeiros geólogos de engenharia para monitorar áreas de risco potencial no país. E, com base em parâmetros críticos - como chuvas e características particulares da encostas -, será possível prever eventuais desastres.
Na lista de afazeres de Fuck não consta a elaboração de cartas geotécnicas para municípios - esta função cabe a outros órgãos públicos, inclusive serviços geológicos estaduais, cuja procura aumentou nos últimos anos. Seu Cemaden atuará na previsão de curto prazo, emitindo alertas para outras instâncias.
- Estamos uma correria maluca para estabelecer um sistema razoavelmente confiável para operar, ainda que de forma inicial, em novembro - revela. - Teremos uma sala de situação, que repassará dados ligados à previsão de desastres para as defesas civis. Mas esta sala nos será nos entregue apenas em dezembro, e vai demorar um tempo até que os aparelhos funcionem à toda.
Os especialistas baseados na sala trabalharão com imagens captadas por diversos radares, da Força Aérea aos de governos estaduais. Com elas, é possível, segundo Fuck, fazer previsões confiáveis de duas a seis horas antes de eventos climáticos extremos, como tempestades e enchentes.
A sala será montada no campus de Cachoeira Paulista (SP) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. A princípio, o foco do novo sistema será apenas as regiões Sul e Sudeste. No início do ano que vem, será expandido para o Nordeste.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Educadores criticam a aprovação automática


Comentário: Enquanto a educação pública for vista como um gasto de dinheiro a "fundo perdido", o único interesse dos governantes será com a entrada e saída, o mais rápido possível, dos alunos da escola (a aprovação automática - um crime contra as crianças e a sociedade - é o auge dessa política) . Aprendizado e boa formação é exclusividade para os filhos dos que podem pagar as melhores escolas privadas.

A sala de aula fica em uma escola da rede pública municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Dos 38 alunos do 4º ano, dez não deverão passar de ano. O processo de alfabetização falhou para eles, que não conseguem ler um texto completo, têm dificuldades para entender frases e somente soletram palavras isoladas. A deficiência na alfabetização é ainda pior para um dos estudantes do grupo. Ele cursa pela terceira vez a série e não consegue ler palavras soltas.
Professora há 20 anos na rede pública de Nova Iguaçu, Mônica Fraga, 40 anos, aponta o que, para ela, são as causas das deficiências dos dez alunos.
- Até o terceiro é aprovação automática. Há falta de interesse dos pais em relação aos filhos, não há cobrança efetiva para que estudem, façam os deveres de casa. E o aluno, ao ver que não há qualquer avaliação, relaxa - critica a professora, graduada em Letras e contrária à aprovação automática.
Quando chegam ao terceiro ano, os alunos da rede municipal de Nova Iguaçu podem repetir uma vez. Depois, são aprovados automaticamente. No quarto ano há provas.
- Os problemas de alfabetização se acumulam e, quando o aluno chega ao quarto ano, ele fica retido - diz Mônica.
Também professora do quarto ano em Nova Iguaçu e colega de escola de Mônica, Flávia Valéria Gomes Campos, 37 anos, há 15 no magistério, optou, com a autorização da escola, por dar aulas de reforço. De acordo com Flávia, dos 42 alunos de sua turma, 22 apresentavam falhas na alfabetização - alguns vieram de escolas de outras cidades. Com as aulas extras, 17 apresentaram melhoras no aprendizado e somente cinco correm o risco de serem reprovados.
Além de integrar a rede de ensino de Nova Iguaçu, Flávia ainda dá aulas na rede pública de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, onde não há aprovação automática. Segundo a professora, a cobrança feita pelas avaliações levam os alunos que chegam ao segundo ano a ler e compreender os textos corretamente, o que não tem acontecido com as classes do quarto ano de Nova Iguaçu. No entanto, Flávia chama a atenção para outro problema: sem horário integral, os alunos em Petrópolis têm dificuldade de aprendizagem de conteúdo em parte das matérias. Na escola da Baixada os alunos possuem a opção do horário integral.
Membro do Conselho Escolar de Nova Iguaçu, a professora Eliane Martins, 52 anos, vai além nas criticas ao sistema educacional brasileiro:
- Enquanto não houver a cultura de que o crescimento do país só vem com a Educação, os problemas existirão. O sistema leva à ociosidade.

domingo, 6 de novembro de 2011

A silenciosa disputa pelo petróleo


Existe apenas um consenso entre os que discutem a nova distribuição dos royalties do petróleo, um assunto que deveria estar dominando as manchetes, mas continua como uma batalha silenciosa travada apenas no âmbito do Congresso.
O consenso é que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, extrapolou ao afirmar que a presidenta Dilma Roussef não obteria um voto sequer no estado se deixasse o Senado aprovar o texto da emenda Ibsen Pinheiro.
Primeiro porque colocou Dilma no canto e a presidenta já mostrou em diversas oportunidades não gostar de ficar nessa situação. Segundo, ao ameaçar a mandatária, Cabral estaria sinalizando que já perdeu a guerra.
Todos os envolvidos nesse embate vinham mantendo até agora um tom conciliador, a não ser que Cabral tenha decidido imitar o velho leão dos filmes da MGM: aquele que dá dois urros e desaparece.
É possível, mas não parece ser o caso. O governador está preparando uma grande manifestação popular para a próxima quinta-feira 10 em defesa dos interesses do Rio de Janeiro na repartição dos royalties.
No entanto, nos últimos dias Cabral diminuiu o tom. Disse apenas não acreditar que Dilma punisse o estado do Rio e os demais estados produtores (leia-se Espírito Santo), obrigando-os a rever contratos já assinados.
No caso, Cabral tergiversou. É público e notório que Dilma não vai alterar contratos firmados mesmo com a aprovação da nova lei dos royalties e da partilha do petróleo. Vale o que está escrito, até porque esse é o interesse da Petrobras que tem inúmeras parcerias, inclusive com petroleiras multinacionais.
Em questão está um possível futuro, de 2020 para frente, quando a receita dos royalties do recém-descoberto pré-sal poderão (ou não) mudar o perfil do Brasil, se forem bem utilizadas.
Segundo projeções, com o pré-sal o Brasil será o quinto maior produtor do mundo. Sendo assim, ficará difícil explicar as tantas diferenças de renda e tamanhas disparidades regionais do País. No entanto, o pessoal do lado dos “produtores” acha esse tipo de previsão otimista demais.
Quanto aos urros de Cabral, é bom lembrar que o próximo ano é eleitoral e 2014 está aí. Há vários anos o PMDB vem dizendo que terá um candidato competitivo à presidência da República. Porque não Sergio Cabral? Ele foi o único a ter coragem de entrar na jaula e desafiar a fera.
O silêncio em torno do assunto, mesmo entre os parlamentares, deve-se muito, também, ao fato de que no próximo ano teremos eleições municipais. Deputados e senadores, em geral, tentam passar ao largo quando se trata de definir uma posição num tema delicado. Para fechar acordos inconvenientes do ponto de vista eleitoral esperam sempre o último minuto da prorrogação. E muitas vezes essa demora é apenas para chantagear o governo em outras oportunidades, como acontece agora com a votação da DRU (Desvinculação dos Recursos da União).
Não estamos também acostumados a lidar com os milhões de dólares ou reais quando se trata de petróleo, especialmente agora. Com a entrada em cena do pré-sal, essas cifras estão assumindo proporções gigantescas, até assustadoras. Imaginaram uma Dubai na Barra da Tijuca?
A geografia política do Oriente Médio foi traçada com régua e compasso para a defesa dos interesses das grandes empresas britânicas de petróleo. O Iraque, por exemplo, foi inventado pelos ingleses. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes eram um areal abandonado até surgir o petróleo, os modernos sheiks “biliardários” e seus sócios, as petroleiras. É uma tradição… Ou seria uma espécie de maldição?
Petróleo é assim. Sempre conectado com a política, provocando grandes conflitos. O Brasil produzia pouco e importava muito, vivia à margem dessas confusões.  Os preços oscilavam, mas o produto, no máximo, mexia com a inflação. Até que surgiu o pré-sal.
Queda de braço
Em 20 de outubro, o site do Congresso em Foco já detectava a “guerra de secessão”: o País está dividido em torno do petróleo. As consequências desse movimento são ainda imprevisíveis, acrescentava.
Pois continuam assim. Os estados “não produtores” ganharam o primeiro round no Senado, mas a briga está longe de terminar. Os “produtores” prometem ir à Justiça, e a disputa pode acabar por contaminar outras votações no Congresso.
E os prefeitos, que seriam os maiores beneficiados com o projeto Ibsen, vetado por Lula, passam a ser os maiores prejudicados?  Esses sequer foram consultados.
Por enquanto não passa de ficção, mas pode-se imaginar o impacto de uma marcha de 4 mil ou mais prefeitos até Brasília para pressionar o Congresso. Não resta dúvida que daria uma baita confusão. Tanto que o presidente da Câmara, o deputado Marco Maia, usando poderes que lhe são conferidos pelo Regimento Interno, resolveu criar uma Comissão Especial para debater o tema.
Maia diz que neste momento radicalizar posições só complicaria. Ele aguarda agora a escolha dos deputados pelos partidos para a Comissão, que deve ser proporcional às bancadas. Até quinta-feira 3, a Comissão Especial ainda não tinha presidente ou relator. Mas já se adiantava que se o presidente for da linha dos “não produtores”, o relator deverá ser alinhado aos “produtores”.
O relator do projeto no Senado, Vital do Rêgo, já conversou com o presidente da Câmara e pediu para acelerar o processo. Rêgo teme o que chama de pressões externas – a marcha dos prefeitos – ou as manifestações articuladas pelo Rio de Janeiro. Aqui é importante esclarecer que cerca de 90% do petróleo nacional provêm, hoje, das águas profundas do produtivo litoral fluminense.
Prejuízos?
Uma das teses defendidas por Cabral é a de que a renda per capita do estado está na média nacional. Mais do que isso, o Rio de Janeiro tem a pior receita de evolução real do ICMS. Entre 1996 e 2010, enquanto a produção física da indústria de transformação cresceu em São Paulo, Minas Gerais e Brasil, respectivamente, 42%, 41%, e 36%, no estado esse índice foi de apenas 1%.
Esvaziado paulatinamente desde a transferência da capital para Brasília, entre 1995 e 2009 o emprego no Rio cresceu somente 43% contra uma taxa nacional de 73,5 %. Na Região Norte, a alta chegou a 145%, no Nordeste, 93%, no Sudeste (influenciado pelos baixos índices do Rio) 59%, no Sul, 73%, e no Centro Oeste, bateu os 110% no período.
O comércio varejista, mais precisamente no desempenho dos supermercados, é outro índice impressionante. Enquanto cresciam 48% no Brasil, 55 % em São Paulo, 60% em Minas, e por aí, no estado do Rio o avanço ficou em esquálidos 18%.
Técnicos da atual gestão do governo fluminense foram obrigados a fazer uma reestruturação da área fazendária, degradada desde 1995. Isso explicaria, por exemplo, porque o ICMS entre 1999 e 2006 teve aumentos percentuais igualmente baixos.
Enquanto na media nacional o ICMS tinha alta de 32%, 50% no Centro-Oeste e 66% no Espírito Santo, no Rio de Janeiro o crescimento registrado era de apenas 7%. Ou seja, o estado passou a se aproximar da trajetória nacional somente em um período recente, coincidindo com os governos Lula.
Deveríamos ainda levar em conta que mesmo somando os royalties e as chamadas “participações especiais”, o Rio não tem, em média, uma carga tributária elevada. Ela é inferior a de grande parte dos demais estados brasileiros.
Na avaliação dos representantes dos estados “produtores”, a perda estimada para estes estados com a proposta de Vital do Rego/Wellington Dias é de 3,6 bilhões de reais já no próximo ano. Um exagero?
Pode ser, assim como podem ser exageradas as previsões sobre o dinheiro que o pré-sal vai trazer à tona. Afinal, todas as especulações ainda estão no fundo do mar.
Carta Capital

Brasil começa a produzir remédio contra mal de Parkinson e alcançará a autossuficiência dentro de cinco anos


O Brasil estará produzindo, dentro de cinco anos, toda a quantidade do medicamento pramipexol necessária para o tratamento do mal de Parkinson no país. A produção nacional do remédio, apontado como a primeira escolha no tratamento da doença, será feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Acordo assinado hoje (3), no Rio de Janeiro, deu início à transferência da tecnologia para a produção do remédio que será repassada pelo laboratório alemão Boehringer Ingelheim a técnicos do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos).
O Farmanguinhos é a unidade técnico-científica da Fiocruz considerada o maior laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde. A partir de 2015, a Fiocruz passa a responder por 50% do pramipexol produzido e consumido no país. “[O pramipexol] é, hoje, o principal tratamento [para o mal de Parkison] e, para nós, do ponto de vista da produção, tem ainda uma atração tecnológica: com nosso aprendizado, essa tecnologia vai permitir que Farmanguinhos incorpore outros medicamentos relacionados aos males do sistema nervoso central no futuro”, explicou o diretor do Instituto Farmanguinhos, Hayne Felipe da Silva
Em 2017, toda a produção do medicamento consumido pelos brasileiros será nacional. A nacionalização da tecnologia do medicamento significa economia e maior controle sobre a demanda. Anualmente, são gastos cerca de R$ 40 milhões na aquisição desse remédio no mercado internacional para a distribuição em toda a rede pública de saúde brasileira.
“Tem o lado da soberania do país, enquanto fornecedor de um medicamento importante. E também possibilita a ampliação de acesso porque você reduz custo. A parceria permitirá uma redução de aproximadamente 5% do valor dispendido hoje pelo Ministério da Saúde, que poderá ampliar o acesso”, acrescentou Silva.
O pramipexol é um dos medicamentos mais usados no tratamento do mal de Parkinson, doença que afeta quase 200 mil brasileiros com mais de 60 anos, segundo estimativas da Associação Brasil Parkinson. O medicamento age como a dopamina (neurotransmissor cuja produção decai no doente de Parkinson pela morte dos neurônios que o produzem) e vem apresentando bons resultados, segundo especialistas, tanto na fase avançada, associado a outras substâncias, quanto na fase inicial do tratamento, protegendo o cérebro contra algumas complicações tardias do tratamento com levodopa ou retardando o aparecimento dessas complicações.
O mal de Parkison é uma doença degenerativa, crônica e progressiva, que atinge, principalmente, a população idosa, provocando tremor, rigidez muscular, diminuição da velocidade dos movimentos e afetando o equilíbrio físico do doente. A doença também pode provocar problemas de sono, depressão e dificuldades da fala.
EBC

É essa política de segurança de Cabral que Janio Mendes acha que deve continuar?

Milicianos controlam 47 ruas e dez estacionamentos em terrenos públicos no Centro

Em maio deste ano, Ricardo Cesar Ribeiro de Lemos, flanelinha que atua na área dos Arcos da Lapa e morador do Morro da Providência, no Centro, procurou a 5ª DP (Gomes Freire) para registrar uma ocorrência: por volta das 14h do dia 7, um sábado, quando trabalhava na Rua da Lapa, foi expulso do local e ameaçado por homens armados que se apresentaram como policiais. Não foi o único caso registrado naquela delegacia. Pelo menos dez guardadores relataram este ano ações semelhantes de homens armados, ocupando carros e motocicletas, em diferentes pontos do Centro.
Para a subprefeitura do Centro, que cobre 18 bairros, não há mais dúvidas: uma milícia formada por pelo menos 14 policiais civis e militares passou a agir na região explorando um novo filão: vagas de estacionamento. Já estaria sob o controle do bando 47 ruas, 70 flanelinhas e dez estacionamentos que funcionam em terrenos públicos (do município, do estado e da União) - áreas tomadas à força.
Um levantamento da subprefeitura, em poder do subprefeito Thiago Barcellos, revela que o grupo paramilitar tem um faturamento mensal estimado em mais de R$ 1 milhão. A quadrilha contaria com apoio em delegacias e batalhões da PM da região, além da própria prefeitura do Rio, onde funcionários estariam facilitando a ação do bando, fazendo vista grossa.
O Globo

Comentário: Antes as milícias eram pequenos grupos que procuravam "tomar" as favelas do traficantes. Depois as milícias tomaram conta das favelas e passaram a exercer o único poder nessas comunidades (já que nesse caso o estado não atua). Agora os milicianos já tomam conta até de estacionamentos no centro do Rio! Esse Cabral e seu sec. de segurança, Beltrame, vão longe! O pior de tudo é ver o único dep. estadual de Cabo Frio elogiando isso tudo e mostrando que é um bom "assistente" do governador.

Enem: professores criticam banco de questões

Para evitar uma crise como a que aconteceu com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano, quando estudantes de Fortaleza tiveram acesso a questões da prova dias antes de sua aplicação, o Ministério da Educação (MEC) deveria aumentar em pelo menos cinco vezes o chamado Banco Nacional de Itens (BNI), dizem especialistas ouvidos pelo GLOBO.
Foi desse banco que saíram todas as perguntas da prova, inclusive as 14 questões vazadas para 639 alunos do Colégio Christus. Segundo o MEC, o BNI tem seis mil itens. Todos foram submetidos a estudantes no pré-teste, aplicado em cerca de mil escolas e universidades do país de 2009 a 2011. Para o ministério, esse número de itens é suficiente, e o mesmo banco servirá de fonte para as duas edições do Enem 2012. Mas professores dizem que esse montante deveria ser muito maior.
Dessa maneira, mesmo que um colégio repasse questões do pré-teste para seus alunos antes do Enem, o risco de essas perguntas coincidirem com aquelas que cairão na prova seria bem menor. Para Tufi Machado Soares, professor do departamento de Estatísticas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o banco deveria ter, pelo menos, 40 mil itens.

Globo fatura com produtos derivados


A apropriação da cultura pela indústria do entretenimento é um movimento histórico, inerente ao capitalismo, que se estende aos inúmeros âmbitos do setor artístico. Na televisão, para além do faturamento advindo da publicidade, as emissoras comerciais têm aproveitado a notoriedade de seus artistas para alavancar os chamados produtos derivados. São mercadorias alheias à recepção televisiva, mas que referenciam diretamente o conteúdo televisual através da menção de artistas ou logotipos previamente difundidos na TV. No caso das Organizações Globo, em termos de indústria fonográfica, merece registro sua versatilidade, conquistando bons resultados, mesmo com o amplo fluxo de bens musicais na internet. Segue, há muitos anos, caminho contrário ao de suas concorrentes, Record e SBT, que patinam no segmento.
Para compor a trilha sonora de uma telenovela, por exemplo, profissionais do setor precisam pesquisar temas capazes de potencializar tanto o produto televisivo quanto os seus derivados (como os CDs, lançados nas versões nacional e internacional). Seus intérpretes, geralmente cedidos por gravadoras, dividem-se entre os que são reconhecidos pela audiência e agregam popularidade ao produto e os que ainda necessitam de notoriedade, sendo alavancados a partir desta exposição, com resultados positivos também para as gravadoras. É a transformação da arte em mercadoria, uma vez que, ao possuir um tema musical em uma novela da emissora líder de audiência, o artista passa a ser rapidamente conhecido. Uma dinâmica que, no auge da pirataria, é extremamente importante, não apenas para a venda de música gravada, mas, principalmente, para o aumento da comercialização de shows.
Trilhas e hits
Seguindo a estratégia de redução da aleatoriedade própria da cultura, a Globo tem conseguido vender não apenas CDs de suas telenovelas, compilados, mas também dos artistas que promove. Uma simples consulta na internet mostra que, entre os 10 álbuns mais vendidos no Brasil, pelo menos a metade de seus intérpretes tem alguma ligação com a Globo, sejam contratados diretos ou assíduos em seus programas. Talvez o telespectador mediano não perceba que, durante a exibição de um capítulo de teledramaturgia (cerca de uma hora e 12 minutos de tempo no vídeo, incluindo os breaks) há um bombardeio de temas sonoros, sendo majoritariamente compilações (portanto, não produzidos especialmente para a trama).
Na trilha sonora de Fina Estampa, a atual novela das nove (na realidade, das 21h10), assinada por Aguinaldo Silva e colaboradores, as escolhas mesclam sucessos do momento com antigos hits e releituras, em uma seleção que mistura intérpretes como Gonzaguinha, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho com nomes mais comerciais, como a dupla de sertanejo universitário Jorge e Matheus, a cantora de funk Perlla e a banda de axé Jammil & Uma Noites. A penúltima novela global do horário, Insensato Coração, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, contou com artistas graúdos na trilha sonora: Elis Regina, Maria Bethânia, Nana Caymmi, Simone, Caetano Veloso e Ney Matogrosso, entre outros, demonstrando a vitalidade da música popular brasileira. Ainda que com um repertório mais sofisticado, suas trilhas sonoras mantiveram-se durante meses nas paradas de sucesso.
Cabe ressaltar que não se trata de um mercado desconhecido para as Organizações Globo. Maior expoente da Globo na indústria fonográfica, a Som Livre foi fundada pelo produtor musical João Araújo, em 1969, primeiramente para comercializar trilhas sonoras de novelas, mas logo teve seu catálogo expandido, passando a oferecer artistas contratados. Em seu auge, chegou a ser a gravadora de artistas importantes da MPB e populares (quem mais faturou na história da gravadora foi Xuxa, atingindo a marca de 80 milhões de álbuns vendidos). A partir dos anos 2000, a empresa diversificou sua atuação no mercado do entretenimento doméstico e, mudando o foco, passou a distribuir mídias como DVD e, em seguida, blue-ray. O segmento gospel, renegado há anos atrás, hoje é um dos principais gêneros comercializados pela Som Livre.
Telenovelas e personagens
A sonorização das novelas deve estar sincronizada com os conflitos apresentados, causando efeitos sensoriais e afetivos nos telespectadores, o que requer uma produção musical acurada. Ante este pilar, cenas memoráveis já foram produzidas. Para citar um exemplo, a cena deLaços de Família (2000) em que a personagem Camila (Carolina Dieckmann) raspa os cabelos por conta da leucemia não seria a mesma sem a melodia Love By Grace,interpretada pela cantora ítalo-belga-canadense Lara Fabian. Com alto grau de carga dramática, o hit tornou-se um clássico e atualmente é impossível negar o papel da música na consagração do produto exibido – potencializando a venda de dois milhões de álbuns da telenovela, o que levou a atingir, na época, o primeiro lugar por oito semanas nas paradas de sucessos.
Mais recentemente, o tema “Coisas Que Eu Sei”, composição de Dudu Falcão para Danni Carlos, embalou as cenas da personagem Júlia (Débora Falabella), na novela Duas Caras (2007). Segundo a Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), foi a segunda música mais executada nas rádios em 2008. Outro caso, “Amado”, de Vanessa da Mata, tema da personagem Lara (Mariana Ximenes), de A Favorita (2009), também figurou entre as mais tocadas do ano. Ambas as cantoras receberam disco de platina por seus álbuns autorais, um feito indiscutivelmente impulsionado pela notoriedade das respectivas telenovelas. Em tempos de crise da indústria fonográfica, participar com uma canção em uma teleficção da Globo é tudo o que querem aqueles que insistem em disputar o mainstream musical.
 Observatório da Imprensa

Asteroide vai passar perto da Terra na terça-feira


Cientistas afirmam que aproximação será uma boa oportunidade de estudo e não representa risco de impacto no planeta

Um enorme asteroide passará perto da Terra na próxima terça-feira (8), em uma aproximação rara que não representa risco de impacto para o planeta, afirmaram esta semana cientistas dos Estados Unidos, que esperam ansiosos a oportunidade de observá-lo.
"Não é potencialmente perigoso, é apenas uma boa oportunidade para estudar um asteroide", garantiu o astrônomo da Fundação Nacional de Ciências (NSF, na sigla em inglês), Thomas Statler.
O asteroide circular, chamado 2005 YU55, tem 400 metros de largura e ficará mais perto da Terra do que a Lua, a 325.000 km de distância, informou a agência espacial americana.
Segundo previsões, o horário em que o asteroide estará mais próximo da Terra será às 21h28 de terça-feira, hora de Brasília.
A aproximação será a maior de um asteroide deste tamanho em mais de 30 anos e um evento similar não voltará a ocorrer até 2028.
No entanto, quem desejar ver o corpo celeste precisará de um telescópio. "Ele não será perceptível a olho nu. Será preciso um telescópio com lente de mais de 15 cm para vê-lo. Para tornar a observação ainda mais complicada, se moverá muito rápido no céu quando passar", disse Statler.
"Vários radiotelescópios foram instalados na América do Norte para registrar a passagem do astro", continuou Fisher.
"O momento momento (e local) para observá-lo serão as primeiras horas da escuridão de 8 de novembro na costa leste dos Estados Unidos", emendou.
Os astrônomos que estudam este objeto, classificado como um asteroide de classe C, dizem que é muito escuro, cor de carvão, e bastante poroso.
O 2005 YU55 foi descoberto em 2005 por Robert McMillan, do projeto Spacewatch, grupo de cientistas que observa o sistema solar perto de Tucson, Arizona (sudoeste).
O objeto faz parte de um conjunto de 1.262 asteroides grandes, que giram ao redor do sol e têm mais de 150 metros de largura, que a Nasa qualifica como "potencialmente perigosos".
"Queremos estudar estes asteroides, de forma que se algum dia formos atingidos, saibamos o que fazer com ele", disse Statler.
A passagem mais próxima que um asteroide fará da Terra será em 2094, a uma distância de 269.000 km, segundo as previsões.
iG

Carta da diretoria do Sepe ao jornal O Globo

O Globo publicou ontem, dia 3/11, matéria intitulada: “A mina de ouro dos sindicatos”, que trata sobre a utilização do imposto sindical por diversas entidades e centrais. O Sepe não foi citado nominalmente, mas a notícia é ilustrada com uma foto de uma passeata dos profissionais das escolas estaduais do Rio, em que o logotipo do sindicato aparece com destaque, ocorrendo, desta forma, uma ligação entre a matéria e o nosso sindicato. Enviamos ao jornal a carta abaixo, já que o Sepe, historicamente, sempre foi contrário ao imposto sindical. Eis a carta:

A diretoria do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) esclarece, a respeito da matéria “A mina de ouro dos sindicatos”, publicada em O Globo, dia 03/11, que o Sepe é contra o recolhimento do imposto sindical da categoria e vem atuando inclusive judicialmente para impedir este desconto. Por exemplo, o recolhimento do imposto realizado nos contracheques dos profissionais das escolas municipais do Rio está sendo depositado em juízo por conta de uma ação do sindicato. Esta ação visa impedir que o dinheiro seja repassado para outras entidades, que, desde os anos 90, cobram o imposto dos profissionais. Informamos também que a posição da direção do Sepe é que este dinheiro, caso liberado pela Justiça, deve ser devolvido à categoria.

Sepe

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Servidores RJ perderam 73% de 94 a 2010


Levantamento realizado pela Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa, presidida pela funcionária Vilma Silveira Leal, revela, com base em números oficiais comparativos, que, de 1994 a 2010, as perdas salariais do funcionalismo público do estado do Rio de Janeiro atingem a cifra de 73% em números redondos.
São decorrentes dos índices inflacionários do IBGE, de um lado, cotejados com os aumentos concedidos, de outro. Pelo IPCA, a inflação foi  de 99,9%. Os reajustes somados ficaram em 26,4%.No período 94 a 2005 – destaca a Asalerj – houve zero por cento de aumento. Portanto, o  longo inverno atravessou os governos Marcello Alencar, Garotinho, Benedita da Silva e o primeiro mandato de Sérgio Cabral. Sendo que Marcello Alencar e Garotinho cortaram a incorporação pelo exercício de cargos comissionados, que ocorria quando a permanência fosse, primeiro de 5 anos, depois quando atingisse 10 anos, e também o direito a pensão às filhas solteiras.
Os prejuízos é claro, são enormes. Não só os registrados no passado, mas também os daqui para a frente. Isso porque os reajustes que vieram a partir de 2006 deixaram de incidir sobre os prejuízos contidos nas diferenças anteriores. O estudo, como é natural, toma por base o panorama que envolve o funcionalismo da  Assembleia, mas pode ser estendido aos servidores do Executivo e Judiciário. Na esfera do Legislativo está incluído o Tribunal de Contas.
Vejam só os aumentos nominais que perderam para o IBGE. Em 2006, 5%. Em 2007, 4%. Em 2008, 2009 e 2010, reeleição de Sérgio Cabral, 5% a cada doze meses. Quando poderão ser recuperadas as perdas? Nunca. Este, todos estão vendo pela matemática, é, no fundo, o principal problema brasileiro. Os vencimentos perdem a corrida contra a inflação.
Não acontece com as empresas, especialmente as empreiteiras de obras públicas tanto federais quanto estaduais e municipais. Pelo contrário. Seus reajustes, fixados através de termos aditivos aoas contratos, superam a taxa inflacionária. Assim, a renda concentra-se cada vez mais. Está acontecendo com as obras de modernização do Maracanã, Estádio Mário Filho.
O Tribunal de Contas da União – ele próprio divulgou – já detectou sobrepreço na escala de 70 milhões de reais. O episódio envolve a Construtora Delta, como vários jornais publicaram. Esse fenômeno trágico e triste, sob o prisma da ética, nem sempre representa ilegalidade.Mas ocorre em função do indexador estabelecido para os contratos. Enquanto o custo de vida é medido pelo IPCA, do IBGE, os contratos são pelo IGPM, da Fundação Getúlio Vargas. Observem só: enquanto de 94 a 2010, o IPCA alcançou 99,9%, o IGPM da Fundação Getúlio Vargas, atingiu nada menos do que 151%. Claro, as obras públicas são regidas pela FGV, não pelo IBGE. É o palco do ballet salário-inflação. Mas no RJ, nem o IPCA foi adotado de 94 a 2010. Injustiça total com o trabalho humano.                      
* * *
JOGO BANCÁRIO
 
Outro assunto: pagamento no Bradesco e Itaú O governo Sérgio Cabral e o Bradesco estão realizando campanha publicitária para informar que, a partir de janeiro, o pagamento do funcionalismo, incluindo aposentados e pensionistas, vai ser transferido do Itaú para o Bradesco. Mas como foi estabelecido por decreto, tal dispositivo só vale para o Poder Executivo. Para os servidores do Legislativo, Tribunal de Contas e Judiciário continua no Itaú. Porém, com base em resolução do Banco Central, cada funcionário tem o direito de escolher o estabelecimento bancário que desejar.
Pedro do Coutto  http://www.tribunadaimprensa.com.br/

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Indústria do petróleo precisará de 212 mil trabalhadores até 2014

A indústria do petróleo e gás deve contratar, pelo menos, 212 mil trabalhadores nos próximos três anos. A estimativa é do consultor da coordenação do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), Marco Antonio Ferreira.
Ferreira participou hoje (1º) de um debate sobre o pré-sal na sede da Federação das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, o Prominp fez no ano passado um estudo para saber qual a demanda de mão de obra da indústria do petróleo até 2014. O estudo apontou que pelo menos 212 mil vagas de emprego serão abertas no setor. “Essas são as lacunas que verificamos em nosso plano de negócios”, disse.
O Prominp é um programa do governo federal criado para treinar trabalhadores para atuarem no setor de petróleo e gás natural. Ferreira explicou que a coordenação do programa levanta os investimentos programados e estima quantos trabalhadores serão necessários para que os projetos sejam executados.
Quando a demanda é detectada, o Prominp promove cursos de qualificação, que treinam os trabalhadores para que estejam aptos a trabalhar nos projetos programados. De acordo com Ferreira, 78 mil trabalhadores já foram qualificados desde 2006. Número que deve aumentar por causa do desenvolvimento da cadeia do petróleo.
O consultor do Prominp disse, inclusive, que a própria estimativa do programa está sendo revisada devido aos investimentos previstos para exploração do pré-sal. Segundo ele, a demanda por trabalhadores “deve ser bem maior do que a que estava estimada.”
O presidente da Associação Brasileira das Empresas do Setor Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça, também declarou que o setor de construção e reparação de navios demandará muitos trabalhadores devido à exploração do pré-sal. De acordo com ele, os estaleiros brasileiros, que atualmente empregam 56 mil trabalhadores, devem empregar 100 mil até 2020. “O país vive um momento mágico”, disse Mendonça, sobre as perspectiva para o setor naval. “Vamos contratar desde soldadores e auxiliares, até engenheiros navais e pessoal da área administrativa”, declarou.
 JB

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Marcelo Freixo ironiza investigação de ameaças de morte feitas pela Segurança

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) ironizou, durante o Jornal das Dez, da Globo News, a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro (Seseg). Questionado sobre a nota da pasta, que garantiu ter investigado as informações sobre ameaças de morte que tem sofrido, o parlamentar lembrou que "o mesmo procedimento também foi adotado em relação à juíza Patrícia Acioli".
"Mas parece que eles erraram", alfinetou Freixo.
O político destacou não ter recebido qualquer retorno da Seseg a respeito das investigações feitas sobre as ameaças.
"O José Mariano Beltrame (secretário de Segurança), com quem tenho relações Republicanas, disse que todas as ameças foram investigadas", garantiu Freixo. "No entanto, ele não me repassou nenhum resultado destes trabalhos, os quais classificou como sigilosos. Mas penso que o grande interessado em saber o que foi descoberto sou eu".
Após anunciar que aceitará o convite da Anistia Internacional e que vai deixar o Brasil por conta das ameaças de morte que tem sofrido de quadrilhas de milicianos, o deputado estadual  ganhou destaque em sites de veículos de comunicação de todo o mundo.   
 O portal da FoxNews para a América Latina diz que “ameaças da polícia corrupta que aterroriza as vizinhanças cariocas” são a causa da ida do parlamentar para algum país na Europa, que não será revelado por questões de segurança. A matéria ressalta a presença de policiai, bombeiros e políticos como integrantes dos grupos paramilitares responsáveis pelas ameaças sofridas pelo político, que está em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
A página da agência de notícias alemã Reuters chamou a atenção para o fato de Freixo, “um conhecido deputado estadual pelo Rio e Janeiro”,  ter de abandonar seu país por  conta de ameaças feitas por um grupo para-militar que o próprio parlamentar foi responsável por investigar.
O inglês The Guardian, que chamou Freixo de “um veterano ativista pelos direitos humanos , conhecido por seu trabalho em presídios e favelas, chamou a milícia que ameaçou o deputado pelo menos sete vezes no último ano de “violenta e poderosa”.
JB