sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Instituto de Educação Nova Iguaçu resiste a Cabral


A audiência Pública realizada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro foi mais um registro dos 60 dias de resistência dos profissionais e alunos do Instituto Rangel Pestana, que permaneceram durante todo o recesso firmes e fortes na luta. A tenda montada no calçadão de Nova Iguaçu foi um importante instrumento de denúncia contra a política ditatorial de Sergio Cabral.

A audiência pública teve como principal objetivo sabatinar a SEEDUC sobre os reais motivos para as quinhentas e quatorze exonerações de diretores gerais e adjuntos nas unidades escolares de Rede Estadual do Rio de Janeiro. A reunião contou com a participação de representantes do Sepe, UPPE, Comissão de Educação da ALERJ, Parlamentares e SEEDUC, representada pelos subsecretários Sergio Mendes e Luiz Carlos Becker. No debate sobre o principal tema da audiência ficou evidente a postura autoritária e contraditória da SEEDUC, que estabeleceu o concurso como um dos critérios para os futuros gestores das 1.370 unidades da rede, mas antes mesmo deste acontecer, centenas de diretores foram exonerados e substituídos por outros que também não passaram pelo crivo do concurso.

Apesar de a audiência ter sido convocada para tratar de todas as exonerações, ela acabou se debruçando apenas sobre o caso do Rangel Pestana, em função de ser esta a única escola presente. Os questionamentos feitos à SEEDUC sobre os reais motivos da exoneração da diretora Luiza Leopoldina não foram respondidos de modo satisfatório, já que todos as justificativas dadas como prestação de contas e desempenho dos alunos nas avaliações externas foram derrubadas mediante apresentação das devidas documentações, além das notas dos alunos que estão acima da média, contrariando as afirmações da SEEDUC.

No decorrer da audiência, os representantes da Secretaria de Educação não responderam, entre outras coisas, o questionamento do SEPE sobre a utilização do espaço da Metropolitana que fica nas dependências do IERP pelas empresas Facilite e Nova Rio.



As denúncias apresentadas pelo Sindicato, alunos e professores sobre a representação no Ministério Público em relação à postura truculenta do sr. Paulo Fortunato, quando esteve na unidade. Entre outras hostilidades, ele desferiu xingamentos e palavras de baixo calão contra os alunos nas reuniões realizadas na escola. Essa denuncia causou indignação nos presentes, provocando, a partir disso, pedido de exoneração do superintendente por todos os parlamentares presentes, inclusive os da base do governo. Ao final da audiência, os profissionais aproveitaram para entregar o abaixo assinado com mais de três mil assinaturas e a ata da eleição realizada na escola pela comunidade para escolha um diretor para U.E. O subsecretário Luiz Becker disse que lamentava o fato e tomaria as providencias cabíveis quanto ao episódio do Sr. Paulo Fortunado e estava aberto para receber uma comissão para tratar do caso do Rangel Pestana.

Sepe Nova Iguaçu

“Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado”

O escritor Sergio Sinay, 66 anos, é um especialista em vínculos humanos. Sociólogo e jornalista, formou-se na Escola de Psicologia da Associação Gestáltica de Buenos Aires. Requisitado consultor sobre assuntos familiares e relações pessoais, tem vários livros publicados. O mais novo, Sociedade dos Filhos Órfãos, que acaba de sair em português (Editora BestSeller), é uma dura crítica ao modo de vida da atualidade, em que pais delegam a educação e a atenção aos filhos para babás, escolas e até para as novas tecnologias – como celular, televisão e computadores. 


Esse comportamento transmite aos filhos a noção errada de que basta ter dinheiro para encontrar quem se encarregue daquilo que nos cabe fazer, afirma Sinay, em seu livro.

Sergio Sinay: "Nunca houve como hoje um fenômeno social tão amplo e profundo a ponto de criar uma geração de filhos órfãos de pais vivos."
Casado e pai de um jovem, Sinay diz que o amor é uma construção contínua que se fortalece diariamente com responsabilidade e comprometimento. “Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado”. A seguir trechos da entrevista concedida ao Mulher7x7.


Mulher7x7- Há uma geração de filhos sem pais presentes nascendo ou ela sempre existiu?
SERGIO SINAY – Sempre houve pais que não assumem responsabilidades e sempre haverá. Mas nunca houve como hoje um fenômeno social tão amplo e profundo a ponto de criar uma geração de filhos órfãos de pais vivos. Pela primeira vez podemos dizer, infelizmente, que os filhos com pais presentes que cumprem suas funções são uma minoria.


Até que ponto a relação dos pais com os filhos reproduz um estilo de vida da atualidade?
Vivemos numa cultura do utilitarismo, em que se busca o material a qualquer preço e por qualquer caminho. As pessoas se medem pelo que possuem e não pelo que são. Os pais correm atrás do material e descuidam de seus filhos que, por sua vez, aprendem a valorizar apenas o bem material. Essa é a fórmula para criar filhos materialistas.


Em vários trechos do livro, o senhor diz estar convencido de que muita gente ficará irritada com o que está escrito. Por quê?
Porque muita gente não gosta de escutar ou ler o que precisa, apenas o que gosta. Os pais de filhos órfãos, em sua maioria, não admitem sua própria conduta e acreditam que ser pai e mãe consiste em comprar coisas para os filhos, matriculá-los em escolas caras, dar celulares e computadores modernos.


O senhor relaciona o fracasso dos pais na educação dos filhos ao medo que eles têm da reprovação infantil. De onde vem esse medo e como fugir dessa armadilha?
O medo vem de uma cultura que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se  enxergam como recursos ou clientes. Os pais tratam de comprar o amor dos filhos e temem que o cliente não esteja contente. O carinho dos filhos não se compra. Amor se constrói com presença, atitudes e assumindo a responsabilidade de liderar o caminho dessa vida em direção à autonomia. Para isso, há que se estabelecer limites, marcar as fronteiras, frustrar. Criar e educar é também frustrar, ensinar que nem tudo é possível. Só assim se ensina a escolher. E só quem escolhe pode ser livre. Os pais, no entanto, têm medo de não ser simpáticos, então se esquecem de ser pais, que é o que os filhos precisam.


Ao se referir ao modelo do passado, em que as mães eram o retrato do sacrifício, e os pais, da disciplina ainda que com distância emocional, o senhor diz que todos sabiam seu papel, algo não acontece hoje. Aquele modo de educar era de alguma forma melhor?
Aquele modo de educar tinha muitas limitações e era muito rígido em muitos aspectos. Mas se sabia claramente quem eram os pais e quem eram os filhos. Os pais não tinham medo de atuar como pais, ainda que às vezes cometessem excessos em sua autoridade. Mas é sempre mais fácil corrigir um excesso do que superar uma ausência. Alguém pode mudar um modelo pobre ou insuficiente. Muito mais grave é não ter modelo.


Ao abordar o problema de jovens envolvidos com drogas e violência, o senhor diz que a solução é os pais terem mais controle sobre o que eles fazem e onde vão. Como não resvalar para a superproteção?
A infância e a adolescência são etapas muito breves da vida e necessárias para o amadurecimento biológico, psíquico e cognitivo. Seremos adultos a maior parte da nossa vida. A adolescência termina entre os 18 e os 19 anos. Quando os pais são ausentes ou não cumpriram suas funções, vemos adolescentes imaturos de 30 ou 40 anos. Se os pais pegam no leme do barco, e realizam esse trabalho com amor, ao fim da adolescência, seus filhos serão pessoas com ferramentas para caminhar pela vida. Terão muito por aprender ainda, mas terão boas bases e um bom sistema imunológico contra os principais perigos sociais. Os limites do controle vão mudando com a idade dos filhos e vão se flexibilizando até desaparecer por completo. Para saber quando e como modificá-los, há que estar presente.


Ao propor que os pais busquem interagir com outros pais para a realização de programas em comum e conversas que afinem experiências e atitudes, o senhor está sugerindo que educar é, de alguma forma, uma obra coletiva?
Educar é uma missão intransferível de quem, biologicamente ou por adoção, criou um vínculo de maternidade e paternidade. A responsabilidade é sempre individual. Conversar com outros pais e empreender projetos comuns, ajuda a afirmar a tarefa e permite a troca de experiências úteis.


Nas grandes cidades, em que muitos pais sequer comparecem às reuniões na escola, não é uma utopia propor essa interação entre os pais?
Sem utopias, não se avança. E se cruzarmos os braços, perdemos a batalha. Muitos casais responsáveis e amorosos se sentem sozinhos, não concordam com o que vêem outros pais fazendo e seguem adiante com suas convicções. Por isso, há que falar e propôr interação, dizer a eles “vocês estão num bom caminho”, compartilhem isso. Quando esses pais começarem a falar descobrirão que muita gente pensa assim também, mas estava em silêncio.


É o caso de uma família evitar certos círculos de pessoas e lugares, e até cidades, se achar que a vida do filho está indo pelo caminho errado?
Não se pode ter medo de tomar decisões, dizer não, proibir certas relações perigosas. Os filhos vão protestar, tentarão transgredir. Isso não é um problema, é parte do processo. Os filhos sempre buscarão transgredir para crescer. O problema é quando os pais viram o rosto, olham para o outro lado, não estabelecem limites ou têm medo dos filhos. Ser pai com amor e presença não significa converter-se em uma pessoa simpática, em um animador de televisão. Às vezes, há que se tomar medidas duras.


O senhor diz que muitos pais usam a suposta importância da qualidade do tempo ao lado do filho para justificar a ausência. O que é qualidade de tempo com o filho, na sua opinião?
Não há qualidade sem quantidade. Em qualquer tarefa para alcançar qualidade é preciso tempo, compromisso, dedicação. O famoso “tempo de qualidade” de que falam muitos pais – e que inclusive tem o apoio de pediatras e psicólogos infantis – é uma desculpa para que os pais não se sintam culpados. Os pais são adultos e um adulto sabe que na vida não se pode tudo. Há que optar. Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado. O “tempo de qualidade” são cinco minutos nos quais os pais culpados dão tudo aos filhos para evitar o conflito. Isso faz muito mal aos filhos. Se não há tempo, não há qualidade. E se não há tempo para os filhos, é preciso pensar antes de se tornar pais. Depois é tarde.


Mas muitos pais não escolhem seus horários, o tempo que perdem no trânsito e, por falta de opção, ficam menos com os filhos do que gostariam. O senhor não acha que os filhos aprendem a diferenciar os pais que nunca estão porque não querem dos pais que não estão porque não podem?
A responsabilidade de ser pais nos obriga a fazer escolhas. É verdade que os pais são demandados por muitas atividades. Mas eu pergunto “são todas obrigatórias?”. Muitas vezes, trabalha-se demais para pagar o que não é necessário. Ser pai e mãe é uma oportunidade para aprender a diferenciar os desejos das necessidades. É uma oportunidade para aprender a diferenciar o que a publicidade vende do que realmente precisamos. Tudo que requer nosso tempo é imprescindível? Podemos trabalhar menos enquanto criamos os filhos pequenos? É possível dividir melhor o tempo entre pais e mães? Por que tem que ser sempre a mãe a que duplica suas tarefas? Por que podemos dizer “não” ao tempo que nossos filhos exigem de nós em vez de dizer “não” aos outros? Se os pais têm sempre tempo para suas obrigações e nunca para seus filhos, os filhos aprendem que essas outras coisas (trabalho, reuniões, encontros sociais, esportes etc) são mais importantes do que eles porque nunca podem ser adiados. Não é obrigação dos filhos compreender os pais (ainda mais quando são pequenos). É obrigação dos pais atender às necessidades dos filhos.  Por isso é preciso pensar antes de ser tornar pai e mãe.


O senhor critica também a estratégia de entreter as crianças com DVDs em viagens para elas ficarem quietas. Vemos esse comportamento da não-interação se estendendo à mesa de restaurantes, festas. Onde está o erro dessa atitude?
Ser pai e mãe é um trabalho. Não se pode delegar esse trabalho às novas tecnologias. Essas tecnologias muitas vezes nos conectam mas nos tornam incomunicáveis. Isso se vê especialmente nas famílias, onde todos têm celulares e computadores, mas não mantêm diálogos nem proximidade.


O senhor diz que escola não educa, ensina. O que não se deve esperar da escola?
Educar é transmitir valores por atitudes, vivendo os valores que pregamos. Educar é ensinar que as pessoas são o fim, e não o meio, algo que se passa por vínculos. Educar é transmitir a certeza de que cada vida tem um sentido e há que viver a busca desse sentido. Isso é educar, é o que fazem os pais com presença, ações e condutas. A escola é a grande socializadora que ensina a viver a diversidade e a respeitá-la, que treina habilidades para viver e atuar no mundo, que dá informação vital sobre esse mundo e que é uma ponte para ele. A escola e os pais são sócios, não podem se separar, nem se enfrentar. Tem que atuar de um modo cooperativo. Os filhos são alunos da escola, não clientes. A escola não é um parque de diversões, nem creche, nem shopping. A escola não pode fazer a vez do pai e da mãe. Os pais não podem pedir à escola que ocupe o lugar que eles deixam vago. Pais que não respeitam as escolas ensinam seus filhos a não respeitar as instituições.

Que mensagem o senhor daria para os pais que, sem perceber, estão deixando os filhos de lado acreditando estarem fazendo a coisa certa?
Eu os recordaria que ser pai e mãe foi uma escolha. Em pleno século 21, quem não quer ter filhos não tem, de modo que não há desculpas. Quem tem filhos tem responsabilidades sobre uma vida. Essa vida precisa de respostas. E diria que só há uma maneira de aprender a ser pai e mãe: convivendo com os filhos, estando presentes em suas vidas, errar, pedir desculpas, reparar o erro e seguir adiante, sempre com responsabilidade e presença.


Em seu livro, o senhor deixa claro que educar é um processo contínuo que exige envolvimento e dá trabalho, mas é fato que muita gente opta por soluções fáceis. Que soluções fáceis devem ser postas de lado?
Filhos não vêm com manual de instruções. Cada filho é uma pessoa única. Por isso não há soluções fáceis nem receitas. Nossos filhos nos ensinam a ser pais. Querer que um pediatra, um professor, um psicólogo, a televisão, a internet, uma babá, os avós ou a escola se encarregue dos filhos é buscar uma solução fácil. Pais que procuram esse tipo de solução provam que o problema são eles, e não os filhos. Os filhos nunca são o problema. O grande e maior problema (vício em drogas, alcoolismo, violência juvenil, acidentes de carro, comportamento de risco, doenças novas como obesidade infantil ou déficit de atenção, entre outros) não está nos filhos, nas crianças ou nos adolescentes. Estão nos pais.


É possível impor limites sem ser chato?
Aquele que impõe limites não recebe sorrisos nem aplausos, mas assume responsabilidades e logo colherá frutos.


O senhor afirma que o amor é uma construção. O senhor acredita em amor incondicional?
Como bem dizia Alice Miller, uma extraordinária psicóloga suíça que morreu no ano passado, aos 83 anos, e era uma grande defensora dos filhos, o único amor incondicional que existe é dos filhos para os pais. As crianças precisam muito mais dos pais: para crescer, ser guiadas, ter proteção, ser alimentadas, receber valores e, sobretudo, ser amadas. Os filhos não precisam provar seu amor aos pais, mas se os pais amam seus filhos devem dar a eles provas desse amor, acompanhando seu crescimento, transmitindo-lhes valores, colocando limites, frustrando quando necessário, oferecendo um modelo de vida que faça sentido. Sem isso, o amor será apenas palavras.

Época

Quem você escolhe???


#FechoComFreixo50 De longe, o mais brilhante. Marcelo Freixo deitou e rolou no debate da Band. É a solidez de um projeto político construído durante anos por uma militância aguerrida e bela. Estamos de alma lavada.

COMMENTARIOLUS

0) Já faz algum tempo que pensava em escrever uma seção de comentários breves sobre diferentes temas, sem que fosse necessário um texto ou reportagem para reflexão. Nesse sentido inicio hoje o COMMENTARIOLUS, nome do livro de Nicolau Copérnico, que significa "pequeno comentário", sobre a teoria heliocêntrica.

1) O professor Leonardo, de geografia, ficou decepcionado pois não conseguiu ver a chuva de meteoros do último domingo, estava muito nublado! Eu também fiquei chateado, mas a lei de Murphy é implacável rsrsrs.

2) Mas ainda é possível ver a conjunção de Vênus, Júpiter e Aldebaran na constelação de touro todas as madrugadas antes do nascer do sol. Entre 4:00h e 5:30h olhando na direção nordeste.

3) Mirinho, prefeito de Búzios, foi considerado inapto pelo TRE para disputar a reeleição este ano. Mesmo assim resolveu suspendeu a licença eleitoral de dois candidatos de cabo frio que não são do seu partido o PDT... mas isso não tem nada de perseguição política, o prefeito agiu dentro da lei no melhor interesse para a população (você acredita, né?).

4) Os candidatos em questão são o professor Rogério, do PSOL, e o doutor Adriano do PP, ambos profissionais do mais alto nível e com boas chances nas eleições.

5) O PDT que já foi um partido de esquerda, sério e preocupado com a educação, hoje mostra que é mais uma legenda de aluguel, com políticos (salvo raras e honrosas exceções) preocupados apenas em mamar nas tetas do dinheiro público.

6) Tenho conversado com alguns alunos sobre as eleições e muitos se declaram completamente desiludidos com a política, preferindo votar nulo ou não votar do que procurar saber as propostas de cada candidato. Poucos são os que acreditam em alguma mudança real na situação política.

7) Por tudo que tenho visto nos últimos 8 anos não tiro a razão deles, mas sempre tento estimulá-los a participar ativamente da vida política, afinal não participar é permitir que outros tomem as decisões por eles.

8) O cineasta José Sette está gravando a propaganda eleitoral do PSOL para o horário eleitoral na TV.  A expectativa é a melhor possível, vamos aguardar pra ver como vai ficar.

Aula de Química: Modelos Atômicos


Cabo Frio tem solução! Vote 50!!!


Cabo Frio tem opção, Cabo Frio tem solução!
Diga não aos coronéis da politicagem!
Vote consciente, valorize seu voto, vote nos candidatos do PSOL, vote 50!

PSOL o partido na nova política, da política honesta e comprometida com os trabalhadores e as necessidades da população!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Comissão de Educação da ALERJ discute as exonerações nas direções da escolas estaduais

A Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio (ALERJ) defendeu a eleição direta para a escolha dos diretores das escolas da rede estadual de ensino. A afirmação foi feita pelo presidente da comissão, deputado Comte Bittencourt (PPS), nesta quarta-feira (01/08), durante audiência pública realizada na Alerj. “A comissão quer um ambiente democrático dentro das escolas. A questão da eleição direta para diretor é exitosa em vários municípios, inclusive na cidade do Rio de Janeiro, onde se conciliou o mérito, a qualificação e o preparo com a liberdade de escolha da comunidade escolar”, apontou o parlamentar.

A direção do Sepe esteve presente e criticou as centenas de exonerações das diretorias das unidades, que estão ocorrendo na rede desde o ano passado; o Sepe criticou também que desde 2003 a rede não realiza eleição direta, abrindo espaço para as indicações políticas, a partir de critérios pouco transparentes. Dezenas de profissionais e alunos do IERP Nova Iguaçu, que sofre intervenção da SEEDUC desde maio, também compareceram.

 O presidente da Comissão de Educação defendeu também que a comunidade escolar é o setor que mais conhece a escola no momento de escolher a direção: “Entendemos que quem tem que indicar um diretor de escola é a própria comunidade escolar, ninguém melhor que o usuário para definir quem deve assumir esse posto. Acho que ambiente para avançarmos, conciliando o mérito com a questão da eleição direta para diretores de escolas”, disse.

Durante a audiência, a comissão pediu à Seeduc um relatório com o número de todas as mudanças que foram feitas na gestão das escolas, em quais unidades houve trocas e quais os reais motivos dessas mudanças. Os deputados Pedro Fernandes e André Lazaroni, ambos do PMDB, André Correa (PSD), Paulo Ramos e Luiz Martins, do PDT, e Robson Leite (PT) também participaram da audiência.

Pela SEEDUC compareceu o subsecretário de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), Luiz Becker.

SEPE RJ 

Ação do PSDB contra blogs e sites é arquivada!


Procuradoria defende liberdade de opinião e arquiva ação tucana contra blogs e sites


O procurador regional da República adjunto José Jairo Gomes determinou hoje (1º) o arquivamento de ação movida pelo PSDB, cujo objetivo era impedir publicidade oficial em sites e blogs que não se alinham política e ideologicamente com os tucanos. Na blogosfera, a ação foi entendida como uma tentativa de censura promovida a mando de José Serra, candidato do partido à prefeitura de São Paulo.
 
Entre os alvos da ação estavam o site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, e o Advivo, do também jornalista Luis Nassif. Segundo os tucanos, esses e outros veículos estariam recebendo verbas do governo (via publicidade) para enaltecer o PT e depreciar o PSDB e seus candidatos.

Ao negar o pedido, o procurador argumentou que a acusação carecia de provas ou de elementos que pudessem levar a uma investigação. Também enfatizou garantias constitucionais como liberdade de imprensa, liberdade de expressão e liberdade de manifestação.

"Inicialmente, observa-se que a representação encontra-se embasada exclusivamente na descrição de notícias veiculadas em jornais e revistas. Sequer se fez acompanhar de cópia das citadas notícias ou mesmo de informações completas de suas fontes. O parco embasamento da peça inviabiliza a verificação do verdadeiro conteúdo ou da veiculação das referidas notícias", diz um trecho do parecer.

Sem relevância

Os tucanos haviam juntado ao pedido matérias da revista Veja e dos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, nas quais esses veículos insinuam ou afirmam que os blogueiros estariam sendo beneficiados irregularmente.  Mas o promotor não entendeu assim.

"Com efeito, sob a luz das normas restritivas do Eleitoral, as notícias da Revista Veja e dos jornais O Globo e Folha de São Paulo não trazem nada de relevante do ponto de vista jurídico", diz ele.

Direito fundamental de opinião

Um dos textos juntados à representação – publicado em O Globo – trata da fala do ex-ministro José Dirceu durante um ato da União Nacional dos Estudantes (UNE), em que ele conclama organizações estudantis a defenderem os réus do chamado "mensalão" contra as manipulações e pré-condenações da mídia.  

O procurador não vê crime no pedido de Dirceu. "(...) Mesmo que o seu pedido fosse atendido e estudantes ou filiados a UNE ou União dos Estudantes Socialistas viessem às ruas em sua defesa, ainda assim seria difícil concluir-se pela prática de algum ilícito. Isso porque estariam exercendo direito fundamental de expressão e opinião", afirma.

Blogueiros com Haddad

Por fim, Gomes recusa-se a aceitar a argumentação de que um encontro do candidato petista Fernando Haddad com blogueiros, em São Paulo, comprovaria a tese tucana.

"Não se vislumbra qualquer ilegalidade no fato de pré-candidato ao cargo de prefeito se reunir com 'blogueiros', mesmo que seja para pedir a veiculação de propaganda eleitoral em seu favor e que dentre eles se encontrem presentes representantes de entes, blogs e sítios da internet que recebem verbas públicas", conclui.

Comandante Sérgio Simões não deve receber homenagem da Alerj


A proposta de conceder uma honraria ao comandante Simões não é coerente. Ele foi a mão do Cabral nas injustas decisões de prisão e expulsão de militares na luta por melhores condições.



YouTube

Reflexões sobre o que um cidadão comum pensa sobre política


Vamos, neste espaço democrático, parar por um instante e despirmo-nos de todas as nossas idéias pré-concebidas. Dos nossos valores burgueses. Das nossas crenças e ideologias.

Muito, mas muito mesmo (e, diversas vezes, com toda a propriedade, diga-se de passagem), falamos aqui em dicotomias que permeiam o nosso tempo: direita x esquerda; capital x trabalho; capitalismo x socialismo etc. São discussões estimulantes, apaixonantes, virulentas e, apesar disso tudo, muitas vezes, vazias.

Vazias? Podem me chamar de herege, alienado, louco, sei lá. Bem, para mim, deixarei bem claro, elas não tem nada de vazias, pelo contrário. Mas, pensemos bem acerca das pessoas que nos rodeiam. Façamos um exercício de observação empírica.

Alguém aqui acha mesmo que o cidadão comum, seja ele brasileiro, nepalês, mexicano, romeno, entre outros, sai de casa, diariamente, preocupado com tais rivalidades, digamos assim. Não fiz pesquisas científicas, baseadas em entrevistas com tais pessoas. Portanto, emitirei apenas uma opinião: não, essas pessoas não pensam nisso (embora eu acredite que elas estejam cometendo um erro não pensando nisso. Mas aí já é um outro assunto).

O cidadão comum sai de casa pensando na manutenção de seu emprego, no seu sustento, no sustento da sua família, no seu time de futebol, na sua amante e por aí vai. Todos estes, também são assuntos importantíssimos.

Costumo ir de trem ao meu trabalho, pois a viagem de casa até lá, só de ida, mede uma distância de espantosos 58 km. É neste tipo de transporte, na cidade do Rio de Janeiro (creio que em quaisquer outros grandes centros a situação seja análoga), que assistimos pessoas de todos os tipos tentando ganhar o seu pão diário. Vendedores de bala, de amendoim, de pilhas, pedintes, pregadores, entre outros, simplesmente alheios às discussões ideológicas. Alheios, contudo imersos na lama do sistema que os puxa, com uma fúria insana, cada vez mais para o fundo.

Mesmo assim, muitos ainda conseguem sorrir com sinceridade e satisfação. Têm prazer por estarem existindo. Isto gera perplexidade e inveja. Sim, tenho, muitas vezes, inveja desses bravos guerreiros.

O que os nomes Mao, Fidel, Smith, Keynes, Marx, Popper, Schumpeter, Gramsci, entre outros, significam para eles? O que esquerda, direita, centro, centro-esquerda, centro-direita etc, significam para eles? O que capitalismo, socialismo, anarquismo, niilismo, nazismo etc, significam para eles? Eu acho que nada.

Quando eu assisti ao filme “O nome da rosa”, baseado no romance homônimo de Umberto Eco, uma frase de um monge, o Venerável Jorge, ficou para sempre na minha cabeça: “Quanto mais sabedoria, mais tristeza advém.”

Creio que há muita verdade nesta frase. As pessoas que mais sabem, mais ficam indignadas, revoltadas. Entretanto, há uma grande mentira, também. As pessoas que mais sabem, são aquelas que podem mudar a situação na qual se encontram.

 Walter Martins

"Ordens superiores" mandaram Polícia Federal parar de investigar ligações de Paes e Cabral com a Delta

Um grupo de policiais federais está indignado e disposto a abrir a boca, e complicar a vida de Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Eles pretendem revelar que receberam determinação superior para segurar as investigações que davam sequência às operações Vegas e Monte Carlo, que mostraram a conexão entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e a empreiteira Delta, de Fernando Cavendish, o grande amigo de Cabral.

O nome da operação que chegou a fazer inúmeras gravações autorizadas pela Justiça chama-se
"Pedra Bonita", numa referência - por sinal muito apropriada - ao mirante carioca de onde saltam os praticantes de Asa Delta, na Pedra da Gávea.

O material obtido segundo tomei conhecimento é arrasador com Paes e Cabral.
Se a CPI de fato não estender as investigações da Delta às administrações de Cabral e Paes, esse grupo de policiais federais vai começar a vazar as gravações para veículos de comunicação. O trabalho já estava bastante adiantado quando "alguém muito poderoso" pediu pra segurar tudo até passar a eleição.

É bom lembrar que Cabral não é candidato, Eduardo Paes é que está disputando a eleição deste ano. Convenhamos que não é preciso um grande esforço para concluir que
as investigações da Polícia Federal se vierem a público terão um efeito devastador sobre a candidatura de Eduardo Paes.

Só deixo uma pergunta no ar que vários agentes da PF andam fazendo com indignação: É Polícia Federal ou política federal?



Em tempo: Durante esta semana para aqueles que não acompanharam pelo blog a divulgação das farras na Europa, de Cabral, Fernando Cavendish e a Gangue dos Guardanapos, vamos reproduzir o material como uma minissérie.

Garotinho

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cuidado com o GERM! Estamos infectados!

GERM muito comum na Seeduc RJ chamado "Risoliis Gides"
Pasi Sahlberg é um educador finlandês brilhante que está tentando reverter a maré global de políticas educativas destrutivas.

Sahlberg escreveu um livro importante, Lições finlandesas, explicando como o sistema educativo finlandês foi transformado nos últimos trinta anos e se tornou uma das nações de mais alto desempenho do mundo nos testes do PISA de leitura, matemática e ciência.


Recentemente Sahlberg escreveu um artigo que resume a sua opinião no blog de Valerie Strauss's Answer Sheet no Washington Post.

Sahlberg adverte que há agora um vírus infeccioso que varre o mundo e que ele chama de GERM (Global Education Reform Movement) Movimento Gobal de Reforma da Educação.
O GERM é caracterizado por forte ênfase no estilo das reformas de mercado: testes, dados de medição de alunos e professores, ranking, escolha, concorrência.

A Finlândia tem resistido ao vírus GERM. Seus alunos não têm testes padronizados, eles fazem testes feitos por seus professores, cujo julgamento profissional e autonomia são profundamente respeitados por todos.

A Finlândia tem a certeza que todos os seus filhos estão bem cuidados, menos de 5 por cento vivem na pobreza. Nossa taxa de pobreza infantil é perto de 25 por cento.

A Finlândia tornou-se uma grande “performer”, ele escreve, não buscando a excelência, mas buscando a equidade, perseguindo a meta de boas escolas para todos.

Todos os professores finlandeses são bem formados em seus temas e em pedagogia, adquiridos em uma universidade acadêmica, todos os professores devem ter um mestrado antes que eles possam ensinar. É interessante notar que, ao contrário, um número crescente de professores nos EUA estão recebendo as suas credenciais e diplomas de universidades on-line. Muitos estados estão diminuindo as exigências para ser professor.

Aqui estão os sintomas da GERM, descritos por Sahlberg:

O primeiro sintoma é a introdução de mais concorrência no âmbito dos sistemas educativos. Muitos reformadores acreditam que a qualidade do ensino melhora quando as escolas competem umas contra as outras. Para competir, as escolas precisam de mais autonomia, e com essa autonomia vem a exigência de responsabilização. Inspeções às escolas, testes padronizados de estudantes, avaliação da eficácia do professor são consequências da competição de mercado nas reformas escolares de hoje. No entanto, quando as escolas competem umas contra as outras, eles cooperam menos.

O segundo sintoma da GERM é o aumento da escolha da escola. Ela essencialmente posiciona os pais como consumidores capacitando-os a escolher as escolas para seus filhos entre várias opções e, assim, promove a concorrência ao estilo do mercado no sistema escolar à medida que as escolas buscam atrair os pais. Mais de dois terços dos países da OCDE aumentaram as oportunidades de escolha da escola para as famílias com a ideia de que os mecanismos de mercado na educação permitiriam um acesso igual à educação de alta qualidade para todos. Um número crescente de escolas charter nos Estados Unidos, academias de escolas secundárias na Inglaterra, escolas livres na Suécia e escolas particulares na Austrália são exemplos de expansão das políticas de escolha da escola. Ainda de acordo com a OCDE, os países que perseguem essa escolha tiveram tanto um declínio em seus resultados acadêmicos, como assistiram a um aumento da segregação escolar.

O terceiro sinal da GERM é o aumento da responsabilização das escolas e dos testes padronizados relacionados aos estudantes. Assim como no mercado, muitos acreditam que tornar os professores e as escolas responsáveis pela aprendizagem dos alunos levará a melhores resultados. Hoje os resultados dos testes padronizados são a forma mais comum de decidir se as escolas estão fazendo um bom trabalho. A eficácia dos professores medida por meio de testes padronizados dos alunos é um sintoma da GERM. De acordo com o Centro de Educação Pública, testes padronizados aumentaram o ensinar para a prova, estreitaram os currículos para priorizar a leitura e matemática, e afastaram o ensino da arte da pedagogia e levam a uma instrução mecanicista.
Nós temos um caso fracassado de GERM nos EUA. Nós estamos até exportando-a para outros países, incluindo Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Nossos produtos educacionais e ideias devem ser colocados em quarentena nas fronteiras. Precisamos de medicação para parar o vírus dentro de nossas próprias fronteiras.  
Vamos ver neste movimento de "reforma" o que ele realmente é: um esforço corajoso para privatizar a educação pública e abri-la para o investimento privado. Este não é um "movimento dos direitos civis." Este é um ataque a uma instituição democrática básica.
Diane Ravitch

O autoritarismo antigreve de Dilma

"Aqui pra vocês que estão em greve!"
O modo como o governo Dilma Rousseff vem lidando com as greves do funcionalismo público deveria suscitar preocupação não apenas entre os diretamente envolvidos na questão, mas em todos que prezam pelo avanço democrático e pelo respeito aos direitos trabalhistas.


Como veremos no decorrer deste texto, o Decreto 7.777, publicado no último dia 25 e que prevê a substituição dos grevistas de órgãos federais por servidores estaduais e municipais, é o ponto mais baixo de um processo em que a conduta do governo tem se caracterizado pela falta de diálogo, pelo recurso ao ilusionismo financeiro, pela tentativa de jogar a opinião pública contra os grevistas - e, agora, com essa medida draconiana, por um autoritarismo incompatível, na forma e no conteúdo, com o país democrático, lar de políticas sociais avançadas e player internacional que o próprio governo constantemente alardeia sermos.


Já no início, uma guinada conservadora
Eleito como um governo de centro-esquerda que prometia aprofundar as conquistas da Era Lula, a administração comandada por Dilma, não obstante seus méritos pontuais, tem se caracterizado, desde o primeiro momento, pela primazia irrestrita que concede ao campo econômico em relação às demais áreas – inclusive Educação e Saúde – e pela falta de diálogo com a sociedade.

A prioridade irrestrita ao econômico que caracteriza a administração de Dilma se traduziu, em um primeiro momento (fevereiro de 2010), na readoção de um receituário à moda neoliberal, com um duríssimo choque anticíclico que teve como meta não apenas aumentar o então já alto superávit primário, mas zerar o déficit nominal [gastos menos despesas, incluindo pagamento de juros]. Em nome desse agrado aos bancos e ao mercado financeiro foi então anunciado um corte de R$50 bilhões nos gastos públicos, que afetou diretamente Saúde, Educação e demais áreas sociais (com exceção dos programas de renda mínima), estabeleceu um salário mínimo sem aumento real, fixado em mais que módicos R$545,00, e determinou a suspensão de novos concursos e de contratação de aprovados em concursos anteriores.


Kill the messenger
No mesmo mês de fevereiro este blog denunciou o caráter recessivo das medidas, sua incoerência com o que fora defendido durante a campanha eleitoral e, sobretudo, o retrocesso que, abrindo flancos político-ideológicos potencialmente danosos à centro-esquerda, significava em relação aos avanços do governo Lula. Só faltou sermos apedrejados por blogueiros e comentaristas ainda entusiasmados pela vitoria eleitoral e inconformados com o desplante de se criticar um governo que mal entrava em seu segundo mês, num cenário de crise, pelo que viam como meros ajustes na economia.

O jornalista e blogueiro Luis Nassif foi uma das raríssimas vozes da blogosfera a, no calor da hora, apontar a inadequação e a prognosticar danos futuros à economia brasileira por conta de tal “pacote econômico” - sem o qual, como ele demonstra em coluna da semana passada, o momento econômico atual tenderia a ser outro, bem melhor. Mas a equipe econômica chefiada por Mantega levaria meses para se dar conta do desacerto e voltar a apostar na expansão do crédito e do consumo e numa ralentada retomada de investimentos estatais como forma de melhorar o desempenho da economia – sempre sem exorcizar a obsessão com os altos superávits, o que acaba por levar, inexoravelmente, a resultados contraditórios, dos quais a atual situação do servidor público é, como veremos, exemplo cabal.


Perfis públicos
Antes, porém, examinemos a questão da falta de diálogo do governo com a sociedade, que é hoje traço distintivo do poder federal. Ela foi inicialmente interpretada como uma impressão advinda da mudança de estilo trazida pela sucessão presidencial, do expansivo e brincalhão Lula para a mais reservada e austera Dilma. Criou-se inclusive um anedotário a respeito, o qual, por sua vez, não esteve livre dos preconceitos que de ordinário imbuem as questões de gênero em um país profundamente machista.

Por outro lado, a própria mídia, interessada em criar uma falso antagonismo entre a atual mandatária e o seu antecessor - em detrimento deste -, acabou por ressaltar, em inúmeras matérias, a “seriedade”, “determinação” e “objetividade” da presidenta como características positivas, em oposição ao que sempre viu como excessos, mau gosto e populismo inculto de Lula, a quem nunca engoliu. Ao final, como parece indicar o grau de aprovação pessoal de Dilma, o país não só se acostumou, mas acabou por afeiçoar-se ao seu estilo.


Silêncios do palácio
Ocorre, porém, como agora fica dolorosamente claro, que a questão nunca se restringiu a uma mera mudança de estilos pessoais na Presidência. É provável, na verdade, que as discussões sobre o tema tenham colaborado para desviar o foco do problema real: o fato de que foi a administração Dilma como um todo que abandonou a saudável prática de dialogar constantemente com a sociedade, vigente nos oito anos anteriores, e, sob uma liderança por demais concentradora e a primazia de uma área econômica que se crê onipotente e tem sempre a última palavra, isolou-se em tecnicismos e certezas palacianas.

No governo Lula, o diálogo constante com a sociedade – através de lideranças, sindicatos, grupos de trabalho, ONGs -, além de distender as tensões e, em algum grau, facilitar a empatia entre um lado e outro, dava a ambos, em curtos intervalos de tempo, uma noção dos termos pretendidos pelos requerentes e pelos donos das canetas. Sem isso, a atual administração dá frequentemente mostras de estar sendo surpreendida pelas demandas trabalhistas (o que é evidentemente falso, já que ela acompanha os sindicatos por outros canais, unilaterais), reage mal, demora uma enormidade para agendar uma mera reunião conciliatória (mais de um mês, no caso dos professores federais) e as raras contrapropostas que faz trazem a evidência do mais primário improviso.


Quem não se comunica...
No primeiro dos textos deste blog dedicados à greve dos professores federais, afirmei que a paralisação teria sido facilmente evitada se o governo tivesse simplesmente mantido o diálogo aberto. Tal premissa tem sido corroborada também pela greve dos funcionários públicos federais como um todo, que envolve 25 categorias profissionais, e que só foi deflagrada quando ficou claro que não havia possibilidade de diálogo. A nota oficial difundida pela CUT em relação ao decreto 7.777 confirma os aspectos deletérios do isolamento governamental: “Para resolver conflitos, o caminho é o diálogo, a negociação e o acordo. Sem isso, a greve é a única saída”.

Na ausência de tais canais de comunicação, o confronto entre grevistas e patrões, natural numa democracia, é deslocado do espaço público presencial de debate e negociação - que num governo democrático, trabalhista e alegadamente de centro-esquerda deveria ser a mesa de negociações - e virtualmente restrito, nas condições e frequência que o governo determinar, à arena pública – a qual, nas sociedades contemporâneas, é dominada pela mídia.


Mídia e mercado
E a mídia corporativa, como está sobejamente demonstrado na literatura a respeito, tem hoje seus interesses de tal forma consonantes aos do mercado que se tornou não apenas seu porta-voz, mas uma sua parte constituinte. Com ele divide, naturalmente, a adoção do receituário neoliberal como panaceia de todas as horas, evidência que o atual rumo dos países europeus em crise não apenas corrobora mas cujos efeitos, através do esgarçamento de seu tecido social, denuncia.

Para compreender como o governo Dilma tem conseguido, em larga medida, instrumentalizar a mídia – de ordinário, refratária ao governo petista - a seu favor durante as greves deste ano é preciso ter claro a afinidade entre a orientação neoliberal das corporações midiáticas - aí incluída sua repulsa pelo funcionalismo público e por tudo que seja estatal, com exceção das verbas publicitárias – e a hesitação de um governo em profundo conflito entre, de um lado, o “modelo” de retomada do papel do Estado tal como inicialmente a aliança federal petista propusera e, de outro, as restrições impostas pelo economicismo hegemônico no interior da administração, o qual tende a açular ainda mais, no interior da administração, os temores relativos à crise econômica mundial. (A respeito da aliança mídia-governo em relação à greve dos professores, vale muito a pena ler este 
post de Weden.)


Questões fundamentais
Como dito parágrafos acima, a situação dos servidores públicos ora em greve é didaticamente exemplar do efeito de tais contradições: ao mesmo tempo que eles assistiram, nos anos Lula, à notável expansão percentual de sua presença no mercado de trabalho nacional, veem-se sujeitos a longos períodos sem aumentos salariais e, no mais das vezes, a trabalhar em situações que variam do precário ao intolerável; enquanto boa parte do país se refestela – ainda que a custa de endividamento - numa festa de consumismo, desenvolvimentismo, otimismo e outros ismos, eles viram sua aposentadoria futura ser substancialmente reduzida, numa medida que combinou agressão à expectativa de direito de alguns e regressão dos direitos trabalhistas potenciais de toda a sociedade; enquanto uma maioria de brasileiros afirma, nas pesquisas, a prioridade que deve ser dada a educação, saúde e segurança pública, professores, médicos do SUS e policiais continuam não apenas sub-remunerados mas subvalorizados socialmente.

Queremos ou não ser uma nação com nível educacional aprimorado? Vamos realmente investir num modelo de saúde pública inclusivo e de qualidade, que preserve o cidadão tanto das filas insuportáveis do atual sistema público quanto da farra dos planos de saúde? Está no horizonte do país realmente enfrentar a questão da segurança pública de modo a erradicar nossos pornográficos índices de violência, de abuso policial e de corrupção? A resposta a essas perguntas passa, necessariamente, pela valorização não apenas do professor, do médico e do policial, mas de todo o aparato de recursos humanos que possibilita a ação do Estado.


E é nesse contexto, como um primeiro e necessário choque de realidade, que se insere a greve dos servidores. O movimento não é, de forma nenhuma, um episódio de mesquinhas disputas partidárias, como alguns aspones mal intencionados querem caracterizar, mas parte de um embate decisivo sobre que modelo de desenvolvimento vamos priorizar como país, qual lugar os recursos humanos e o próprio Estado enquanto agente social e ente econômico vão nele ocupar.


Autoritarismo e regressão
Porém ao recusar o diálogo e manter-se inflexível, ao apelar a artifícios enganadores e, sobretudo, ao radicalizar e lançar mão do instrumento por si autoritário do decreto para, na prática, violar o instituto do direito de greve, o governo Dilma transpassa a barreira do aceitável em uma sociedade democrática e suscita sérias dúvidas quanto às suas intenções e horizontes. Para a CUT, “Esta inflexão do decreto governamental nos deixa extremamente preocupados. Reprimir manifestações legítimas é aplicar o projeto que nós derrotamos nas urnas.”


Pois graças à inflexibilidade, à atitude de confronto e, agora, à tentativa de esvaziar uma forma de protesto prevista na lei incitando fura-greves e procurando inseminar cizânia entre os próprios trabalhadores, assiste-se à irrupção de uma forma de autoritarismo inédita no passado recente do país, patrocinada por um governo que se publiciza como progressista e de centro-esquerda

Altamiro Borges

Panorama dos eleitores brasileiros

Maioria do eleitorado é mulher e tem entre 25 e 34 anos

Dados divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que o eleitorado brasileiro é formado em sua maioria por mulheres, com idade entre 25 e 34 anos. O total dessa faixa do eleitorado é de 17.087.031 de eleitoras. Entre os homens, a maioria dos eleitores, 16.233.135, também está na mesma faixa etária.

 
Apesar de a maioria dos eleitores brasileiros ter entre 25 e 34 anos, a porcentagem de eleitores nesta faixa etária diminuiu. Enquanto em 2008, esses eleitores eram 31.677.802 pessoas e representavam 24,30% do total, em 2012 são 31.677.802, mas representam 23,69%.

A segunda faixa etária com maior número de eleitores é a de 45 a 59 anos, com 32.415.699, 23,05% do total, seguida pela formada por pessoas entre 35 a 44 anos, com 27.496.388 (19,55% do total) e 21 a 24 anos, que são 13.050.412 (9,28% do total).

O eleitorado feminino, no total de todas as faixas etárias, supera o masculino em aproximadamente cinco milhões. Enquanto as mulheres representam 72.877.463 dos eleitores, 51,09% do total, os homens são 67.382.594, 47,99%.

 
Instrução
Assim como em 2008, a maioria do eleitorado ainda é composto por pessoas com o ensino fundamental incompleto. Contudo, a porcentagem de eleitores com esse grau de instrução diminuiu, e passou de 34,07% (44.457.639 de pessoas) em 2008 para 31,935 (44.834.433) em 2012.

O segundo maior nível de eleitores é o formado por pessoas com ensino médio incompleto, 27.626.156 (19,67% do total), número maior que em 2008, quando 23.618.901 (18,10%) de eleitores com esse grau de instrução estavam registrados.

Apesar de o eleitorado de pessoas com o ensino superior completo ter aumentado este ano - passou de 4.558.888 (3,49% do total em 2008) para 6.168.044 (4,39%) em 2012 - o número ainda é inferior ao de eleitores analfabetos, que são 7.792.250 (5,55% do total) em 2012, número menor do que os 8.097.709 (6,20%) registrado em 2008.
 

Maior colégio eleitoral
Maior colégio eleitoral do País, São Paulo representa 22% do eleitorado nacional. Dos 140 milhões aptos a votar nas eleições municipais em outubro, 31 milhões são paulistas. Só na capital, são 8 milhões de votantes, mais do que 23 estados brasileiros, perdendo apenas para Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

Em Borá, na região sudoeste, considerada a menor cidade de São Paulo são apenas 1.071 inscritos.
 

Possibilidade de 2° turno
A estatística divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que existem 25 municípios paulistas com mais de 200 mil eleitores, onde existe a possibilidade de 2º turno (quatro a mais do que o levantamento de 2008, quando ocorreu o último pleito municipal).

Essas 25 cidades têm o eleitorado equivalente a 55% do total do Estado (que conta com 645 municípios). São mais de 17 milhões que poderão voltar às urnas no dia 28 de outubro, caso a disputa não seja decidida no 1º turno.

Vermelho 

Nasa mostra como sonda vai pousar em Marte

Sonda Mars Curiosity vai recolher dados geológicos de Marte.
O chefe da missão da Nasa que vai enviar a sonda Mars Curiosity para Marte revelou a estratégia ousada para o pouso no planeta. Adam Steltzner e a equipe da agência espacial americana criaram um plano para que o veículo de exploração pouse em segurança neste domingo (5). O veículo vai recolher dados geológicos do planeta vermelho.

Ao entrar na atmosfera, a sonda estará em uma velocidade muita alta. Um paraquedas vai se abrir e diminuir essa velocidade, mas ainda não será o bastante para que o veículo chegue à superfície em segurança. Um radar vai analisar o local do pouso e o veículo vai se desprender dos paraquedas, ligar os foguetes e começar o pouso propriamente dito.

A apenas 20 metros de altura, o veículo se soltará parcialmente da parte onde estão os foguetes e ficará pendurado por um guindaste. Dessa forma, pendurado, o veículo de exploração tocará a superfície de Marte.



G1