A CRÍTICA COMO ELEMENTO DA CIDADANIA
Um fato que chama atenção aqui em Cabo Frio quando se analisa os ‘grupos” que
estavam ou estão no poder é a dificuldade que eles têm em lidar com as críticas
que são feitas pelos vários seguimentos da sociedade que não compartilham com a
forma de como é administrada a cidade.
Na grande maioria das vezes, a resposta que é dada não é em cima dos
argumentos utilizados, mas sim, buscando
uma tentativa de desqualificar o seguimento ou o cidadão que fez as criticas,
principalmente, quando a crítica é feita de forma evidente e contundente não
deixando dúvidas a razão.
A tentativa de calar a opinião pública exercendo controle sobre as
rádios, TVs e jornais, usando para isso o grande poder econômico de maior
anunciante é um fato consumado. Mostra a falta de capacidade de dialogar com a
opinião contrária e o viés autoritário que vem marcando os últimos governos da
nossa cidade.
Alguns “mandatários de plantão” beiram ao ridículo, quando alegam que a
critica é feita por quem não ocupa nenhum cargo público ou não tem votos, como
se o cidadão comum não tivesse o direito e a capacidade de fazer criticas sobre
qualquer fato referente à administração pública.
Outro argumento muito utilizado por eles para desqualificar a crítica é
dizer que o crítico não tem nenhum “trabalho” realizado em prol da comunidade.
O “trabalho” referido é sempre atividades assistencialistas, feitas nas brechas
deixadas de propósito pelo Poder Público, usurpando a cidadania daquele cidadão
mais humilde e vulnerável, muitas vezes feitas com dinheiro público desviado,
quando não, patrocinado por algum empresário que depois, certamente, vai cobrar
esta conta.
Outros, na falta de qualquer argumento crítico verídico para
contradizer, partem para a leviandade e a calúnia, apontando situações
inverossímeis, sem qualquer prova ou fato que a justifiquem. Destes infelizes,
eu tenho apenas o sentimento de pena.
Com a chegada das rádios e TVs alternativas ou comunitárias, redes
sociais, twiter, e principalmente dos blogs, este contexto crítico legítimo
ganhou novos contornos e dificultou para os governantes o uso da força política
para esconder fatos e denúncias de nossa população.
Entendo este governo atual como continuidade do anterior. Ambos repetem
às mesmas práticas conservadoras, principalmente, a falta de transparência.
Portanto, o fato de estar no poder há apenas 100 dias não o torna imune a
nenhuma crítica. Noto que a sinalização que ele dá neste início em suas
práticas, prioridades estabelecidas e decisões de políticas públicas, como
apontei no artigo passado, conduzem à mesmice de sempre. É a política da
“melhorazinha”, sem atuar de fato no sentido de reestruturar de forma
definitiva as várias áreas da administração pública, principalmente, a saúde e
a educação.
Por exemplo: Por que o governo atual se recusa a divulgar o
quantitativo de contratados e concursados? Por que o site da transparência foi
retirado do ar?
Existem várias outras perguntas que poderiam ser respondidas se
houvesse de fato interesse na transparência da coisa pública.
O governo anterior, de triste memória, procedia da mesma forma.
A política, hoje, infelizmente, vive sob a égide da corrupção e do
poder econômico, mas não pode ser motivo de desculpas para cruzarmos nossos
braços.
Tudo na nossa vida depende de decisões políticas, usando o sentido mais
amplo da palavra. Mesmo aquele cidadão que se sente menos impactado por
qualquer decisão governamental tem o dever social de ter responsabilidade com o
coletivo da sociedade. Não é possível construir uma nação sem estes valores.
“Sem liberdade de crítica,
não existe elogio sincero”. Pierre Beaumarchais
![]() |
|
Cláudio Leitão é economista e membro da executiva do PSOL Cabo Frio.
|




















