domingo, 8 de setembro de 2013

Polícia reprime de forma truculenta manifestantes!

Manifestantes são cercados por policiais militares que fechou Avenida Mem de Sá na Lapa; bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas 
Houve, ao menos, 79 detidos; bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas. Barreiras policiais foram montadas para impedir que manifestantes chegassem à sede do governo estadual.

Após série de tumultos durante desfile de Sete de Setembro pela manhã, no Centro do Rio, manifestantes e policiais militares voltaram a entrar em confronto na noite deste sábado em Laranjeiras, na Zona Sul, e o conflito se estendeu à Lapa. No bairro boêmio, a Avenida Mem de Sá chegou a ser interditada na altura dos Arcos, devido ao tumulto. 

Foram lançadas bombas de gás lacrimogêneo para dispersar as pessoas. Houve correria e confusão. Lixeiras foram destruídas, e bares foram fechados, como o Carioca da Gema, o Belmonte, o Bar Brasil e o Bar da Garrafa. Pessoas que estavam na região ficaram assustadas. O tradicional Baile Charme, na Rua do Lavradio, foi encerrado mais cedo, devido ao excesso de bombas estourando. De acordo com a PM, houve 79 detidos ao longo do sábado na cidade. Devido aos confrontos na Avenida Presidente Vargas, 27 pessoas foram encaminhadas a delegacias. Já na Zona Sul, os atos causaram 50 detenções. No fim da noite, na Lapa, houve, ao menos, dois detidos.

Em Laranjeiras, cerca de 200 integrantes do protesto tentaram ultrapassar à noite barreiras montadas por PMs perto do Palácio da Guanabara, a fim de chegar à sede do governo estadual. Militares lançaram bombas de gás lacrimogêneo, a fim de dispersar as pessoas, o que causou correria e confusão. Já vândalos incendiaram lixeiras e também quebraram dois abrigos de ponto de ônibus no Largo do Machado. Além disso, incediaram um orelhão, que foi jogado no meio da rua, e destruíram agências bancárias e vidros do elevador de acesso ao metrô. Tudo isso em meio a muito lixo espalhado pelas ruas. Na Rua da Glória, duas agências bancárias foram depredadas, uma do Itaú e outra do Santander.

Devido à manifestação em Laranjeiras, a estação do metrô Largo do Machado chegou a ser fechada durante instantes. Já a estação Catete foi fechada e reaberta três vezes entre as 18h e 19h. Alguns prédios receberam projeções com mensagens de paz. Um caminhão-pipa foi deslocado ao local, a fim de lançar água contra os manifestantes, a fim de conter tumultos. O Túnel Santa Bárbara e a Rua Pinheiro Machado só foram liberadas após as 22h. Motoristas devem evitar a região, optando pelos túneis Rebouças e da Rua Alice e pelo Aterro do Flamengo. Machucados foram atendidos por médicos voluntários.

Com a dispersão da multidão que estava no Palácio Guanabara, parte da Rua do Catete também sofreu com o vandalismo. Lixeiras foram destruídas em toda a extensão da via. Máscaras e blusas negras foram jogadas no chão e se misturam aos estilhaços de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Policiais do Batalhão de Choque seguem para a 9ª DP (Catete), e um grupo está reunido na Praia do Flamengo, próximo a Rua Silveira Martins. Já manifestantes dispersos se reúnem para seguir para a 9ª DP.

Em meio ao confronto em Laranjeiras, o imóvel que abriga a Sociedade Viva Cazuza, que cuida de crianças com HIV, foi atingido por bombas de gás lacrimogêneo. A ONG fica próxima ao acesso ao Túnel Santa Bárbara. Os artefatos caíram no pátio, mas algumas crianças se queixaram de ter aspirado o gás. O comandante da PM Mauro Andrade disse que irá recolher os artefatos, a fim de verificar qual o lote e saber quem lançou. As informações serão repassadas à Corregedoria. Além disso, o muro da Viva Cazuza foi pichado com inscrições contra a PM e símbolos anarquistas. As pixações foram próximas a um cartaz em que a ONG pede aos grafiteiros que doem o valor de uma lata de spray para a compra de leite para as crianças.

Após permanecerem em frente à Câmara dos Vereadores do Rio, na Cinelândia, após o desfile, o grupo de manifestantes, a maioria usando máscaras, seguiu para a Zona Sul. Pessoas cercaram dois carros da PM, tentando impedir a passagem do veículo. Mas as viaturas acabaram sendo liberadas. Com receio dos protestos, comerciantes fecharam as portas. A Secretaria de Segurança informou que 27 pessoas foram levadas para delegacias para averiguações por conta dos protestos. Doze pessoas ficaram feridas durante os tumultos até o momento.

As detenções
Dos 50 manifestantes detidos em Laranjeiras, na Zona Sul, 45 foram levados para a 21ª DP (Bonsucesso), para consulta de identidade. Após o procedimento, quase todos os integrantes foram soltos, menos um. De acordo com o delegado José Pedro Costa da Silva, ele portava um estilingue e continuará sendo investigado. Outros cinco integrantes foram liberados na hora pelos policiais.

Uma menor, Stephany, de 16 anos, afirmou que estava participando da manifestação, mas sem causar tumulto ou desacatar os policiais.
- Fui detida pois estava correndo em direção à Pinheiro Machado, mas simplesmente estava fugindo do gás lacrimogêneo - disse Stephany, que afirmou que não usava máscara na hora da detenção.
Questionado qual a justificativa para levar os detidos da Zona Sul até a Zona Norte, o delegado afirmou:
- Qualquer delegacia pode fazer ocorrência. Aqui oferecia mais facilidade, mais tranquilidade. Imagina levar todo esse pessoal para a 9ª DP, com até mil pessoas - completou.

Durante o protesto realizado no Centro, Matias Maximiliano Acevedo, fotógrafo da revista Vice, foi encaminhado para a 17ª DP por despejar cerveja em uma viatura da Polícia Militar. O veículo estava estacionado na Avenida Presidente Vargas na esquina com a Praça da República.

- Os policiais estavam prendendo um manifestante, e vi que eles estavam agindo com muita truculência. Vi oficiais dando choques e batendo com cassetete em pessoas que já estavam imobilizadas no chão. Estou acompanhando os protestos desde o dia 17 de junho. Desde então, tenho visto muita covardia e hoje (sábado), me exaltei - explica o fotógrafo de 33 anos, que foi liberado e vai responder por conduta inconveniente.

No início da tarde, centenas de manifestantes bloquearam a Avenida Rio Branco, que chegou a ser totalmente interditada. A via foi liberada por volta de 14h30m. Depois, eles seguiram em passeata até a Cinelândia. Um boneco, representando o governador Sérgio Cabral, foi queimado pelos manifestantes. Uma equipe do Ministério Público esteve presente no local. A Avenida Presidente Vargas também foi totalmente liberada ao trânsito.

Manifestantes do grupo de mascarados conhecido como Black Blocs retiraram as bandeiras do Brasil, do Estado do Rio de Janeiro e do município do Rio que ficavam no monumento a Zumbi na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio. Em seguida, eles atearam fogo nos símbolos. Pouco antes, um novo tumulto foi registrado durante o Grito dos Excluídos, manifestação que começou logo depois do fim do desfile de Sete de Setembro na Presidente Vargas. O grupo, que se reuniu na Rua Uruguaiana, seguia de forma pacífica até a chegada dos Black Blocs. Policiais faziam revistas quando houve correria e alguns manifestantes atiraram garrafas nos agentes. Militares, então, revidaram lançando bombas de gás lacrimogêneo para conter o tumulto na altura da Praça da República, onde, mais cedo, manifestantes haviam invadido, por alguns minutos, a Avenida Presidente Vargas enquanto era realizada a parada militar. O Comando Militar do Leste, no entanto, negou a invasão. Cerca de 500 pessoas participam da nova passeata, que é acompanhada pelo Batalhão de Choque.

Os feridos no protesto
Os feridos na manifestação foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Entre as vítimas estão: três homens feridos por estilhaços, duas idosas que passaram mal por conta do gás lacrimogêneo, uma criança de seis anos que teve escoriações leves e já foi liberada, quatro manifestantes que tinham ferimentos por bala de borracha e outro que ficou desorientado após a explosão de um artefato e outra que levou uma pancada na cabeça. A secretaria informou que nenhum dos casos apresenta gravidade. Das 12 vítimas, três foram liberadas.

Apesar da presença de mascarados, a maioria das pessoas participou do novo ato com o rosto limpo. Os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o governador Sérgio Cabral e cobraram a solução para o caso Amarildo. Bandeiras de partidos e movimentos sociais puderam ser vistas na passeata.

Segundo o professor de Geografia Leon Dias, um dos detidos deles recolhia cartuchos de armamentos da polícia do chão quando a confusão começou. A polícia teria achado que ele recolhia pedras para usar contra os PMs.

Um fotojornalista foi detido por volta das 12h pela PM perto da Central do Brasil. Os policiais não informaram o motivo da prisão e disseram que ele seria apenas levado para o Instituto Médico-Legal para exames. O advogado Rodrigo Mondeo, que representava a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), tentou em vão evitar a prisão. A OAB pede para que a população faça denúncias sobre violência por parte da polícia e dos manifestantes para o e-mail direitoshumanos.adv@gmail.com.

O Metrô Rio informou que a Estação Presidente Vargas foi fechada. Pela manhã, devido ao tumulto durante o desfile, o acesso Campo de Santana da Estação Central também teve de ser fechado. Na estação Central do metrô, mais uma confusão durante a dispersão dos manifestantes. O humorista e ativista Rafucko foi impedido de entrar na estação pelos seguranças da concessionária, por estar usando uma máscara de Carnaval. Os seguranças alegaram motivos de segurança, mas o ativista se recusou a tirar a máscara e pôde acessar ao local após ser identificado pelos policiais militares.

Pela manhã, o site da Polícia Militar saiu do ar, mas a corporação negou que tenha sido por ação de hackers. Segundo o perfil da PM no Twitter, o grande número de acessos derrubou a página.

O Globo

Ataque químico na Síria foi invenção dos EUA, diz hacker

Hacker apresenta e-mails interceptados que sugerem que os EUA forjaram ataque químico na Síria. Em conversa, membros da cúpula do Exército norte-americano se parabenizam por ação

Um hacker norte-americano apresentou nesta quarta-feira (04/09) supostos e-mails interceptados da Inteligência dos EUA. O conteúdo das mensagens sugere que o ataque com armas químicas na Síria foi forjado. Mais do que isso, diz o pirata cibernético, foi o próprio Pentágono que organizou uma suposta farsa. “Bom trabalho”, teria dito um coronel ao outro após ver o “sucesso da operação” no noticiário internacional. (Veja o e-mail abaixo)

“Eu consegui acesso ao e-mail do coronel Anthony Jamie Mac Donald e interceptei uma conversa entre ele e seu colega de Exército, Eugene Furst. Este parabeniza o coronel e mostra o link de uma reportagem do Washington Post sobre o ataque químico realizado na Síria. Ele usou a expressão ‘bem organizado’ (traduçao livre para “well staged”) na hora de parabenizar Jamie MacDonald. Eu não conseguia acreditar no que estava lendo”, narra o hacker no portal Pastebin.

Os correios eletrônicos foram enviados em 22 de agosto, um dia após ao suposto ataque químico na Síria. Washington acusa o governo sírio de ter assassinado 1.429 pessoas – incluindo 426 crianças. Segundo o secretário de Estado, John Kerry, há provas “claras e convincentes” de que a ação foi realizada pelo presidente Bashar al Assad. No entanto, até o momento, não há qualquer confirmação oficial da ONU (Organização das Nações Unidas) ou provas concretas de um ataque químico.

O hacker norte-americano também apresentou outras mensagens eletrônicas entre o coronel Mac Donald e uma amiga, que mostra preocupação com a morte das crianças sírias. “Não se preocupe, as crianças não ficaram feridas. Aquilo foi feito apenas para as câmeras”, respondeu o membro das Forças Armadas.

A Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira (04) uma resolução que autoriza um ataque militar à Síria. A decisão proíbe que as tropas norte-americanas avancem em território sírio e limita a duração da ação a 60 dias, segundo informações divulgadas no site do Senado.

Com 10 votos a favor, 7 contra, e 1 abstenção, a comissão aprovou uma proposta bipartidária, o que representa uma importante vitória política para o presidente Barack Obama. A sessão plenária do Senado deve votar o documento na próxima semana. Depois ele deverá ser discutido e votado na Câmara dos Deputados.

Esta foi a primeira votação a favor do uso da força militar desde outubro de 2002, quando o Congresso aprovou a invasão do Iraque e a quarta vez desde a Guerra do Vietnã. Obama pediu autorização ao Congresso para fazer um ataque militar à Síria devido à suspeita de que o presidente Bashar Al Assad utilizou armas químicas contra civis. O conflito na Síria já fez, desde março de 2011, mais de 100 mil mortos e levou o país a ser suspenso da Liga Árabe.

Veteranos advertem Obama sobre fraude da CIA quanto a ataque químico na Síria

Em relação à Síria, Obama está em situação idêntica a de seu antecessor, George W. Bush, em relação aos informes da inteligência norte-americana sobre as armas de destruição em massa no Iraque

Apesar da administração Obama estar supostamente informada “com alta precisão” que o governo da Síria perpetrou um ataque com armas químicas no dia 21 de agosto, nos arredores de Damasco, contra a população civil, dezenas de ex-militares dos EUA e funcionários da inteligência norte-americana estão dizendo ao presidente que estão recolhendo informações diametralmente opostas à história oficial.

Um memorando para o presidente, do instituto Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS), vazado para a mídia norte-americana, neste sábado, traz como assunto a questão: Será a Síria uma armadilha?. A prioridade do documento foi classificada como “Imediata”. 

A mensagem, publicada na página Consortium News, aparece assinada por uma lista de veteranos da inteligência norte-americana, encabeçada por Thomas Drake, aposentado como executivo sênior da National Security Agency (NSA, na sigla em inglês), Philip Giraldi, na reserva como oficial de operações da Central Inteligence Agency (CIA, também na sigla em inglês), Matthew Hoh, capitão reformado da Marinha dos EUA, com serviços prestados no Iraque e no Afeganistão, no Foreign Service Office, e Larry Johnson, também aposentado pela CIA, com serviços prestados ao Departamento de Estado norte-americano.

Segundo a mensagem ao presidente Barack Obama, ex-companheiros de trabalho dos agentes o assinam “estão dizendo, categoricamente, que ao contrário do que afirma a sua administração, a informação mais fidedigna mostra que (o presidente da Síria) Bashar al-Assad não é o responsável pelo acidente químico que resultou em civis mortos e feridos em 21 de agosto, e que os funcionários dos serviços de inteligência britânicos também o sabem”.

“Neste breve informe, optamos por assumir que o Sr. não tenha sido plenamente informado, porque seus assessores decidiram lhe oferecer a oportunidade do que comumente se conhece com “negação plausível”. Já passamos por isso antes, com o presidente George W. Bush, a quem lhe dirigimos nosso primeiro VIPS memorandum, imediatamente após o discurso de Colin Powell na ONU, em 5 de fereveiro de 2003, quando se descobriu a “inteligência” fraudulenta para apoiar um ataque ao Iraque. Naquele momento, optou-se por dar ao presidente Bush o benefício da dúvida, pensando que ele teria sido enganado, no mínimo, muito mal assessorado. A natureza fraudulenta do discurso de Powell era uma obviedade”, afirma o texto.

Ainda segundo os veteranos, as fontes que eles ouviram, de dentro do governo Obama, sabem que “houve um acidente no manuseio de armas químicas mas insistem, sem nenhuma dúvida, que o incidente não foi resultado de um ataque perpetrado pelo exército sírio com armas químicas do arsenal militar. O que nos informam é que o diretor da CIA, John Brennan, está perpetrando uma fraude idêntica a que ocorreu nos momentos que antecederam a Guerra do Iraque junto aos membros do Congresso e aos meios de comunicação, ao público e até ao senhor presidente”.

Grito dos Excluídos na praia do Forte em Cabo Frio

Eles também panfletaram na orla com uma extensa pauta de reivindicações.
Estudantes e professores se manifestaram nas areias da Praia do Forte.

O feriado de 7 de setembro foi de manifestações também na praia mais movimentada de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. Na manhã deste sábado, estudantes e professores simbolizaram o "Grito dos Excluídos" nas areias da Praia do Forte. Eles também panfletaram na orla com uma extensa pauta de reivindicações.

Entre outros temas, eles pedem o cancelamento da licitação que autoriza a Auto Viação Salineira a operar as linhas de ônibus nas cidades da região, a revisão do pagamento de subsídio, pela Prefeitura de Cabo Frio, na passagem das linhas municipais que circulam na cidade (a passagem custa R$ 2,80, mas quem possui o Cartão Dignidade paga R$ 0,50 e o restante é pago pelos cofres públicos), além da municipalização do transporte público e de mudanças na política educacional da Prefeitura de Cabo Frio e do Governo do Estado do Rio.

"A municipalização do transporte público é uma ideia que vai ser experimentada em São Paulo, começando por uma área da cidade, e que já deu certo em outros lugares. O serviço poderia ter mais qualidade e o dinheiro arrecadado com a prestação do serviço poderia ser usado pelo poder público em melhorias para a população", explicou o estudante Diego Britto.

Para a professora Monica Almeida, que é membro da diretoria do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe/Lagos), os governos deveriam remunerar os profissionais da educação também pelo tempo de trabalho fora da sala de aula.

"O professor não trabalha apenas em sala de aula e isso precisa ser corrigido. O trabalho fora da sala de aula é grande e também deveria ser remunerado", apontou.

G1

Manifestantes são vandalizados pela PM em frente ao Palácio Guanabara

Os manifestantes que tentaram chegar ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado, foram "dispersados" pela Polícia Militar com o uso de bombas de gás lacrimogêneo. Com a ação policial, no início da noite, as pessoas recuaram para as ruas internas do bairro de Laranjeiras. 

No caminho, os manifestantes quebraram as vidraças de duas agências bancárias, diversos pontos de ônibus e a estrutura em vidro do elevador para deficientes da Estação do Metrô do Largo do Machado.

Montes de lixo foram incendiados no meio da Rua das Laranjeiras e o fogo só foi controlado com a chegada de uma equipe do Corpo de Bombeiros. Para dispersar os manifestantes que ainda insistiam em permanecer no Largo do Machado - praça entre os bairros de Laranjeiras e do Catete -, policiais do Batalhão de Choque lançaram bombas de gás lacrimogêneo.

Por causa do vento, a fumaça das bombas se espalhou por boa parte do bairro atingindo moradores e pessoas que passavam pelo local. O gás causou forte ardência nos olhos e irritação na garganta.

Uma parte dos manifestantes se deslocou até a 9ª Delegacia de Polícia, no Catete, mas no local foi informada que as pessoas detidas nos protestos não estavam lá, pois foram levadas para outras delegacias, na zona norte.

A Secretaria de Estado de Segurança informou em nota que 27 pessoas haviam sido levadas para delegacias, até as 17h, durante as manifestações realizadas no centro. “Destas, uma foi presa por porte de arma, 15 foram autuadas e liberadas, entre elas um homem com três passagens pela polícia. Entre as autuações estão os crimes de lesão corporal, desacato, resistência e posse de material de explosivo. Com os detidos, foram apreendidos um estilingue, um spray de gás lacrimogêneo, pedras, canivete, bolas de gude, bombas artesanais e toucas”, informou a nota.

A Polícia Militar, por sua vez, informou que durante a manifestação no bairro de Laranjeiras foram detidos 50 pessoas. Com essas detenções, foram presas na capital fluminense 77 pessoas nas manifestações no Dia da Independência.

EBC

sábado, 7 de setembro de 2013

José Mujica: É impossível cessar uma guerra com mais guerra

José Mujica não acredita que intervenção na Síria seja o melhor caminho
José Mujica sobre Síria: "Único bombardeio admissível seria de leite em pó e biscoitos"

O presidente uruguaio defende que uma ação militar não é o melhor caminho para solucionar o conflito civil no país. “Isso seria tentar apagar uma fogueira colocando mais combustível”, argumenta em referência ao plano norte-americano de intervenção. “A guerra não se resolve introduzindo mais guerra. Isso leva a situação para um caminho de conflitos intermináveis que promove um profundo ressentimento que vai transformar em luta e resistência “aqui e ali”, reitera em entrevista a uma emissora local do Uruguai.

Citado pela imprensa espanhola neste sábado (07/09), o presidente uruguaio fez referências na história contemporânea para argumentar os impactos negativos da guerra. “Cada uma das tentativas nos últimos 30 anos de impor a democracia ocidental - da forma como conhecemos –, na Ásia ou no mundo Árabe, teve o resultado semelhante de sacrifício e dor”, analisou ao El Pais.

Na contramão de Mujica, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu hoje (7) aos membros do Congresso que não fechem os olhos ao uso de armas químicas na Síria. "Nós somos os Estados Unidos. Não podemos ficar cegos diante das imagens da Síria. É por isso que peço aos membros do Congresso, dos dois partidos, que se unam e ajam para promover o mundo onde nós queremos viver, o mundo que queremos deixar aos nossos filhos e às futuras gerações", disse Obama, que procura o apoio do Congresso para ataques militares à Síria. O presidente falou à população em um programa semanal de rádio.

O Congresso norte-americano deve começar, na segunda-feira (9), a debater os ataques defendidos por Barack Obama como reação ao uso de armas químicas no dia 21 de agosto, nos arredores de Damasco, capital síria, pelo qual responsabiliza o regime do presidente Bashar Al Assad.

Opera Mundi

Mais uma guerra sem razão...

Foto de uma criança na Síria. 
A Canção Do Senhor Da Guerra 
Legião Urbana

"Existe alguém
Esperando por você
Que vai comprar
A sua juventude
E convencê-lo a vencer...

Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças
Com armas na mão
Mas explicam novamente
Que a guerra gera empregos
Aumenta a produção...

Uma guerra sempre avança
A tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Prá que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros
Na exportação...

Existe alguém
Que está contando com você
Prá lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer...

E quando longe de casa
Ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando
Novos jogos de guerra...

Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação...

Veja que uniforme lindo
Fizemos prá você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...

Existe alguém
Que está contando com você
Prá lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer...

E quando longe de casa
Ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando
Novos jogos de guerra...

Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação...

Veja que uniforme lindo
Fizemos prá você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...

O senhor da guerra
Não gosta de crianças..." 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Deputado Marcelo Freixo apoia a greve


Deputado Marcelo Freixo apoia a greve

Deputado Marcelo Freixo apoia a greve dos professores e suas reivindicações, FAZ UMA CONVOCAÇÃO A TODOS para participarem das assembleias locais e gerais da categoria, e elogia o SEPE.

Equívoco, uma ova! : Clube Militar e a "traição" da Globo

Clube Militar e a "traição" da Globo

O artigo de O Globo que admitiu, finalmente, que foi "um erro" o apoio do jornal ao golpe de 1964 continua causando curiosas reações. Nesta terça-feira (3), o Clube Militar, que reúne os "milicos de pijama" saudosos da ditadura, divulgou em seu site uma dura nota contra "a covardia do último grande jornal carioca". O texto, assinado pelo general de divisão Clóvis Purper Bandeira, assessor da presidência da entidade, repõe algumas verdades históricas sobre a participação da famiglia Marinho no golpe e também na ditadura, mas revela todo o rancor dos golpistas. Vale conferir:


*****
Equívoco, uma ova

Numa mudança de posição drástica, o jornal O Globo acaba de denunciar seu apoio histórico à Revolução de 1964. Alega, como justificativa para renegar sua posição de décadas, que se tratou de um “equívoco redacional”.

Dos grandes jornais existentes à época, o único sobrevivente carioca como mídia diária impressa é O Globo. Depositário de artigos que relatam a história da cidade, do país e do mundo por mais de oitenta anos, acaba de lançar um portal na Internet com todas as edições digitalizadas, o que facilita sobremaneira a pesquisa de sua visão da história.

Pouca gente tinha paciência e tempo para buscar nas coleções das bibliotecas, muitas vezes incompletas, os artigos do passado. Agora, porém, com a facilidade de poder pesquisar em casa ou no trabalho, por meio do portal eletrônico, muitos puderam ler o que foi publicado na década de 60 pelo jornalão, e por certo ficaram surpresos pelo apoio irrestrito e entusiasta que o mesmo prestou à derrubada do governo Goulart e aos governos dos militares. Nisso, aliás, era acompanhado pela grande maioria da população e dos órgãos de imprensa.

Pressionado pelo poder político e econômico do governo, sob a constante ameaça do “controle social da mídia” – no jargão politicamente correto que encobre as diversas tentativas petistas de censurar a imprensa – o periódico sucumbiu e renega, hoje, o que defendeu ardorosamente ontem.

Alega, assim, que sua posição naqueles dias difíceis foi resultado de um equívoco da redação, talvez desorientada pela rapidez dos acontecimentos e pela variedade de versões que corriam sobre a situação do país.

Dupla mentira: em primeiro lugar, o apoio ao Movimento de 64 ocorreu antes, durante e por muito tempo depois da deposição de Jango; em segundo lugar, não se trata de posição equivocada “da redação”, mas de posicionamento político firmemente defendido por seu proprietário, diretor e redator chefe, Roberto Marinho, como comprovam as edições da época; em segundo lugar, não foi, também, como fica insinuado, uma posição passageira revista depois de curto período de engano, pois dez anos depois da revolução, na edição de 31 de março de 1974, em editorial de primeira página, o jornal publica derramados elogios ao Movimento; e em 7 de abril de 1984, vinte anos passados, Roberto Marinho publicou editorial assinado, na primeira página, intitulado “Julgamento da Revolução”, cuja leitura não deixa dúvida sobre a adesão e firme participação do jornal nos acontecimentos de 1964 e nas décadas seguintes.

Declarar agora que se tratou de um “equívoco da redação” é mentira deslavada.

Equívoco, uma ova! Trata-se de revisionismo, adesismo e covardia do último grande jornal carioca.

Nossos pêsames aos leitores.

Blog do Miro

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Greve da educação municipal: Relato do ocorrido hoje na prefeitura

Vamos ao relato. 

Semana passada realizamos um assembleia no dia 29.08 com o intuito de conseguirmos uma audiência com o prefeito, já que os oficios com pedidos de audiência não foram respondidos. 

Na assembleia tivemos o informe que o prefeito finalmente havia marcado uma audiência para o dia seguinte, 30.08, as 8h. Na assembleia, deliberamos que uma comissão iria a audiência. 

No dia seguinte, 30.08, as 8h, estávamos na prefeitura. O assessor do prefeito diz que somente a direção seria atendida, insistimos que, naquele momento, eramos poucos, apenas 5 pessoas (4 direção e 1 da base da categoria), mesmo assim, o assessor insistiu que SOMENTE diretores da entidade entrariam, diante da obrigação de descumprirmos decisão de assembleia, nos retiramos e convocamos a categoria para mais uma assembleia hoje. 

Hoje, 05.09, deliberamos em assembleia que entraríamos na prefeitura para agendarmos uma audiência, que entraríamos em ESTADO DE GREVE e teríamos nova assembleia na sexta-feira, dia 13.09, nos encaminhamos até a prefeitura entraram eu (Profa Denize Alvarenga), Charles Pimenta, Monica Almeida e Marcia Marques, os outros estavam caminhando para entrar quando foi dada ordem de fecharem as portas. 

Ninguém poderia entrar ou sair ate que a policia chegasse. Servidores da prefeituras tentaram sair pela porta da frente e tiveram problemas, a partir dai saíram pela porta lateral. A policia chegou ainda em horário de expediente e disse que Denise Soares Teixeira que estava na porta poderia entrar, mas ela não conseguiu entrar mesmo assim. Houve empurra-empurra, inclusive pressionando a Coordenadora do Sepe nas portas. Após esse conflito, ela conseguiu entrar. 

De dentro da prefeitura fizemos uma assembleia e a categoria decidiu que ficaríamos ali ate que a audiência fosse agendada. O subsecretario de comunicação que estava intermediando as negociações se retirou do local. 

Em seguida o coordenador de estatística da prefeitura chegou ao local e negociamos nossa saída mediante compromisso de agendamento de audiência. Foi decidido que amanha sera informado ao SEPE Lagos a data e horário da audiência. O documento assinado por ele e a coordenação do SEPE esta disponível no face.

Professora Denize Alvarenga via Facebook

Educação em GREVE!!!

O povo unido 
É povo forte
Não teme a luta 
Não teme a morte [2x]

Avante companheiro 
Que esta luta é minha e sua
Unidos venceremos... 
E a GREVE continua!!!

Cidadã e cidadão
Não se esqueça, por favor
Se você tem profissão
Agradeça ao professor 

PM's se emocionam com professores cantando

PMs lacrimejam após nos ouvir cantar "Para não dizer que não falei das flores". No fim, o peso da instituição lhes esmaga e fizeram o que a PM faz.

Trecho que os comoveu:

"Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer"


Luta Educadora

Paralisação da Educação de Cabo Frio!

Atenção, Profissionais da Educação de Cabo Frio!

Na última sexta-feira, dia 30/08/13, tínhamos uma audiência agendada com uma pauta extensa para debatermos.

Numa atitude completamente antidemocrática o prefeito de Cabo Frio, Sr. Alair Corrêa, NÃO recebeu a comissão eleita na assembleia do dia 29/08/13.

A imposição de que somente diretores do sindicato entrassem é descabida, uma vez que o número de pessoas elencadas para a conversa era ínfimo, tínhamos apenas 05 pessoas no momento da entrada e deliberação da assembleia era de que companheir@s da base acompanhassem as negociações.

Jamais agiríamos contra o deliberado. Com isso, só nos resta uma nova paralisação. Precisamos demonstrar que não aceitaremos imposições que vão de encontro à decisão da coletividade. 

Estejamos TOD@S no dia 05/09/13, às 15h em frente à prefeitura para que o governo receba a COMISSÃO aprovada em assembleia em audiência.

SEPE Lagos

Paulo Ramos: Rede Globo arrependida...

Rede Globo arrependida...

O papel nefasto que cumpriu o sistema globo não apenas em relação ao golpe de 64, ao apoio continuado a ditadura, mas também ao papel que cumpre o sistema globo nos dias de hoje, de manipulação da informação, de tentativa de condução do processo político. De aliança ao modelo liberal, de aliança clara aos Estados Unidos da América do Norte, mesmo nesse momento em que o Grande Satã tem suas vísceras expostas!

É roubo, é roubo, é roubo... é tudo rede globo!!!

Deputado Paulo Ramos (atualmente sem partido - RJ)

Ato da educação estadual: Ocupação da seeduc!





ÔÔÔÔÔÔÔ, Cabral é ditador
ÔÔÔÔÔÔÔ, a educação parou!!!

Não adianta me reprimir
Esse governo vai cair!

Ocupar, resistir
Lutar pra garantir!

Ocupar, resistir
Lutar pra garantir!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Nesta 4ª feira tem assembleia da educação! Vamos dar a resposta ao Risolia e ao Cabral!!!

Sepe responde à Seeduc

A respeito de uma matéria publicada, dia 30/08, no site oficial da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), criticando a greve dos profissionais de educação da rede estadual, o Sepe declara:

1) Diferentemente do que a Secretaria quer acreditar, não são apenas “700 profissionais em greve” e sim 40% da rede que se mantém em greve;

2) A direção do Sepe também não afirmou, como está na citada matéria, na última assembleia, que o secretário Risolia estava afastado do cargo. O que fizemos foi, simplesmente, ler na assembleia o ato da Seeduc (cópia neste site, ao lado), publicado no Diário Oficial de 28/08, na íntegra.

3) O ato afirma que o subsecretário Perlingeiro substituirá o secretário de “2 a 11 de setembro” – o que, a nosso ver, configura um afastamento ou licenciamento.

4) Soubemos, pela própria notícia do site da Seeduc, que o secretário fará nesses dias citados no DO uma palestra na prestigiosa universidade de Harvard, convidado pelo Banco Mundial – certamente, o secretário falará de suas experiências com a aplicação dos métodos meritocráticos aqui na sua gestão à frente da Secretaria. Métodos estes, como sabemos, que estão sendo postos em xeque lá mesmo, nos Estados Unidos

SEPE

Sobre as Denúncias Contra a Deputada Janira Rocha

* As denúncias de dois filiados pilantras do PSOL contra a Deputada Janira Rocha(PSOL) precisam ser rigorosamente investigadas pelas executivas estadual e nacional do partido. Os fatos são graves e contundentes, inclusive com gravações, onde a deputada admite uma série de irregularidades e crimes eleitorais. O caso na minha opinião é de EXPULSÃO, até porque ela é a atual presidente estadual do partido e deveria servir de exemplo. 

* Qualquer partido pode apresentar parlamentares com desvios éticos, isso tem sido rotina na política brasileira, mas a história recente do PSOL foi sempre de punição severa com estes desvios e isto tem sido um diferencial importante em relação aos demais. Não pode haver demora na decisão sob pena de nublar a luta de vários companheiros militantes, que no dia a dia, batalham por um novo modelo de fazer política, o que tem provocado um respeito crescente ao partido em vários segmentos da sociedade. Este capital político não pode ser esvaziado por uma má conduta individual de um dos seus membros.

* O PSOL é um partido plural, formado por várias correntes internas que vem travando um duro debate interno sobre o tipo de concepção partidária e sua respectiva atuação política para o momento do país. Recentemente, foi eleito pelos jornalistas que cobrem o Congresso Nacional como o partido de melhor atuação, sob o ponto de vista da defesa dos interesses públicos e coletivos.

* Estas disputas internas causam grande desgaste, mas fazem parte de um embate democrático, que permite a livre manifestações de seus filiados, diferente dos partidos conservadores em que a base não decide nada. Há correntes querendo "rasgar" o programa e o estatuto de criação do PSOL. Espero que no Congresso Nacional em novembro deste ano, estes "liquidacionistas" sejam derrotados nas votações de base e possamos retornar ao nosso rumo original.

Cidadania e Socialismo

PSOL RJ: Nota Oficial

RIO DE JANEIRO, 3 DE SETEMBRO DE 2013.

NOTA DA EXECUTIVA ESTADUAL DO PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE

Diante das graves denúncias que chegaram ao seu conhecimento, a Executiva Estadual do PSOL RJ decide:

1. Encaminhar à Executiva Nacional pedido de expulsão dos filiados MARCOS PAULO ALVES e CRISTIANO RIBEIRO VALLADÃO;

2. Encaminhar para a Direção Nacional o pedido de abertura de Comissão de Ética para investigação de todos os envolvidos no conjunto das denúncias;

3. Acatar o pedido de afastamento da Deputada Estadual JANIRA ROCHA da presidência estadual do PSOL e da liderança da bancada na ALERJ;

4. Nomear o atual Secretário Geral, ROGÉRIO NORBERTO DA CUNHA ALIMANDRO, como presidente interino do Diretório Estadual do partido.

O PSOL reafirma os princípios éticos que devem nortear a luta dos trabalhadores e não admitirá quaisquer desvios contra tais princípios.

Chico Alencar via facebook

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O conservadorismo de branco(s)

No começo senti raiva. Depois, tristeza. Ao fim, procurei explicações. O cerco aos médicos cubanos, com xingamentos e manifestações racistas, é chocante à primeira vista. Mas quem conhece nossa história de “elevador de serviço”, de “quarto de empregada”, de coronelismo e revoluções sempre inconclusas, quem conhece essa história nem deveria se espantar.

O fato é que a reação desmedida de certos médicos e de gente que pensa falar em nome da “Medicina brasileira” transformou-se numa derrota acachapante para o pensamento conservador. O conservadorismo de branco (e de brancos?) foi derrotado nesse debate.

É como o “bolsa esmola” – vocês se lembram? Durante dois mandatos de Lula, um setor barulhento (e até numeroso) da classe média travou um não debate: em vez de criticar eventuais falhas no Bolsa Família, tentou desqualificar a política de transferência de renda, definida como “esmola”. Ouvi isso ao longo de anos, em festas de família, em bares e restaurantes… E no fim aconteceu o que? O Bolsa-Família impôs sua vitória. Os tucanos chegaram a 2010 propondo que na campanha eleitoral o partido defendesse o Bolsa-Família. Falar em “bolsa esmola” seria suicídio eleitoral. O conservadorismo recolheu-se às manifestações privadas de ódio e recalque.

A história do Capitalismo no Ocidente, nos últimos 70 anos, é a história da luta de setores organizados para arrancar pedaços do Estado das mãos da burguesia. É a história da luta dos trabalhadores para obter concessões que tornem a vida menos dolorosa, menos infernal. Leis trabalhistas, políticas sociais de compensação: assim se constituiu a social-democracia na Europa. Aos trancos e barrancos, tivemos nossa social-democracia à brasileira com Vargas e o PTB de Jango e Brizola. Verdade que, no Brasil, ela foi mais “social” do que “democracia”, na medida em que parte das conquistas sociais veio sob a ditadura do Estado Novo.

A Guerra Fria interrompeu o ciclo trabalhista, instalando uma ditadura (64-85) que adotou políticas claras de concentração de renda. Depois da Constituição de 88, mas principalmente depois da chegada de Lula ao poder em 2002, o ciclo de “social-democracia” à brasileira foi retomado. Da mesma forma que na Era Vargas, o lulismo significou a incorporação de milhões de brasileiros ao mercado de massas.

Uma parte da sociedade brasileira sentiu-se ameaçada pela mudança – feita dentro da ordem, sob hegemonia inclusive de política econômica liberal, especialmente no primeiro governo Lula. Mas mesmo assim, um setor significativo da sociedade brasileira partiu para a desqualificação. Bolsa Família era “bolsa esmola”. Prouni era “prêmio para gente despreparada”. Quotas raciais eram “incentivo pra gente vagabunda”. 

Esse mesmo setor agora estrebucha, se debate de forma constrangedora – contra os médicos. E o ódio maior é contra os cubanos…

Uma pobre alma chegou a dizer no twitter (ou facebook, sei lá) que os médicos cubanos não eram confiáveis porque tinham aparência de “empregadas domésticas”. De uma só tacada, tentou ofender os cubanos e as empregadas que cuidam das casas de quem pode pagar. Mas conseguiu apenas explicitar que tipo de pensamento tenta barrar a chegada dos médicos às comunidades mais pobres do Brasil.

Esse tipo de comentário, ou de ataque (esclarecedora também a foto das patricinhas de branco pensando ofender um médico negro cubano), cumpre papel didático. É o passado que não quer passar. É o sul derrotado na guerra de Secessão. É o Partido Republicano recusando-se a aceitar que Roosevelt tinha razão no New Deal. É o Lacerda contra a Petrobras. É o Ali Kamel da Globo contra as quotas. Essa gente fala para o passado. Um discurso derrotado.

Reparem que nas redes sociais apareceu muita gente moderada, que tem críticas ou dúvidas em relação ao Mais Médicos, mas que se sente constrangida com o discurso de ódio, com as cenas de racismo e de preconceito. E por isso passou a apoiar o programa.

O conservadorismo de branco (e de brancos?) ainda vai estrebuchar. Vai ao STF, ao TCU. Vai tentar de tudo. Mas ainda que consiga atrasar o programa de Médicos do governo federal, já perdeu o debate. Lá na frente, terá que botar o rabo entre as pernas.

Por fim, vale dizer que muita gente aqui nos blogs e nas redes sociais costumava cobrar o PT e os governos de Lula e Dilma pela falta de “politização” do debate. O Ministro Alexandre Padilha topou fazer a politização – no bom sentido. Comprou a briga de uma forma inteligente: não com discurso ou com promessas, mas com um programa concreto e palpável. O povão do interior e das periferias vai aos poucos entender quem é de direita no Brasil…

E do jeito que vai, essa direita vai levar tempo pra se recompor e voltar ao poder. Pelo voto, com esse tipo de reação infantil e atrasada, essa direita seguirá no gueto. Um gueto grande até, de 30% do eleitorado. Mas seguirá prisioneira do discurso do ódio. Um discurso derrotado pelos fatos e pela história.

Escrivinhador

A falsa "autocrítica" da Globo!

Convencimento, vergonha ou conveniência na ‘autocrítica’ da Globo?

O editorial do Globo começa mentindo: não foi um “apoio editorial”. 

O jornal, junto com os outros que ele cita – quase toda a mídia da época, que quase toda ainda anda por aí –, participou do bloco golpista que criou o clima favorável ao golpe, promoveu as “Marchas da Família, com Deus, pela Liberdade”, que funcionavam para tentar passar a ideia de que a população pedia um golpe militar.

Apoiou o golpe, buscou sua legitimidade e apoiou a ditadura militar ao longo de toda sua existência. E seguiu justificando-a até agora.

Não apoiou apenas o golpe. Apoiou tudo o que ditadura fez de ignominioso: desde todas as formas de repressão – prisões arbitrárias, torturas, execuções, condenações sem provas, etc. etc. Apoiou a política de superexploração dos trabalhadores com o arrocho salarial, que permitiu a recuperação da economia, com um modelo de favorecimento dos ricos e dos capitais estrangeiros, em detrimento da massa da população e das pequenas e médias empresas nacionais.

Apoiou inclusive o famigerado AI-5, que terminou de liquidar com os pequenos espaços de oposição ainda existentes. Saudou o golpe, a ditadura, a repressão, a liquidação da democracia, tudo em nome da “democracia”, que ressurgiria.

Se opôs à democratização do país, às eleições diretas, ao direito de o povo brasileiro escolher seu presidente pelo voto universal, foi favorável à auto-anistia – vigente até hoje – imposta pelos militares.

Se projetou como a porta-voz oficial da ditadura, se enriqueceu com as vantagens que a ditadura lhe propiciou e que são responsáveis, até hoje, pelos privilégios que a Globo tem. 

Se poderia listar muito mais monstruosidades que a Globo apoiou e de que participou ativamente. Não foi um “mau momento”, um “equívoco” de avaliação no “apoio editorial” a uma circunstância concreta.
Foi uma posição firme e forte a favor da ditadura e contra a democracia, a favor das elites e dos interesses estrangeiros, e contra o povo e o Brasil.

Por que agora esse “arrependimento”? Não foi arrependimento, senão não teria o cinismo de tentar restringir o erro a um “apoio editorial”. Teria feito autocrítica da participação ativa no mais hediondo regime que o Brasil já teve.

Em parte, como confessam, é “vergonha”, porque pessoas jogam na cara deles ter participado do golpe e da ditadura. Tentam se limpar disso, dar álibis aos que colaboram com seus órgãos de imprensa, de que “fizeram autocrítica”.

Que chega a poucos meses de se completar 50 anos do golpe e do início da ditadura. Por que não o fizeram durante a ditadura? Por que não o fizeram no começo da democratização? Por que não o fizeram em outro momento?

Porque estão cansados de ser derrotados, de ser execrados, de ter manifestações diante das suas sedes, de ter seus jornalistas repudiados pelas manifestações dos jovens, de saber que está consagrado “O povo não é bobo / Abaixo a Rede Globo”, porque sabem que não tem credibilidade alguma. Que seus principais jornalistas são vítimas das chacotas e do ridículo.

É como se, nos anos 1980, fizessem autocrítica de terem sido contra a chegada do Getúlio ao poder, de terem se oposto sempre a seus governos e de terem promovido golpes contra o maior estadista brasileiro do século passado – autocrítica ainda pendente.

O editorial expressa conveniência de uma nova reconversão da empresa – em crise econômica, de audiência e com credibilidade zero. Não por acaso, ao mesmo tempo, os filhos do fundador foram visitar o Lula, depois de tripudiar contra ele durante mais de 10 anos.

Tirarão consequências do editorial? Mudarão radicalmente a orientação e a plana maior que da continuidade ao apoio e participação no golpe e na ditadura, ou seguirão como tem sido nestes 50 anos?

É por conveniência, envergonhada, sem convencimento algum, que a Globo faz como se fosse emendar rumos a partir do editorial. Quer limpar sua imagem diante de uma opinião pública que despreza o que o jornal diz e opina.

Se dão conta que se desviaram ainda mais do Brasil real quando, depois de apoiarem os governos fracassados de Sarney, Collor e FHC, se opõem frontalmente aos governos que o povo brasileiro mais apoiou e apoia e que deve reeleger de novo. Se dão conta que não elegem presidente da república há mais de 10 anos e que correm o serio risco de seguir assim por pelo menos toda uma segunda década. Percebem que nem sequer no Rio de Janeiro, sua sede, não conseguem eleger governador, senador, prefeito há muito tempo, e devem seguir assim.

Arrependimento, não. Senão mudariam radicalmente sua linha editorial e informativa. Vergonha, não. Senão mudariam as equipes que os fazem passar vergonha. Conveniência, sim. Para tentar romper o isolamento, a desmoralização, a falta de credibilidade, a crise econômica, a perda acelerada de audiência.

Mas nunca conseguirão apagar o papel que tiveram e seguem tendo. “O povo não é bobo / Abaixo a Rede Globo” – seguirá ecoando por todo o país que conseguiu, contra a Globo, derrotar a ditadura, derrotar seus presidentes e consagrar os presidentes que expressam a construção de um país democrático, solidário e soberano, contra todos os que apoiaram o golpe, a ditadura e os governos antipopulares. 

Emir Sader Carta Maior