quinta-feira, 15 de agosto de 2013

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Cabral e a Falência do Discurso Vazio, ou ‘Olha eu aqui de novo’

No Rio de Janeiro, ao longo das últimas semanas, o curso das manifestações tomou um rumo singular. Nenhum governante de qualquer outra cidade ou estado brasileiro foi colocado sob fogo tão cerrado quanto o governador Sérgio Cabral Filho. 

‘Fora Cabral’ e ‘vai cair’ são gritos que se tornaram onipresentes nos protestos da capital carioca e parecem ter renovado o fôlego dos manifestantes: marchas contra o governador já acontecem dia sim, dia não, e a mais recente – no dia 17 de julho, no Leblon – reuniu pelo menos duas mil pessoas. Concomitantemente, pelo menos duas linhas de argumento vem ponderando sobre a real eficácia desse ímpeto anticabralino, a saber: 1) que é pura e simples ingenuidade achar que Cabral pode cair por conta dos protestos; e 2) que sua queda será no fundo inócua (frente ao problema maior do peemedebismo) e pode inclusive revelar-se um tiro pela culatra (no caso de uma possível vitória do ex-governador Anthony Garotinho em 2014). Embora eu discorde de ambas, acredito que estas são ponderações absolutamente honestas, e que por isso merecem uma reflexão cuidadosa.

Meu desacordo com o primeiro ponto passa por uma questão de linguagem. Na raiz da atual onda de protestos, a meu ver, há um aspecto fundamental da atuação do Movimento Passe Livre: sua insistência quase que cega (não fosse profundamente lúcida) na demanda específica e concreta das tarifas. O efeito dessa insistência foi neutralizar o discurso vazio e a tergiversação, que seriam as respostas políticas padrão para esse tipo de situação, especialmente se considerarmos que as demandas do MPL saiam da boca de ‘garotos’. 

Não é por menos que as fotos da reunião destes garotos com a Dilma quase que exalava condescendência – algo como ‘pronto, olha que bonitinho, vocês estão falando com a presidente feito gente grande’. Pois eles não só estavam conscientes dessa percepção como souberam revertê-la, causando assim um desconcerto ainda mais agudo. Daí terem saído da reunião sem titubear, invertendo a acusação de infantilidade: ‘a presidente não estava preparada para discutir propostas concretas.’ Da mesma forma, a atitude aparentemente infantil de outro grito frequente nas passeatas contra Cabral – ‘olha eu aqui de novo’ – é na verdade uma expressão de pura insistência diante da surdez do governo e da truculência da polícia. O que pode soar como um ludismo inconsequente é na verdade um sinal de compreensão profunda (e coletiva) do que está em jogo, e também uma estratégia perfeita: entrar em diálogo com o discurso vazio, isso sim, seria cair numa armadilha de linguagem. Mais eficaz é desarmá-lo formalmente através de uma insistência cega, que de tola só tem a aparência. O discurso vazio não tem respostas, ele é só repetição. Ele se alimenta de ser levado a sério, sem o que sua repetição se desgasta.

A prova disso é que Cabral já não consegue mais sustentar seus enunciados pela via da impessoalidade da autoridade pública e democrática, ou melhor, na expectativa de sentido que se costuma a ter em relação ao que vem desse lugar – essa expectativa já desapareceu por completo, desgastada pela repetição de chavões que só revelam a incapacidade do governo de dar qualquer mínima consistência às suas respostas. 

Isso o obriga a se escorar na tese do complô e do bode expiatório (as manifestações seriam orquestradas por Garotinho), que nada mais são do que figuras de compensação pela perda da autoridade discursiva. No jargão lacaniano, seria como dizer que transpareceu aí a inconsistência do grande Outro, levando o governador a tentar substituí-lo por avatares débeis – o ‘medo Garotinho’ é invocado, nesse sentido, justamente como um bode expiatório que possa servir de apoio, como algo contra o qual a fala do governador ainda pode pretender se colocar e se escorar. Portanto, acreditar prontamente na ameaça Garotinho é, antes de mais nada, cair no blefe desesperado do próprio Cabral.

É claro que nada disso impede que Garotinho seja realmente eleito em 2014. Mas aí vale lembrar outra tese lacaniana: mesmo que a mulher esteja efetivamente traindo o marido, como este desconfia, isso não torna seu ciúme menos patológico. Ou seja: mesmo que aconteça o pior e o Garotinho seja eleito governador – o que, de toda forma, está muito longe de ser uma certeza – isso não vai justificar retroativamente o medo dele hoje; pelo menos não quando o assunto é tentar levar às últimas consequências a investida contra o atual governo.

E quanto a Cabral e o PMDB? Antes de mais nada, ingênuo seria acreditar que o peemedebismo vai cair de maduro, sem algum evento simbólico potencialmente capaz de desencadear seu desarranjo

Nesse sentido, Cabral pode muito bem se mostrar, pelo menos em alguma medida, o telhado de vidro trincado do peemedebismo (ressalto que digo isso sem nenhuma intenção de idealizar o PT). É por isso também que não vejo a crítica contra Cabral na chave simplesmente da crítica pessoal a um político. Quer ele tenha ou não essa centralidade, as manifestações o constroem simbolicamente não como um desvio para longe do que realmente importa, mas, ao contrário, como um foco de convergência de tudo o que mais importa: violência da polícia militar, remoções, loteamento do interesse público, exclusão social sistemática, e por aí vai. Por fim, se a cabeça do Cabral rolar, quem sabe isso não significa que rolou a cabeça do boneco de ventríloquo do discurso vazio? Alguns talvez reclamem que não rolou a do próprio ventríloquo. Mas isso é perder de vista o que realmente importa: que existem muitos bonecos por aí, mas que o ventríloquo, na verdade, não existe.

Revista Pittacos

Sucateamento de escolas no Rio reflete pouco investimento

Até junho governo liberou apenas 22% do orçamento para educação

O governo do Estado do Rio de Janeiro desembolsou apenas 22% das verbas orçamentárias destinadas à educação nos seis primeiros meses deste ano, que totaliza R$ 9,4 bilhões. Esse valor foi ainda 24% inferior ao que foi liberado no mesmo período do ano passado, de acordo com números da Secretaria de Fazenda. Enquanto o governo realiza uma contenção de despesas, as escolas seguem sucateadas e os professores insatisfeitos.

Existe ainda a intenção, por parte do governo do estado, de reduzir a carga horária na rede pública, para que os alunos frequentem a escola apenas de segunda à quinta-feira. A proposta, apresentada no início de julho e levada ao Conselho Nacional de Educação, foi engavetada, mas, como reforça Alex Trentino, coordenador do Sindicato Estadual de Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), apenas por enquanto. "Já temos a carência na estrutura e a falta de profissionais. Se ainda diminuir os dias de aula fica difícil (oferecer um ensino de qualidade)".  

Entre os problemas denunciados pelos professores da rede pública estadual estão salas superaquecidas, bibliotecas com poucos livros, quadras esportivas que não podem ser utilizadas, falta de material para os professores e de laboratórios de informática.

"Tem várias escolas caindo aos pedaços. As quadras esportivas não têm cobertura e, quando está muito sol, não podem ser utilizadas, isso é um problema de saúde. Os professores de Educação Física não têm material, não têm bola. Isso em um país que vai sediar a Copa e as Olimpíadas. Há falta de funcionários e o Estado apela para terceirizados, para pagar menos. Isso é economia de dinheiro", declarou Trentino.

De acordo com o coordenador do Sepe-RJ, os professores têm recebido um bônus de R$ 500 no final do ano. "Ele [governador] não investe o necessário, o correto. [Então] sobra dinheiro. No final do ano, ele dá um bônus, que, na verdade, é apenas uma verba que está sobrando e que tem que gastar de alguma forma".

Para Alex, um dos problemas mais urgentes na educação do estado, atualmente, é a falta de professores. Os salários foram reajustados em 8% neste ano, mas um professor iniciante, com graduação completa, recebe um salário de R$ 1.081 bruto. "Os professores largam as escolas estaduais e vão para uma rede que pague uma pouquinho melhor, ou então vão para outra profissão".

Os professores do estado entraram em greve na última quinta-feira (8/08) pedindo contratação de mais profissionais, aumento salarial e um terço da carga horária dedicada a plano de aula - já amparada pelo Conselho Nacional de Educação mas que, segundo Trentino, ainda não foi adotada pelo governo do estado. 

JB

Victor Davidovich: VEREADORES E BLOGUEIROS DE CABO FRIO DEMONSTRAM DESPREPARO E ESPANTO AO LIDAR COM MOVIMENTOS SOCIAIS


VEREADORES E BLOGUEIROS DE CABO FRIO DEMONSTRAM DESPREPARO E ESPANTO AO LIDAR COM MOVIMENTOS SOCIAIS

Durante e depois da manifestação ocorrida na Câmara de Vereadores de Cabo Frio ontem (13/06), ficou claro o despreparo e espanto de políticos e blogueiros para lidar com os movimentos sociais da cidade. Esse aspecto já pôde ser observado também em relação à prefeitura em manifestações anteriores – agora, após a saída de vários vereadores da Câmara sem que dialogassem com os ocupantes e os textos catastróficos divulgados por blogueiros na rede, escancara-se a falta de capacidade para compreender e dialogar com os movimentos sociais.

Em uma cidade em que quando se trata de gestão participativa e democrática reflete bem a situação da política brasileira – em que há supressão do caráter participativo pelo representativo sem grande controle social -, os vereadores não souberam lidar com o movimento numa clara falta de sensibilidade à pauta da sociedade em relação ao transporte. Após dois meses de silêncio (a pauta foi apresentada nos protestos de Junho), a paciência se esgotou e o movimento ocupou um lugar que deveria ser do povo de forma permanente.

Parte dos blogueiros que acompanham a política regional, muitos deles acostumados com a polarização em torno dos dois grupos que governam a cidade há muito tempo e que nunca mostraram disposição para as demandas sociais, deu um show de ignorância ao tentar interpretar a ocupação. Alguns outros atribuíram a responsabilidade do acontecimento a uma única pessoa. A possibilidade de termos tido um movimento popular é ignorada por grande maioria dessa mídia.

Cabe aos manifestantes deixar a pauta sempre esclarecida, buscar por espaço nas mídias independentes e alternativas e não se deixarem levar por discursos desmotivadores e esvaziados da mídia comprometida. Cabe-os também não recuar e cobrar da Câmara de Vereadores auxílio para pressionar o Poder Executivo que até agora também não foi receptível da forma como deveria ser.

Victor Davidovich – Grêmio Síntese -  IFF – Cabo Frio
Cidadania e Socialismo

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ocupação da Câmara de Cabo Frio!

Manifestantes ocupam a Câmara de Vereadores em Cabo Frio

Uma manifestação interrompeu a sessão da Câmara dos Vereadores de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, na noite desta terça-feira (13). Entre os manifestantes estavam professores da rede municipal de ensino e estudantes do Instituto Federal Fluminense (IFF) e do Colégio Municipal Rui Barbosa. Eles fizeram reivindicações nas áreas de educação e transporte.

Com a invasão de cerca de 20 pessoas, os vereadores cancelaram a sessão sem votar a pauta do dia. Os manifestantes pedem o cancelamento da licitação que autoriza a Auto Viação Salineira a operar as linhas municipais de transporte coletivo na cidade. Eles também pedem que um projeto de lei que altera a carga horária do professor da rede municipal seja votado em regime de urgência.

A Polícia Militar chegou ao local por volta das 20h30 para negociar a saída dos manifestantes. O grupo deixou o local às 21h, após ser marcada uma reunião entre manifestantes e vereadores na próxima sexta-feira (16), às 10h, no plenário da casa legislativa.

"Nossa exigência é que esta reunião tenha um quórum mínimo de 12 vereadores (em um total de 17), para que nossas propostas não sejam esvaziadas. Eles irão ouvir as reivindicações de 24 membros do nosso grupo. Fizemos questão de ter mais representantes do movimento popular do que vereadores na reunião", disse a professora Denise Alvarenga, que participou do manifesto.

G1

Marcelo Freixo: Em apoio à greve na Educação

Deputado Marcelo Freixo (PSOL)
A reivindicação é absolutamente justa. Eu estou aqui usando a tribuna para fortalecer esse movimento importante. Porque esse é um movimento que fortalece a educação pública porque pede melhores condições de trabalho.


Educação Estadual: Reflexões sobre a greve.


Reflexões sobre a greve.

Ouvi uma entrevista na rádio CBN com o Coordenador Geral do SEPE RJ. O apresentador perguntou se não haveria uma forma de reivindicar sem prejudicar os pais que não tem onde deixar os filhos.

O coordenador, acertadamente, respondeu que a greve é o último meio de reinvindicação. 

Mas, como "prejudicar os pais"? Se estamos lutando por uma educação melhor e não somente, por melhores salários.

Ratificando, lutando por uma educação melhor.

Considerando a fala do apresentador da CBN e a realidade das escolas em que trabalho, posso realmente considerar que as mesmas são sim, um depósito para deixar os filhos.

Penso que os alunos deveriam ser idealizadores da greve na educação. Se fosse aluno, nesse curto período que tenho como professor, minha pauta teria as seguintes reinivindicações.

- Professores motivados e valorizados. (Como o Coordenador Geral do Sepe RJ disse: "Não existe professor bom e professor ruim!").

- Quadras esportivas cobertas. (Dou aula em uma escola com a quadra sem cobertura. Aula de qualidade debaixo de um sol de 40º?)

E sobre este assunto, a Secretaria de Educação respondeu a um professor que não era de responsabilidade dela. Então de quem é? Contudo, fico feliz! Onde eu moro, todas as quadras públicas de lazer tem cobertura.

- Vestiário em péssimas condições de uso. Muitas das vezes sem água. (Isto em uma escola que leciono, pois nas outras nem existe vestiário.)

- O mínimo de material didático. (Bom, todos já perceberam que sou professor de Educação Física. Uma bola de futsal, uma de vôlei, uma de handebol... quando há! Na mairoria preciso usar material próprio.)

- Labatórios de informática. (Desisti de dar aulas em um, pois em todas as escolas o laboratório não tem condições. Ou não tem internet, ou o espaço não é suficiente, ou não tem luz, ou simplesmente não tem.

- Por fim, um currículo que realmente tivesse significado. A escola pública ensina o mínimo, e mínimo é o nome do currículo. (Os alunos saem das escolas sabendo pouco! Formados em nada!)

* Nós professores estamos sendo forçados a passar o aluno de série/ano. Sendo obrigados a participar de conselhos de classe pra tentar entender porquê um aluno do 3° ano do Ensino Médio não sabe ler, escrever, interpretar... Alunos esses que nós mesmos colocamos no 3° ano, pela pressão imposta por esse sistema de ensino mentiroso.

Mas fico feliz, pois depois de tanto apanhar o povo saiu às ruas.

Ficaria mais feliz, se um povo crítico e atuante, como vocês alunos podem ser, saíssem para reivindicar por uma escola de verdade. Se vocês tiverem uma educação de qualidade, sofrerão menos para conseguir o que querem. 

Deêm sempre o melhor de si. Exijam sempre o melhor de cada professor! Não se contentem com o mínimo. Em conseguir o mínimo só pra passar de série/ano.

A Educação é de vocês!

Rodrigo Machado Fachas via Facebook

Marcelo Freixo: “Cabral perdeu moral para governar. Nem para ser síndico”

Fundo do poço. 
É assim que o deputado Marcelo Freixo (PSOL) qualifica o governo de Sérgio Cabral (PMDB). Intimidado pelas manifestações que ocorrem na cidade desde junho, Cabral fez significativos recuos na agenda privatizante. Para tentar conter sua queda de popularidade, até mesmo a privatização do Maracanã está em suspenso.

Brasil de Fato – O que explica essa sequência de recuos políticos do governador?

Marcelo FreixoÉ um governo agonizando, que paga o preço de seus acordos e da sua distância dos interesses da sociedade. Totalmente baseado em negociatas entre aliados que transformaram o governo num balcão de negócios na certeza total de impunidade. Áreas prioritárias como saúde foram privatizadas com as Organizações Sociais (OS), todo o sistema de transporte está na mão de empreiteiras. OAS administra o Metrô, a Odebrecht, a Supervia e a CCR (Camargo Correa e Andrade Gutierrez) administram barcas e ponte. Aí chega um momento que isso tudo explode e quando isso acontece é porque o governo chegou ao fundo do poço. Ele é uma pessoa muito arrogante e para tentar recuperar alguma coisa, começou a ceder desesperadamente. Isso não é sinal de reflexão, é sinal de desespero.

BdF - Quais serão as próximas bandeiras? O que falta avançar?

MF - A pauta das mobilizações está, desde o início, em disputa. Agora, o cancelamento da privatização do Maracanã ganhou força e visibilidade. A pauta da desmilitarização também. Em função da violência policial contra setores que não tinham sido vítimas essa pauta ganha força e, como um todo, vai perdurar. Diferente da pauta da corrupção, que é muito genérica, que trata a corrupção como se fosse uma questão comportamental, moral. A solução para a corrupção não vai ser através de aulas de moral e cívica ou religião, mas através da reforma política, pauta que pode a qualquer momento voltar com força. Outra pauta importante que cresceu é a democratização da mídia. É um momento muito rico e positivo.


BdF - Por que a sociedade não tolera mais o comportamento truculento da PM? Qual será o impacto da mudança de comandante da PM no Rio?

MF - A PM é a ponta de lança de um Estado violento. Não vai resolver isso só mudando a PM, essa mudança terá que ser mais profunda, pois a polícia cumpre ordem de um Estado violento. É um equívoco achar que o problema é o policial. Para qualquer mudança, teremos que fazer debates, o que não é uma tarefa fácil já que a forte hierarquia não permite que se faça qualquer debate sobre a própria polícia. A queda do comandante Erir Ribeiro era esperada, ele não tinha capacidade de diálogo, nem de autocrítica, algo inadmissível para uma pessoa que tem vida pública. Ele não fez autocrítica do caso do Amarildo, nem da forte repressão policial nas manifestações. Espero que o próximo comandante estabeleça o diálogo.

BdF - Que medidas o deputado está tomando com relação ao uso indevido de helicópteros do Estado para fins particulares da família do governador?

MF - Este governador é patético. É inacreditável que ele cometa este crime e depois simplesmente peça desculpas. Quero saber se isso acontece no sistema prisional também. Nós o denunciamos no Ministério Público Federal (MPF) por peculato, no Ministério Público Estadual por improbidade administrativa, e na Assembleia por crime de responsabilidade com vistas ao impeachment. Cada uma desses organizações tem competências específicas. Esperamos que estas instituições respondam a nossas denúncias. Ao lançar um decreto normatizando o uso de helicópteros, o governador só pode estar de brincadeira. Já existe norma para veículo oficial. Cabral perdeu qualquer moral para governar. Nem para ser síndico.

BdF - Por que é tão importante suspender a privatização do Maracanã?

MF - Essa concessão é uma das coisas mais absurdas. Essa privatização significa a elitização da cidade e o embranquecimento do espetáculo num espaço dos mais democráticos, onde populações pobres e ricas conviviam. Esse projeto de privatização é uma ação violenta do Estado sobre algo muito importante: o futebol é a principal fonte de alegria do Rio de Janeiro e isso não é pouca coisa. Todo o processo foi ilegal, sem audiência pública, a oposição pediu plebiscito e não foi atendida. E agora, diante dessas manifestações, o Cabral começa a recuar também na privatização do Maracanã. E basta ele querer.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) 
Brasil de Fato

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Nota da direção do Sepe sobre a audiência no palácio Guanabara

O vice-governador Luiz Fernando Pezão e o subsecretario de Educação, Antonio Neto, receberam os coordenadores gerais do Sepe/RJ e mais um representante da base da categoria. A audiência abordou todos os pontos da pauta apresentada pela direção:

1) Abono do ponto da greve de advertência e a devolução do desconto: O Governo fará a restituição do desconto da greve de advertência (realizada nos dias 16, 17 e 18 de abril) e republicará o abono, para efeito funcional, das paralisações anteriores. A orientação da Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC) de colocar o código 30 (falta normal e não falta por greve) na greve foi firmemente repudiada e questionada pelo Sepe. O vice-governador afirmou que discutirá a situação com a SEEDUC.

2) Uma matrícula, uma escola - nenhuma disciplina com menos de dois tempos de aula: Apresentamos a listagem de professores com mais de uma escola, comprovando a situação. O subsecretário reafirmou o veto do governador ao projeto de Lei uma matrícula uma escola, argumentando a impossibilidade de atendimento no momento. O Sepe propôs a retomada da grade curricular de 2003 e nenhuma disciplina com menos de dois tempos de aula.

3) 1/3 de carga horária do professor para planejamento: Após cobrança da implementação da Lei pelo Sepe, lembrando inclusive que ganhamos na Justiça, o governo ficou de estudar como aplicará a Lei.

4) Lotação de funcionários: O Sepe apresentou a listagem dos municípios onde os funcionários ainda não voltaram às suas escolas de origem (Caxias, Campos e São Gonçalo) e o governo se comprometeu em rever a situação a partir das listagens apresentadas anteriormente.

5) Reajuste salarial: Cobramos o que falta para recuperarmos as perdas de 28%. Reabrimos o debate e o vice-governador afirmou ser impossível mais algum reajuste ainda esse ano.

6) Animação Cultural: O governo se comprometeu a pagar o reajuste de 8% para os animadores.

7) Plano de Metas: O Sepe questionou o Plano de Metas com argumentos político/pedagógicos, mas o governo afirmou que esta era a política para a educação no estado do Rio.

8) Haverá nova audiência no dia 19 de agosto para retomar as discussões.

Esclarecemos que a direção da greve é dada pela assembleia da categoria e por comando de greve. No entanto, é inaceitável a truculência com que os manifestantes foram tratados, entre eles diretores do Sepe/RJ. Repudiamos, veementemente, a ação da polícia que provocou muitos feridos. A direção do Sepe/RJ atuou no sentido de mediar o conflito e proteger os manifestantes, contatando a OAB, o departamento jurídico do sindicato, parlamentares e movimentos sociais e tomará as medidas cabíveis no sentido de reparar os danos sofridos.

domingo, 11 de agosto de 2013

Cabral continua se beneficiando do cargo

Diárias na Europa são pagas com dinheiro do estado

A caixa de surpresas do governador Sérgio Cabral parece não ter fim. Depois do helicóptero oficial usado até para transportar o primeiro cachorro do estado, “Juquinha”, e toda sua família para Mangaratiba nos finais de semana, usar aviões particulares de empresários “amigos”, além de várias outras facetas, eis que agora surge a informação de que diárias suas na Europa eram pagas pelo contribuinte.

Durante quatro dias, numa viagem a Europa em 2008, o governador – sem qualquer compromisso oficial – recebeu verbas públicas a título de diárias para visitar Bruxelas e Londres. Em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, essa viagem, que antecedeu a uma missão oficial, nunca foi divulgada. Resta a pergunta: ele vai pagar o que recebeu para programa pessoal?

Muito provavelmente, Sérgio Cabral deverá dar algumas desculpas sobre o episódio, vai justificar os gastos e culpar alguns políticos pelas continuadas perseguições que vem sofrendo. De acordo com a matéria, Cabral omitiu 35 dias passados no exterior e em pelo menos três casos, teria recebido mais diárias do que o necessário para seus encontros oficiais.

Entre 19 e 21 de maio de 2008, Cabral cumpriu missão oficial em Paris, mas chegou na Europa no dia 16 indo direto para Bruxelas acompanhado da primeira dama, Adriana Ancelmo. O cão Juquinha ficou no Brasil.

Pelos dois dias em que passeou pela capital belga, Cabral recebeu R$ 1.525,40. Já em Londres, a missão oficial começava no dia 1 de setembro daquele ano, mas o governador chegou na cidade em 29 de agosto e também recebeu diárias no valor de R$ 1.782,00. Sua assessoria informou que esses últimos valores não serão devolvidos porque ele teve compromissos oficiais nesses dias. Os demais ele disse que devolveria. Ver para crer.

JB

Claudio Leitão: POLITIZAÇÃO E IDEOLOGIA

POLITIZAÇÃO E IDEOLOGIA

Está em curso já há bastante tempo dentro do ambiente político, patrocinado pelos partidos e políticos conservadores, com apoio da grande mídia, um processo de despolitização e desideologização das discussões políticas. 

O objetivo é muito claro. É formar convencimento que política é assim mesmo, só pode atuar colocando “a mão na merda” e que a questão ética precisa ser flexibilizada para que as coisas possam acontecer. Que políticos são todos iguais e que partidos políticos representam a mesma coisa. Que acabou esta história de direita e esquerda, e quem atua politicamente com ideologia e causa é lunático, utópico e atrasado.

Querem enfiar por osmose em nossas mentes que o capitalismo triunfou, que a “onda boa” agora é ser neoliberal e competitivo ao extremo, senão não tem lugar no mundo de hoje. Que não existe outro modelo de sociedade a ser pensado. Só falta ressuscitar o Fukuyama e decretar novamente o “ Fim da História”.

Se tudo isso está certo e os nossos governantes atuais absorveram tão bem estas teses, pergunto: Por que as pessoas estão morrendo nas filas da saúde pública? Por que não temos educação pública de qualidade? Por que pagamos abusivas tarifas no transporte coletivo? Por que o salário pago ao trabalhador continua sendo insuficiente para uma vida digna? Por que o desemprego segue assustando as famílias brasileiras? Por que os índices de criminalidade são cada vez maiores? Por que a cada ano aumenta a desigualdade social em nosso país? Por que pagamos cada vez mais impostos sem retorno na forma de políticas públicas? Por que apenas 5 mil famílias brasileiras detêm 45% da riqueza nacional? 

Por que 47% do orçamento do país têm que ser direcionado para pagar juros desta imoral dívida pública? Por que o meio ambiente anda tão degradado?

E principalmente, por que milhões de pessoas foram às ruas protestar de forma contundente sobre todos estes desmandos praticados pelo chamado “Poder Constituído”?

Poderia aqui fazer laudas de perguntas como estas, já que enfrentamos no nosso cotidiano problemas diversos, entretanto, qualquer resposta que for dada não pode ter em seu bojo o sentido de que, infelizmente, é assim mesmo.

Esta conformidade nos faz gado ou ovelha. É preciso discutir com mais profundidade todas estas mazelas que nos impõem as classes dirigentes. Ninguém pode se omitir.

Todos em qualquer grau são impactados por decisões políticas. É evidente que os setores mais populares e mais pobres são muito mais dependentes de políticas públicas para melhorar sua qualidade de vida.

Aqueles segmentos mais esclarecidos, que tiveram a oportunidade de estudar e construir uma formação cidadã tem uma responsabilidade maior na tarefa de não permitir que tudo isso nos seja empurrado goela abaixo.

Ao se iniciar o processo de discussão que também passa pela questão eleitoral constataremos que politização e ideologia terão espaço neste debate. Outro modelo de sociedade precisa ser pensado. Outra forma de gerir os recursos públicos precisa ser implementada. Precisamos reimplantar a questão ética e da transparência dentro do ambiente político. Isso só se faz com mudanças de comportamento, e as vezes, precisa ser feito de forma radical. Quero fazer parte das fileiras daqueles que querem lutar pelas mudanças necessárias.

“As pessoas tem medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem.” Chico Buarque de Holanda

Claudio Leitão é economista e membro da executiva do PSOL Cabo Frio.
Cidadania e Socialismo

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Boletim do SEPE: Greve da Rede Estadual!


SEPE

GREVE - O que a rede estadual reivindica

GREVE - O que a rede estadual reivindica:

1 – Melhores salários – piso salarial de 5 salários mínimos para o professor e 3,5 para o funcionário administrativo;

2 – Melhores condições de trabalho;

3 – 30 horas semanais para funcionários;

4 – Democracia nas escolas – eleição para diretor de escola;

5 – Fim do plano de metas e do projeto Certificação;

6 – A derrubada do veto do governador Sérgio Cabral ao artigo do Projeto de Lei 2.200, que garante uma matrícula de professor em apenas uma escola;

7 - Fora Cabral, Fora Risolia.


SEPE

Pó de Giz

Manifestantes e deputados agredidos por polícia dentro da Alerj

Cerca de 22 manifestantes sofreram agressão dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Eles protestavam pacificamente contra o governador Sérgio Cabral quando foram expulsos à força por ordem do presidente da Alerj, o deputado Paulo Melo.

Alguns deputados tentaram sair em defesa dos manifestantes, como os deputados Marcelo Freixo (PSOL), Wagner Montes (PSD), Janira Rocha (PSOL) e Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) mas foram agredidos com gás de pimenta, socos e pontapés junto com os manifestantes por guardas da instituição. O deputado Wagner Montes chegou a ter os óculos quebrados.

"É inadmissível o que aconteceu. Eram 22 pessoas no plenário, não havia a menor necessidade dessa truculência. Amanhã venho conversar com o chefe de segurança da casa, porque foi um ato político, e esta é uma casa política. O povo não pode ser agredido dentro desta instituição", disse Marcelo Freixo. 

Freixo acrescentou ainda que um dos funcionários de seu gabinete foi agredido com um soco no rosto por seguranças da Alerj.

A deputada Janira Rocha presenciou a confusão e disse que vai falar com o presidente do Alerj. Segundo ela, o deputado Paulo Melo disse que "ocupação é coisa de ditadura e que é pra tirar o povo na base da porrada mesmo". 

Ao saber da expulsão do grupo, manifestantes que se concentravam na Candelária para um ato pedindo a renúncia do governador Sérgio Cabral (PMDB) correram para a Assembleia e tentaram invadir o prédio. Foram contidos por policiais militares, chamados para reforçar o policiamento.

Conexão Jornalismo

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Nasa tenta descobrir se viagem espacial como em 'Star Trek' é possível

Enterprise viajando em dobra espacial
Equipe vai determinar se viagem espacial acima da velocidade da luz será possível algum dia

Além do portão de segurança do campus do Johnson Space Center, em um prédio de vidro e concreto com dois andares e corredores sinuosos, existe um laboratório flutuante.

Harold G. White, um físico e engenheiro de propulsão da NASA, acenou para uma mesa cheia de equipamentos em uma tarde dessas: um laser, uma câmera, vários espelhos pequenos, uma argola feita de capacitores de cerâmica e alguns outros objetos.
Elenco da série original "Star Trek"
Ele e outros engenheiros da NASA vêm projetando e reprojetando esses instrumentos, com o objetivo de usá-los para dobrar levemente a trajetória de um fóton, mudando a distância que ele percorre em certa área e observando a mudança com um dispositivo chamado interferômetro. Seu equipamento de medição é tão sensível que captou inúmeras vibrações da terra, incluindo pessoas caminhando nas proximidades. Eles se mudaram recentemente para esse laboratório, que flutua sobre um sistema de pilares pneumáticos subterrâneos, para evitar perturbações sísmicas.


A equipe está tentando determinar se uma viagem acima da velocidade da luz – a dobra espacial – algum dia será possível.

Dobra espacial. Como em "Star Trek".
"O espaço vem se expandindo desde o Big Bang, há 13,7 bilhões de anos", afirmou White, de 43 anos, que comanda o projeto de pesquisa. "E sabemos que, examinando alguns dos modelos de cosmologia, existiram períodos do universo onde houve inflação explosiva, onde dois pontos recuavam um do outro a velocidades muito rápidas".

"A natureza consegue viajar na velocidade da luz", disse ele. "Assim, a pergunta é: nós conseguiremos?"

Einstein notoriamente afirmou, segundo White, "não ultrapassarás a velocidade da luz", basicamente definindo um limite de velocidade intergaláctico. No entanto, em 1994, um físico mexicano, Miguel Alcubierre, teorizou que velocidades acima da luz eram possíveis de uma forma que não contradizia Einstein – embora Alcubierre não tenha sugerido que alguém poderia construir um motor para tal façanha.

Sua teoria envolvia aproveitar a expansão e contração do espaço em si. Segundo a hipótese de Alcubierre, uma nave mesmo assim não poderia exceder a velocidade da luz em uma região local do espaço. Porém, um sistema teórico de propulsão desenhado por ele manipulava o espaço-tempo ao gerar uma chamada "bolha de dobra", que expandiria o espaço de um lado de uma espaçonave e o comprimiria do outro.

"Dessa forma, a espaçonave seria empurrada para longe da Terra e puxada na direção de uma estrela distante pelo próprio espaço-tempo", escreveu Alcubierre. White comparou essa ideia a subir em uma esteira móvel num aeroporto.

Entretanto, o artigo de Alcubierre era puramente teórico, e sugeria obstáculos intransponíveis. Entre outras coisas, ele dependia de grandes quantidades de um tipo pouco compreendido de "matéria exótica" que viola as leis básicas da física.

White acredita que avanços conquistados por ele e por outros tornaram a dobra espacial menos impossível. Entre outras coisas, ele redesenhou a aeronave teórica de viagem na velocidade da luz – e em particular uma argola ao redor dela que é essencial para seu sistema de propulsão – de uma forma que, segundo ele, pode reduzir bastante a necessidade de energia.

Mesmo assim, ele é rápido em apresentar suas próprias ressalvas, dizendo que sua pesquisa da dobra é similar a um projeto de estudo universitário que está tentando provar que uma bolha de dobra microscópica pode ser detectada em laboratório. "Não estamos amarrando isso a uma espaçonave", afirmou ele sobre a tecnologia da dobra.

White era um engenheiro com experiência na indústria aeroespacial quando foi à NASA em 2000, iniciando sua carreira na agência operando braços de ônibus espaciais. Ele obteve seu doutorado em física pela Rice University em 2008, e hoje trabalha com uma gama de projetos buscando levar a NASA além dos foguetes que sempre caracterizaram a viagem espacial.

Para a NASA, os experimentos de White com a dobra não representam quase nada em seu orçamento, com cerca de US$50 mil em equipamentos em uma agência que gasta quase US$18 bilhões anualmente. A agência está muito mais focada em projetos mais viáveis – construir a próxima geração de aeronaves Orion, trabalhar na Estação Espacial Internacional e preparar-se para uma futura missão de capturar um asteroide.

Mesmo assim, a NASA disponibilizou recursos internos para o projeto e liberou outros engenheiros para ajudar White. Além disso, restaurou o sistema pneumático do laboratório utilizado por White, para permitir sua flutuação. O laboratório costumava ser usado para testar equipamentos para missões Apollo, e possui painéis de controle por baixo dele que parecem pertencer a um abrigo esquecido pelo tempo.

Steve Stich, diretor adjunto de engenharia no Johnson Space Center, declarou: "Precisamos sempre manter um olho no futuro". E ergueu seu iPhone. "Há quarenta anos, isto era o Capitão Kirk, do Star Trek, falando através de um comunicador sempre que necessário", comparou ele. "Hoje, porém, este dispositivo existe porque criaram a tecnologia de bateria que permite sua existência, trabalharam na tecnologia de software, desenvolveram a tecnologia computacional, a tela sensível ao toque."

Teoricamente, uma dobra espacial poderia reduzir o tempo de viagem entre estrelas de dezenas de milhares de anos a semanas ou meses. Contudo, provavelmente não estaremos fazendo reservas nesses voos tão cedo.

"Minha opinião é que a ideia, por enquanto, é maluca", argumentou Edwin F. Taylor, ex-editor da publicação "The American Journal of Physics " e pesquisador do MIT. "Fale comigo dentro de cem anos".

Todavia, segundo Richard Obousy, um físico que preside o Icarus Interstellar, grupo sem fins lucrativos composto por voluntários colaborando em projetos de espaçonaves, "isso não é um conto de fadas".

"Costumamos superestimar o que podemos fazer em curtos períodos de tempo, mas acho que subestimamos massivamente o que conseguimos fazer em períodos mais longos", afirmou ele sobre o trabalho de White, que é seu amigo e colaborador no grupo Icarus.

White comparou seus experimentos aos primeiros estágios do Projeto Manhattan, que foi focado em criar uma reação nuclear muito pequena – meramente como prova de que isso poderia ser feito.

"Eles tentaram ir adiante e demonstrar um reator nuclear, e gerar meio watt", explicou ele. "Isso não é algo que se vá comercializar. Ninguém irá comprar isso. Tratava-se apenas de confirmar que eles entendiam a Física e a Ciência".

Segundo Neil deGrasse Tyson, conhecido astrofísico do American Museum of Natural History, seria preciso um salto além de nossa tecnologia atual para tornar a viagem interestelar mais plausível.

"A viagem rotineira às estrelas é impossível sem novas descobertas quanto ao material do espaço e tempo, ou a capacidade de manipulá-los para nossas necessidades", argumentou ele, acrescentando: "Em minha leitura, a ideia de uma dobra espacial funcional continua muito distante, mas a verdadeira boa notícia é que as pessoas estão pensando no assunto – lembrando a todos que o desejo de explorar continua forte em nossa espécie".

Ainda assim, um dos mais em dúvida é o próprio Alcubierre. Ele listou diversas preocupações, começando com a grande quantidade de matéria exótica que seria necessária.

"Da maneira como está sendo vista hoje, a dobra espacial é impossível", disse ele. E colocou uma questão ainda mais fundamental: como ela seria ligada?

"Em velocidades superiores à da luz, a frente da bolha de dobra não pode ser alcançada por nenhum sinal de dentro da nave", garantiu ele. "Isso não significa apenas que não podemos desligá-la; é ainda pior. Significa que não conseguiríamos nem mesmo ligá-la".

White, que nunca conversou com Alcubierre, declarou: "Aprecio os pensamentos dele. Não sei se concordo com todas as suas observações, com base em alguns trabalhos que realizei".

"Eu e ele certamente poderíamos discutir por bastante tempo", concluiu.

iG

Aperta o play!

"Não foi nada fácil deixar o telefone fixo e passar pro celular"
Não foi nada fácil pra minha geração passar do escovão pra enceradeira. Sair do ferro à brasa para o elétrico. Não foi nada fácil pra minha geração ver o vinil virar CD, deixar o telefone fixo e passar pro celular, abandonar a máquina de escrever e usar o computador. Abandonamos a goma arábica e adotamos a cola Pritt, a Parker 51 trocamos por uma Bic e a laranja espremida uma a uma trocamos por um suco de caixinha.

Sofri muito com isso. Eu que ouvia diariamente meu pai rezar aquela ladainha “no meu tempo não tinha televisão”, com que cara vou dizer aos meus filhos que no meu tempo de calças curtas não tinha celular, não tinha microondas, não tinha TV Led, TV a cabo, DVD, CD, foto digital, controle remoto, voicemail, iPod, iPad, iPhone, site, blog, e-mail, WhatsApp, Instagram, Twitter, Facebook, essas coisas todas?

Não foi fácil entender como se mandava uma mensagem pelo celular, como se copiava ou apagava a mensagem, como se passava um fax, como escaneava um documento, como passava as fotos da máquina pro computador, como se fazia pra abrir um PDF. Hoje todo mundo já nasce sabendo mas a minha geração não sabia e teve que aprender na marra, da noite pro dia.

Minha neta Flora tinha dois anos quando me viu todo atrapalhado com o controle remoto na mão tentando ligar o aparelho de DVD pra ela assistir O Rei Leão. Ela olhou pra mim e candidamente disse:

- Aperta o play, vovô!
Não é que eu apertei e como num passe de mágica o Simba, filho de Mufasa, estava lá na tela? Pensei com os meus botões: Essa meninada de hoje já nasce sabendo todos os segredos da tecnologia e ainda por cima falando inglês.

Lá nos anos sessenta, eu me lembro bem quando chegou na minha casa em Belo Horizonte Antônia, uma mocinha lá do interior de Minas Gerais que veio pra ajudar nos serviços domésticos. Antônia quase morreu do coração quando minha mãe foi ensinar a ela como funcionava o aspirador de pó, um monstrengo que pesava uns bons vinte quilos. Quando ela apertou o botão e veio aquele barulho tipo de avião, Antônia caiu pra trás. Foi preciso abano e muita água com açúcar pra que ela pudesse voltar ao nosso mundo, um mundo que começava a mudar.

Sofri muito com esse mundo que mudou. Até hoje não é fácil perguntar pras minhas três filhas e pro meu filho como enviar aquela carinha amarela sorrindo via WhatsApp ou como dar aquele efeito na foto do iPhone. Ele e elas me olham com um olhar blasé como se eu estivesse perguntando como se descasca uma banana, como se acende uma luz, como se coloca água num copo ou como se atende um telefone. Tento explicar que tenho 63 anos mas acho eu que os quatro se cansaram dessa ladainha.

Mas eu vou levando. Estou no Facebook, no Twitter, no Instagram, mando recados pelo WhatsApp, aprendi a escanear, a passar as fotos da máquina pro computador, do computador pro pendrive e vivo fazendo compras pela Internet. Mas confesso que quando vou fazer uma pesquisa dou um Google e assim que acho o que quero, imprimo. Vou imprimindo, imprimindo até fazer uma pilha de papel.

Mas hoje estou me sentindo o rei da modernidade. Essa semana lancei um e-book reunindo 45 crônicas publicadas aqui no site de Carta Capital. O The Book is on the Tablet está aqui bonito no meu iPad em cima da minha escrivaninha mas confesso que estou com uma vontade danada de imprimi-lo, de pegar nele, cheirar, folhear página por página passando de vez em quando o dedo na língua.

Alberto Villas  Carta Capital

NOCAUTEADO, SERGIO CABRAL DEVERÁ RENUNCIAR

Previsão foi feita pela jornalista Tereza Cruvinel; ela aposta que esse é o melhor caminho para tentar salvar a candidatura de Luiz Fernando Pezão
A jornalista Tereza Cruvinel, uma das principais colunistas políticas do País, aposta na renúncia do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral. Seria a melhor saída para um político nocauteado, que precisa tentar salvar a candidatura de seu vice, Luiz Fernando Pezão. 

A ira das ruas já fez muitas vítimas na política, mas o primeiro a ser literalmente nocauteado é o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Embora negando, ou tratando o assunto como hipótese, ele está decidido a renunciar para favorecer a candidatura do vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), a governador, alegando a necessidade de se afastar para viabilizar legalmente a candidatura, a deputado federal, de seu filho Marco Antônio. Aquele que o pai, protestando contra a pré-candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) e ameaçando romper a aliança com o PT, lembrou ter "Neves" no sobrenome.

De lá para cá, tudo mudou para Cabral, que, segundo fontes do PMDB nacional, ainda tem dúvidas sobre o momento certo para deixar o cargo. Se, no início de janeiro de 2014, o que daria mais tempo de governo para o vice, ou se em abril, quando termina o prazo legal para a desincompatiblização de governantes que serão candidatos ou tenham parentes de primeiro grau com essa pretensão.

No ano passado, Cabral chegou a cogitar a renúncia para que Pezão pudesse disputar a eleição para governador no cargo. Nesse caso, sendo eleito, ele não teria direito à reeleição, tal como acontece hoje, pela mesma razão, com o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), que concluiu o segundo mandato de Aécio Neves (PSDB). Depois, desistiu e anunciou que ficaria no cargo até o fim do mandato, trabalhando pela eleição do sucessor.

Com a eclosão dos protestos, entretanto, o mundo de Cabral caiu. As grandes manifestações de junho no Rio, duramente reprimidas, hoje estão praticamente restritas à ação violenta dos vândalos e de grupos radicais, aparentemente infiltrados por mercenários do narcotráfico e de outras organizações criminosas, talvez partidárias, especulam o governador e seus aliados. O prédio em que ele mora, no Leblon, continua sendo um ponto permanente de protestos e de confrontos com a polícia, para irritação dos moradores da rua. Cabral recusou todos os apelos de correligionários e auxiliares para que fosse morar na residência oficial do Palácio das Laranjeiras. No fim de julho, as pesquisas mostraram que ele se tornara o mais impopular, numa lista de governadores vitimados pelo mau humor da população. Em São Paulo, durante a visita do papa, foi alvo de protesto em que uma faixa dizia: "Vaza, Cabral". O sumiço do pedreiro Amarildo, depois de ter comparecido em 14 de julho ao posto policial da UPP da Rocinha, engrossou os últimos protestos com a participação de moradores da favela. O assunto esquentou na sexta-feira, com as suspeitas levantadas pela ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, de responsabilidade da PM no desaparecimento.

Nos últimos dias, Cabral ensaiou um discurso conciliador, fazendo autocrítica e declarando o desejo de dialogar. Na sexta-feira, anunciou o recuo na demolição do ginásio esportivo Célio de Barros, ao lado do Maracanã, dizendo que a própria concessão, muito criticada pelos cariocas, estava "em suspenso". Os acenos caíram no vazio, e a sexta-feira terminou com outro ato paulista, contra ele e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), alvejado pelas revelações da empresa Siemens, sobre a participação em um cartel que teria atuado em licitações dos governos estaduais tucanos. Por isso, é possível que agora ele também comece a ser malhado continuamente nos protestos. Os políticos vêm prevendo que as ruas não sossegarão antes da eleição.

A renúncia, que só uma virada favorável na situação de Cabral impediria, tornou-se para ele a melhor saída. Ainda que não tenha condições de disputar o Senado, como cogitado, dará a Pezão uma chance de se provar como gestor para ganhar competitividade, e abrirá caminho para o filho entrar na política. Ainda que Cabral quisesse, nenhum outro governante deseja que ele confirme esse plano agora. Se as ruas gostam e diversificam as apostas, ninguém sabe qual será a próxima pedra a cair no dominó.

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GREVE da educação estadual do Rio!!!


Assembleia de profissionais da educação da Rede estadual do Rio de Janeiro vota pela GREVE por tempo indeterminado!

Educação do Rio na LUTA! Uma matrícula, uma escola!

Fora Cabral, Fora Risolia!!!

Próxima Assembleia dia 14/08.