sábado, 6 de julho de 2013

'Revolução da nanotecnologia' muda perfil do trabalhador químico

Na abertura do 7º Congresso da Confederação Nacional dos Químicos da CUT (CNQ-CUT), o pesquisador Remigio Todeschini, do Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília, ex-dirigente da categoria, vai lançar um livro que traz um perfil dos trabalhadores do setor, que passaram de 903 mil, em 2000, para 1,308 milhão em 2010, e hoje vive, segundo o autor, “a chamada revolução da nanotecnologia”. 

A obra mostra crescimento da escolaridade e da renda e participação masculina bem maior que a média geral brasileira.

Em 2000, os químicos com escolaridade até o ensino fundamental completo representavam 56,1% do total e passaram para 27,2% em 2010. Os que tinham ensino médio completo ou incompleto foram de 31,7% para 54,4% e aqueles desde ensino superior incompleto a doutorado foram de 12,2% a 18,3%. Em linhas gerais, acompanharam as transformações do mercado de trabalho brasileiro, em dados que reforçam, diz Remigio, a necessidade de incrementar a qualificação dos trabalhadores.

Uma diferença marcante está na divisão por gênero. Em 2010, os homens eram 75% dos empregados no ramo químico. Entre os não químicos, eram 58,5%. Em parte, avalia o pesquisador, a maior concentração no primeiro caso deve-se a especificidades como trabalho nas áreas de petróleo e mineração, além do serviço em turnos.
Também cresceu a participação de empresas de maior porte. Aquelas com mais de mil funcionários passaram de 5,8% do total, em 2000, para 15,9% em 2010. Entre os não químicos, também houve aumento, proporcionalmente menor, de 21,3% para 25,8%.

A pesquisa, que compreende 27 grupos econômicos, desde a extração do carvão à comercialização no atacado de produtos químicos, aponta ainda alguma diminuição na entrada de jovens e permanência maior de trabalhadores de 40 a 69 anos. Ainda segundo Remigio, a inserção de portadores de deficiência “está muito abaixo da população geral e das obrigações legais”.

O rendimento melhorou – aumento real de 55% de 2000 a 2010 –, mas continua revelando desigualdade, diz o ex-presidente do Sindicato dos Químicos do ABC e ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego. A remuneração de áreas como a de petróleo é bem superior às de produção de sabão/velas e tintas/vernizes.

Os dados mostram ainda algum deslocamento do emprego por região. O Nordeste concentra 10,5% dos trabalhadores em 2001 e passou a 12% em 2010, enquanto o Sudeste foi de 62,8% para 60,3% no mesmo período. O Centro-Oeste foi de 4,3% para 6% e o Norte, de 1,8% para 2,4%. O Sul recuou de 20,7% para 19,2%.

O congresso da CNQ-CUT será realizado da próxima terça (2) até quinta-feira (4), em Campinas, interior paulista, tendo como tema básico o desenvolvimento com trabalho decente. Devem participar 300 pessoas de 80 entidades. “Nosso congresso acontece num momento de mobilizações nacionais e de campanhas importantes para o químico, como o combate à terceirização e a luta em defesa do emprego de qualidade”, diz a coordenadora da entidade, Lucineide Varjão.

RBA

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